Quinta-feira, 21 de setembro de 2017 Cadastre-se

ISSN 1983-392X

Nada será como antes

terça-feira, 5 de setembro de 2017


Quando se espera uma denúncia contra o presidente da República, Rodrigo Janot surpreende o país com uma auto-denúncia. De fato, ao apresentar um inesperado e ensurdecedor áudio de Joesley Batista, o procurador-Geral da República implode seu mandato e, por tabela, atinge o Supremo.

Alvo errado

Colocar em dúvida o Supremo é algo como lançar uma flecha para cima: são grandes as chances dela furar a própria cabeça do arqueiro. Por estas e outras, não parece crível a versão de que Joesley sabia da gravação quando entregou o áudio. Com efeito, ele entende o tamanho do imbróglio e seus correspondentes riscos.

Bazófia

A menção aos ministros do Supremo não coloca em dúvida nenhum dos integrantes daquela Casa, ao contrário do que se diz por aí. Eles são citados porque um advogado, ex-ministro de Dilma, teria estado com Joesley e jactado-se de ter acesso a alguns ministros.

Omissões

Outra coisa que há no áudio são eventuais omissões que seriam feitas na delação, mas que ao final não se efetivaram. Com efeito, ninguém foi poupado e todos os citados foram delatados.

Atuação

A JBS afirmou antes que Marcelo Miller não participou da delação. De maneira que é o próprio PGR quem deve dizer se isso é verdade ou não, em vez de deixar essa zona cinzenta.

Pelé x Edson

Ao falar do ex-procurador da República Marcelo Miller, Rodrigo Janot preferiu agir como Pelé, referindo-se a si próprio em terceira pessoa. De fato, disse que ele, nos últimos três anos, estava lotado no gabinete do Procurador-Geral da República. Então tá.

Benefícios em dúvida

Os políticos citados na delação da JBS sempre questionaram o papel do ex-procurador Marcelo Miller, que teria supostamente servido a dois senhores.

Fim da delação

A novidade trazida por Janot, a 15 dias de sua saída do cargo, fere de morte o já combalido instituto da delação premiada.

Odebrecht

Se o tal áudio não abalar a delação da JBS, pelo menos será o momento de fulminar com outra: referimos, claro, à delação da Odebrecht. Se é que se pode chamar aquele mal-ajambrado arranjo de informações de uma delação. Ela "tem omissões, obstruções e mentiras". E quem diz isso não somos nós, e sim o próprio Marcelo Bahia Odebrecht. Duvida? Ouça.

Escárnio

A frase acima de Marcelo Odebrecht foi dita ontem num longo depoimento que é um verdadeiro escárnio ao povo brasileiro. Como se não bastasse de bandidagem que praticou, o sujeito ainda confessa que há mentiras na delação. E o que faz o juiz ao ouvir essa gravíssima informação? Nada. Isso mesmo, finge que não é com ele. Logo depois, quando o advogado tentou entender quais eram as mentiras na delação, o juiz interferiu, causando um clima de confusão e colocando no advogado a culpa pela exasperação que ele próprio criou. E as tais "mentiras" ficaram olvidadas.