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ISSN 1983-392X

A delação que sopitou por um ano

quinta-feira, 7 de junho de 2018


Era 28 de maio último, e estávamos em meio à crise de combustível, em plena greve dos caminhoneiros. Nesta data, especialmente escolhida, o MPF de Curitiba resolve soltar uma informação, ao jornal O Globo, de que Leo Pinheiro estava com a delação premiada pronta. O dia foi selecionado a dedo, para que a notícia se perdesse rapidamente.

E, de fato, foi o que aconteceu, pois ninguém mais falou do assunto. A estratégia de comunicação, como sempre se deu na Lava Jato de Curitiba, funcionou perfeitamente. Mas por que, pergunta o leitor, eles queriam que isso ficasse à socapa? Vejamos. No dia 20 de abril do ano passado, véspera do feriado de Tiradentes, o juiz Moro ouviu, num interrogatório estranhamente antecipado, Leo Pinheiro. Naquele dia, como gostosamente se anunciava pela imprensa, ele iria "entregar" Lula no caso triplex. O advogado do ex-presidente, então, começa a oitiva perguntando se Leo Pinheiro estava em processo de delação, uma vez que corria o boato de que o MPF estava irredutível: "só aceitaria sua delação se ele entregasse Lula". Leo Pinheiro, tartamudeante, nega estar delatando. Eis que, passado um ano, e com o ex-presidente condenado em 2º grau (cuja sentença é baseada fortemente no depoimento de Leo Pinheiro), surge a notícia de que o acordo foi entabulado. Ninguém duvide, ele deve sair do cárcere nos próximos dias. Ou seja, Papai Noel existe.