Segunda-feira, 20 de novembro de 2017

ISSN 1983-392X

Porandubas Políticas

por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 530

quinta-feira, 18 de maio de 2017

!!!

O país entra num gigantesco buraco negro! As revelações das gravações do Joesley Batista abrem horizontes de incertezas! Cenário de caos. Sustar as reformas nesse momento significará imenso retrocesso.

Cuidado, apressadinhos

Tem um montão de apressadinhos instalando barracas no terreno do pleito de 2018. Este consultor transmite um conselho: devagar com o andor. Cuidado para não colocarem o carro na frente dos bois. Entrem na reza dessa novena.

Novena da paciência

1. Uma coisa por vez. Uma caminhada de 1.000 kms começa com um primeiro passo.

2. O tempo é quem dita as razões e baliza as decisões.

3. Peru não morre de véspera.

4. No Brasil de hoje, temos de contar com o Senhor Imponderável, que gosta de nos visitar.

5. A pressa é inimiga da boa decisão. Apressado come cru.

6. Nem sempre a menor distância entre dois pontos é uma reta como na geometria euclidiana.

7. É saudável viver o espírito do tempo, nunca antecipá-lo.

8. A cautela na política é um santo remédio contra sequelas e passos maiores que as pernas.

9. Os dois olhos devem estar muito abertos: um olhando para o norte, outro para o Sul! Amém!

I - Mudanças no cenário: contra o status quo

Este analista da política tem por hábito aplicar sua lupa sobre a dinâmica social, procurando traços e sinais que apontem na direção de mudanças. Pois bem, é interessante observar uma clara determinação dos maiores grupamentos da sociedade de mudar o status quo na esfera da política. Nessa tendência, integram-se as classes médias de grandes e médias cidades, que formam o maior polo mudancista do país, que agregam profissionais liberais, professores, funcionários públicos, os universos dos setores produtivos – indústria, comércio e serviços, proprietários rurais – e contingentes de jovens.

II – Mudanças de cenário: polo conservador

Uma parcela dos mudancistas – uma minoria – assume uma postura mais conservadora, juntando-se no entorno de perfis que encarnem o endurecimento de regras e costumes (defesa da família, contra o aborto, combate duro aos criminosos, contra união de pessoas do mesmo gênero, etc.). Bolsonaro aparece nesse pedestal.

III - Mudanças de cenário: polo esquerdista

Na outra ponta do arco ideológico, um núcleo de esquerda tende a se formar, com posições mais radicais do que as bandeiras históricas e tradicionais até então defendidas pelas esquerdas. A crise que solapa a imagem do petismo impulsiona grupos mais extremados, que tentarão se aproveitar da indignação social para expandir um ideário mais forte contra o liberalismo e seus eixos na economia, na política e nos costumes.

IV- Mudanças: polo centrista

Distanciando-se dos extremos, largos contingentes se abrigarão no meio da pirâmide social sob a sombra de bandeiras mudancistas, agora sustentadas por vigas com a marca de um social-liberalismo. As forças do mercado darão o tom da tuba de ressonância central, cuja pregação será a flexibilização nas relações do trabalho, a menor dimensão e o menor custo do Estado, com a defesa da meritocracia e a atenuação dos cargos políticos. As reformas na política e a no campo dos tributos continuarão a ser brandidas. Perfis que encarnem esse ideário serão prestigiados.

V – Mudanças: democracia participativa

Uma questão que permeia todos os grupos e setores é a participação da sociedade no sistema decisório. Identifica-se um movimento centrípeto – das margens para o centro – a denotar intenso interesse de classes sociais e categorias profissionais em participar, de forma mais ativa, do processo político. A democracia participativa, portanto, estará atingindo seu clímax, fenômeno que ensejará intensa mobilização de setores. A crise disparou mecanismos de animação política. A sociedade redescobre a força do voto. Sua capacidade de ditar os rumos políticos da Nação. Esse será um grande ganho, um dos frutos mais saudáveis da crise.

VI - Mudanças: o regionalismo

O processo político será banhado pelas águas do regionalismo. Essa tendência se alimenta do calor dos embates em torno da questão econômico-tributária. A distritalização do voto ganhará força. Dois cenários, então, se apresentam: a micro-democracia das comunidades organizadas e o poder regional. Colocando-se ambos na panela da pressão política, dá para se imaginar o caldo que tomaremos: disputa acirrada entre regiões, movimentos comunitários reivindicatórios, estiolamento das forças políticas tradicionais, entre outras consequências. A moldura é a ideal para abrigar o parlamentarismo. Não por acaso, o grupo parlamentarista do Congresso se fortalece.

Lembrança

Pequena lembrança aos apóstolos do marketing à moda antiga: "nenhum homem, por maior esforço que faça, pode acrescentar um palmo à sua altura", diz a Bíblia, e alterar o pequeno modelo que é o corpo humano. Mesmo que alguns ainda acreditem nas artimanhas de um marketing político dos velhos tempos.

Palocci, a bola da vez?

Todas as atenções se voltam para o todo ex-poderoso mago das Finanças do governo Lula: Antônio Palocci. Ele está em vias de fechar acordo de delação premiada. Mas há um habeas corpus em curso, que pede sua imediata soltura. Não teria mandado sustá-lo. Ou seja, conta com o julgamento do HC e com o fechamento do acordo de delação. O plenário do STF tende a soltá-lo, na esteira de suas últimas decisões. O que não aliviará a dor de cabeça de Palocci pois será julgado mais adiante. Já um acordo com os procuradores poderá ser mais satisfatório.

Palocci, o braço direito

Lula tinha em Palocci extrema confiança. A ele teria delegado a tarefa de arrumar recursos para as campanhas e operar o dia a dia dos recursos. Fala-se de uma conta de R$ 30 milhões disponibilizados pela Odebrecht para uso de Lula. E Palocci seria o único com autorização para operar tal conta. Palocci vai dizer algo, confirmar hipóteses que circulam? Difícil responder. O fato é que, nesse momento, o apelo familiar deve predominar sobre amizade com A, B ou C. Se for para aliviá-lo de uma pena longa, é mais provável que o ministro diga o que sabe. Ou parte do que sabe. Lula deve supor que o amigo não vá jogá-lo em maus lençóis. Mas se o silêncio significar condenação e o fogo do inferno?

Reformas passarão

Este consultor continua a acreditar que as reformas passarão no Congresso. O presidente Michel Temer tem feito extraordinário trabalho de articulação. A comunicação governamental melhorou. A consciência sobre a necessidade de aprovação das reformas se expande. Ou vai ou o país irá para o beleléu. A reforma trabalhista passará no Senado sem emendas. Nessa condição, não voltará à Câmara. Se houver ajustes, serão feitos por Medida Provisória. O fato é que demandas e observações feitas por senadores já são contempladas no substitutivo do deputado Rogério Marinho. Muitos não o leram. E pedem o que lá já está. P.S. Esta nota foi produzida antes da bomba atômica que cai sobre o governo. Hoje há muitas dúvidas.

Santana e Mônica

As delações de João Santana e Mônica Moura, sua mulher, devastam o que sobra na imagem dos ex-presidentes Lula e Dilma. Nota comum dos depoimentos: sabiam de tudo, de propina a caixa 2. E de contas no exterior. Com tantos detalhes, será difícil desfazer a narrativa dos marqueteiros. E essa ideia de bolar um e-mail com o nome Iolanda, nome da esposa falecida do marechal Costa e Silva, só contribui para causar mais polêmica ao estilo vingativo da ex-presidente.

Bolsonaro

É inimaginável situar o deputado Bolsonaro como forte candidato a presidência da República em 2018. Trata-se de um mero flagrante de um presente cheio de indignação contra os políticos. O pais está se tornando mais racional. E a racionalidade não combina com radicalismos, seja de direita, seja de esquerda. O caminho mais largo será o do centro.

Pezão

O apartamento do governador Pezão, no Rio, foi invadido. Deus do Céu. Quando a residência da mais alta autoridade de um Estado importante é invadida, o que mais esperar em matéria de segurança? Onde estamos, para onde vamos?

Melhoria

Os sinais começam a apontar para melhorias. As vendas no varejo aumentando. Juros caindo. Inflação diminuindo. Investidores dão mostras de que acreditam nas reformas. Mas a área do emprego ainda está complicada. Vai demorar mais um pouco até a curva do desemprego diminuir.

O novo? Cuidado

Fala-se por todos os lados que o novo será o perfil mais desejado e aclamado pelo eleitor. Urge ter cuidado. O novo não se restringe à idade. Diz respeito à postura, comportamento, atitudes. Há muito novo que está caindo de velhice mental. Novo é o compromissado com ideias avançadas, inovadoras, modernas. É aquele que vai à arena lutar contra os velhos costumes e padrões ultrapassados.

Saturação

Milhões de brasileiros estão saturados de velhas palavras e conceitos. O momento é de alerta. Como Zaratustra, o profeta de Nietzsche, precisamos de uma nova linguagem. Recolhido na montanha e à solidão de sua caverna, Zaratustra acordou, certa manhã, de um sonho, e ao se olhar no espelho trazido por um menino, deu um grito e seu coração ficou alvoroçado, quando constatou o que via: a cara feia e o riso escarninho do diabo. Decidiu agir. Sentia que sua doutrina corria perigo.

Reconstruir tudo de novo

O joio queria chamar-se trigo. Inimigos poderosos haviam desfigurado seu ideário. Decidiu partir para reconstruir tudo de novo. E correu a precipitar suas palavras para além dos vales, dizendo: "novos caminhos sigo, uma nova fala me empolga: cansei-me das velhas línguas. Não quer mais, o meu espírito, caminhar com solas gastas". (Friedrich W. Nietzsche in "Assim falou Zaratustra"). Arremessou seu dardo, sua palavra, contra os inimigos e valendo-se do apoio dos amigos, fez valer sua velha e selvagem sabedoria.

Porandubas Políticas
Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.