Quarta-feira, 25 de maio de 2016

ISSN 1983-392X

Gramatigalhas

por José Maria da Costa

Contas bancárias ou contas bancária?

quarta-feira, 25 de maio de 2016

dúvida do leitor

O leitor Genivaldo Antunes envia a seguinte mensagem ao Gramatigalhas:

"O correto é 'contas bancária' ou 'contas bancárias'?"

envie sua dúvida

1) Em dúvida que se origina de equívoco bastante cometido, um leitor pergunta se o correto é escrever "contas bancárias" ou "contas bancária".

2) Ora, no caso, o que se tem é um adjetivo (bancário) que se põe junto de um substantivo (conta), modificando-o.

3) E a regra geral mais básica de concordância nominal em português é que o adjetivo concorda com o substantivo por ele modificado em gênero (masculino ou feminino) e número (singular ou plural). Exs.: a) estabelecimento bancário; b) conta bancária; c) estabelecimentos bancários; d) contas bancárias.

4) Essa é a regra a ser seguida em casos dessa natureza, e não há como fazer raciocínios outros incabíveis no plano da concordância nominal, como, por exemplo, escrever tapetes persa, ou móveis rústico, ou quitutes mineiro, ou ovos caipira, a pretexto de que se poderia pensar em tapetes do tipo persa, ou móveis do tipo rústico, ou, ainda, quitutes do tipo mineiro, ou mesmo ovos do tipo caipira.

5) Corrijam-se tais exemplos: a) tapete persa; b) tapetes persas; c) móvel rústico; d) móveis rústicos; e) parede rústica; f) paredes rústicas; g) quitute mineiro; h) quitutes mineiros; i) iguaria mineira; j) iguarias mineiras; k) ovo caipira; l) ovos caipiras.

6) Ultime-se essa lista com expressão totalmente equivocada constante de comunicado virtual feita por entidade a seus filiados: "Férias cultural 2016...". Corrija-se: "Férias culturais 2016...".

Manual de Redação Jurídica
José Maria da Costa

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas.