Sábado, 27 de maio de 2017

ISSN 1983-392X

2010

A comarca de Valença, ex Marquês de Valença, criada pelo decreto 1.734, de 26 de novembro de 1872, foi instalada poucos dias depois, em solenidade simples, dela participando juízes, promotores representantes das classes política e social e membros da família forense.

Teve a integrá-la, quase dezoito anos mais tarde, em virtude do decreto 62, de 17 de março de 1890, o termo de Santa Teresa de Valença, atual Rio das Flores, que no curso do tempo foi inúmeras vezes prestigiado e desprestigiado com sua elevação a comarca e rebaixamento à condição de termo, sempre vinculado à comarca de Valença.

Desta só se desligou muito tempo depois, com o advento da lei 3.382, de 12 de setembro de 1957, que prestigiou cada célula municipal com a sua comarca. Com a desanexação de Santa Teresa, passou a comarca de Valença a ser constituída exclusivamente do seu termo, situação que perdura até o presente.

Fórum

O Fórum da comarca de Valença funcionou inicialmente anexo à cadeia pública, sendo mais tarde transferido para o prédio situado na Praça XV de Novembro, onde também funcionavam a câmara e a prefeitura municipal local. Posteriormente ocupou sede própria, à Rua Araújo Leite, 166, construída no governo de Raimundo Padilha e inaugurada em 9 de novembro de 1974 pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Plínio Pinto Coelho.

O novo Fórum recebeu o nome do jurista Arnoldo Medeiros da Fonseca. Em 9 de setembro de 1998, teve início a construção de um anexo, com área que ultrapassou a do prédio principal, solenemente inaugurado em 5 de maio de 2000.

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Fonte : "O Judiciário fluminense e suas comarcas", de Antonio Izaias da Costa Abreu
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Data da fundação : 29 de setembro de 1857

Denominação anterior : Aldeia de Nossa Senhora de Valença

Gentílico : valenciano



A denominação da cidade é uma homenagem ao vice-rei de Portugal, Dom Fernando José, descendente dos nobres da cidade espanhola de Valencia.

A história do município de Valença inicia-se por volta de 1789 quando D. Maria I de Portugal, por meio de uma Carta Régia, incumbiu ao vice-rei Luiz de Vasconcelos e Souza que promovesse o início da catequese dos índios denominados coroados, que já formavam um povoamento na região.

Em 15 de agosto de 1803 é rezada a primeira missa numa capela improvisada, dando-se a povoação fundada o nome de "Aldeia de Nossa Senhora de Valença", em honra a Mãe de Deus e também homenageando a família do novo vice-rei, D. Fernando José de Portugal que era da cidade de Valença na metrópole.

Em 1842 é criado o município de Valença, por decreto do Imperador D. Pedro II com terras retiradas dos municípios de Resende, São João Marcos e do Rio de Janeiro.

Quinze anos mais tarde, em 29 de setembro de 1857, Valença é elevada à condição de cidade.

Muitos tropeiros, transportando mercadorias, vindos de Minas Gerais em direção à Corte do Rio de Janeiro, atravessavam a freguesia de Nossa Senhora da Glória de Valença, e muitas vezes pousavam no local onde hoje se encontram as esquinas da Avenida Nilo Peçanha e Rua dos Mineiros.

Desde o século XIX, Valença reúne grandes riquezas herdadas durante o Ciclo do Café. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória, os sobrados históricos e os detalhes arquitetônicos das inúmeras fazendas do ciclo do café são resquícios dessa época.

Hoje, o município é constituído de 6 distritos : Valença, Barão de Juparanã, Consevatória, Parapeúna, Pentagna e Santa Isabel do Rio Preto.

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Mirante do Cruzeiro Monsenhor Natanael de Veras Alcântara

Mirante de onde pode-se observar, em primeiro plano, a cidade, e em segundo plano as Serras dos Mascates, das Coroas, da Boa Vista e Tunifel. No local há uma praça e uma cruz de concreto, medindo 11,20 metros de altura por 5 metros de braço. O monumento foi idealizado pelo Monsenhor Natanael de Veras Alcântara para comemorar o sesquicentenário da primeira missa em Valença.



Catedral de Nossa Senhora da Glória

Em substituição à capela dos índios Coroados, em 1820, deu-se início à construção, em pedra e cal, do corpo principal da igreja em estilo colonial. Anos mais tarde, 1857, por meio de concessões de loterias, o consistório e obras em talha da capela são concluídos. Até 1871, o templo era despido de torre, existindo apenas um campanário em um ponto pequeno ao lado da igreja, desde então deu-se início a construção de duas torres que recebeu, uma delas, um relógio francês. Em 1917 além de reconstruídas as torres do templo que haviam sido demolidas por motivo de desabamento, a matriz de N. S. da Glória tem sua fachada remodelada adquirindo então elementos da arquitetura eclética, aspecto que ostenta atualmente.

A catedral de N. S. da Glória impõe-se à cidade do alto de uma ladeira, sendo alcançada por uma escadaria em cimento na fachada e de cantaria na lateral. Sua planta segue o esquema das igrejas do século XVIII, com nave central e dois corredores laterais. Atualmente sua fachada apresenta linhas ecléticas mescladas com o colonial e neoclássico. Internamente mantém suas características originais do neoclássico.





Praça da Bandeira

Em 1923, começa a construção do jardim, que ocupa a área do morro fronteiro à Catedral, então destinado à queima de fogos de artifício, por ocasião das festividades que ali se celebravam. É de estilo francês sob plano de Octacílio Rocha, sendo modificado pelo engenheiro italiano Dr. Mário Beti. Cercado de oitis, o jardim tem ao centro um chafariz todo em pedra, projetado pelo arquiteto Luís Jannuzzi que aproveitou as pedras retiradas do antigo calçamento da cidade. Ao seu redor, estão concentradas algumas construções históricas de interesse, como por exemplo as ruínas do antigo Casarão, de 1855, no século XIX foi residência da família Nogueira, importantes produtores de café da região. Um pouco adiante, na mesma ladeira de acesso à Catedral, está o prédio do Colégio Estadual Benjamin Guimarães, construído em 1921, em estilo eclético o projeto é de autoria de Antônio Jannuzzi. Ao lado do Colégio, do outro lado da rua, está a Catedral de Nossa Senhora da Glória. Localizado no largo ao lado da Catedral está o Pavilhão Leoni, construção em estilo eclético com forte presença do Art-Noveau, de 1920. O prédio destina-se a leilão e auditório da paróquia. Defronte e abaixo da praça estão dois Sobrados construídos no século XIX, o primeiro de número 209, ficou conhecido pelas pomposas recepções oferecidas pelo proprietário Major Laurindo Gomes Leal para a sociedade maçônica fundada ali em 1864. Em 1880, foi adquirido pelo boticário Augusto Calmon de Siqueira, O segundo de número 184, em estilo colonial, é um dos mais antigos da cidade, foi construído por volta de 1820 pela família Costa Vianna.





Praça XV de Novembro

Parque ajardinado, verdadeiro recanto de paz em meio a agitação do centro da cidade, com lago, chafariz e vegetação exuberante. Sua construção foi determinada pelo presidente da Câmara João Rufino F. de Mendonça, sendo inaugurada em 1884. A transformação do grande descampado é atribuida a Auguste François Marie Glaziou, que veio para o Brasil em 1858, a convite de D. Pedro II. Passear por suas alamedas é um convite à comunhão com a natureza. Suas linhas são do estilo inglês. Árvores frondosas, centenárias, de várias espécies, como jameleiras, figueiras, acássias e palmeiras se misturam com sabiás, bem-te-vis e o bicho preguiça (Bradypus Variegatus), que completam o quadro bucólico. Espalhados pelo parque há vários monumentos, entre eles o Busto do Comendador Antônio Jannuzzi, construído em 1915; o Divã de Cantaria, de 1831; o Chafariz, onde os escravos encontravam-se para encher os tonéis d’água e lavar roupa, todo em cantaria de granito, o chafariz foi construído em 1850, e se constituía como ponto principal de abastecimento de água da cidade.





Ponte dos Arcos

A ponte dos Arcos situa-se na Estrada Conservatória / Santa Rita de Jacutinga, entre as localidades de Conservatória e Pedro Carlos, às margens do rio Prata, entre morros. Foi inaugurada no século XIX, no ano de 1883, com a visita de D. Pedro II.

No ano de 1876, o então distrito de Santo Antônio do Rio Bonito, hoje Conservatória, necessitava da construção de uma ferrovia para o escoamento da produção, cujas obras tiveram início em 1877. A partir da criação da ferrovia foi construída, por escravos, a ponte dos Arcos, que serviu de ponte para a antiga Cia. Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, e posteriormente Rede Mineira de Viação. Em 1963 passou por ela o último trem para recolhimento dos trilhos.

A ponte dos Arcos possui 100m de extensão e 12m de altura e foi erguida em pedra, cal e óleo de baleia. Compõe-se de dois arcos plenos construídos à maneira egípcia, com pedras justapostas, funcionando a tração e compressão. Sua base é constituída de grandes pedras sobrepostas e o corpo da ponte com pedras menores e roliças.





Estação de Juparanã

A estação de Desengano foi inaugurada em 1865. Porém, há outra história que diz que houve uma disputa do Barão de Juparanã, Manuel Jacintho Nogueira da Gama, com os Teixeira, o barão teria vencido e a linha passou por Valença, tendo este doado a ferrovia o terreno para a passagem da linha e a estação. Para comemorar a vitória, deu o nome de Desengano a estação por causa da decepção dos rivais.


 


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O Hino

Salve a graça de quem sente
quanto é grande o Criador,
porque só sentindo-se a gente
se encaminha ao véro amor!

Glória ao filho que os seus ama
e que os sabe merecer,
porque espalha a linda chamada
de benéfico Dever!

A luz do céu de Valença
é milagroso fanal:
ser filho teu, que honra imensa,
ó mnha Terra Natal!

Venturoso o que a imagem
do País na alma conduz.
porque, longe de selvagem,
seu roteiro enche de luz!

Honra a quem cultua, eterna,
ao calor do coração,
a mirífica luzerna
do seu dúlcido rincão!

A luz do céu de Valença
é milagroso fanal:
ser filho teu, que honra imensa
ó minha Terra Natal!

Nenhum povo se engrandece,
se sevil ou se incapaz
Nossa Terra, lida e cresce,
para tua glória e paz!

Sê modesta, mas altiva
a lutar sempre de pé,
que o progresso se cultiva
com Verdade, Amor e Fé!

A luz do céu de Valença
é milagroso fanal:
ser filho teu, que honra imensa
ó minha Terra Natal!

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População

O recenseamento geral de 1950 registrou para o município a população de 36.126 habitantes, sendo 18.130 do sexo masculino e 17.996 do feminino. A densidade demográfica é de 25.73 habitantes por quilômetro quadrado. A população de Marquês de Valença distribui-se pelos distritos Marquês de Valença, Barão de Juparanã, Conservatória, Parapeúna, Pentágna e Santa Isabel do Rio Preto.

Atividades econômicas

O município de Marquês de Valença vive quase que exclusivamente da pecuária e da sua indústria têxtil. Segundo elementos censitários compulsados, cerca de 20% das pessoas ocupam-se no ramo agricultura, pecuária e sivicultura, onde a produção de leite é a que mais se destaca, visto tratar-se de município essencialmente pecuarista. A indústria extrativa ocupa, também, interessante posição na economia, pois que se exploram caulim, mica, argila e dolomita, sendo que desta a Companhia Siderúrgica Nacional possui, em Juparanã uma jazida de grandes proporções para industrialização em escala bastante ampliada.

Comércio e Bancos

O comércio valenciano mantém elos de ativa transação com o Distrito Federal, São Paulo, Juz de Fora e Barra do Piraí. Há, na sede municipal, 12 estabelecimentos atacadistas e 290 varejistas.

Funcionam, na sede municipal, 1 banco, o Banco de Valença S.A. e 3 agências dos bancos Comércio de Minas Gerais S.A. e o de Minas Gerais S.A..

Aspectos Urbanos

A sede municipal apresenta um interessante traçado urbanístico, onde abundam as praças, cujos jardins foram executados pelo francês Glaziou, o mesmo que levantou a planta do jardim da Praça da República, no Distrito Federal, o antigo Campo de Santana.

Até 1874 a cidade não possuía qualquer espécie de iluminação. Conseguiu-a, em 9 de março de 1907, iniciando-se a iluminação pública com 150 lâmpadas de 32 velas. Em 1950 já contava 650 focos.

Os serviços de abastecimento de água, que antes eram, em virtude de lei estadual 274, de 9-X-28, executados pelo governo fluminense, acham-se transferidos para o governo do município, por força do decreto-lei estadual 1.576, de 22-I-46.

A quantidade de água distribuída diariamente, na zona urbana, é de 1.328 m3.

O número de logradouros na cidade, com abastecimento domiciliar, é atualmente, de 56, com 2.686 prédios beneficiados.

O serviço de esgoto da cidade ainda é primitivo, sendo explorado, todavia, pela Prefeitura Municipal. Até 1952, havia 47 logradouros beneficiados, com 879 prédios servidos e 5.782 metros de extensão da rede. O número de ruas calçadas, presentemente, é de 52 na sede municipal, sendo 29 inteiramente calçadas e 7 parcialmente, a paralelepípedo. Há 5 ruas calçadas inteiramente e duas parcialmente a macadame simples.

Comunicações

O município está bem servido com a rede postal-telegráfica do Departamento dos Correios e Telegráfos que tem disseminadas em seu território, na maioria de suas localidades, 17 agências postais, 4 agências postais-telegráficas e 1 posto de correio em Piabetá. Conta, além dos mais, com as seguintes reder telegráficas de uso privativo : Secretaria de Segurança Pública, Estrada de Ferro Central do Brasil e Rede de Viação Mineira. As comunicações telefônicas são mantidas pela Cia. Telefônica de Valença e Telefônica Santa Isabel Ltda., que operam em tráfego mútuo, nas ligações interurbanas, com a Companhia Telefônica Brasileira.

Alfabetização

Os dados do recenseamento geral de 1950 informam que dos 30.325 habitantes contados à época, de 5 anos e mais, sabiam ler e escrever 15.134, sendo 8.034 homens e 7.100 mulheres, representando quase 50%.

Em 1955, havia, no município, 54 unidades escolares do ensino primário fundamental comum, 3 do ensino secundário, uma do comercial e 3 de outros cursos. Desses estabelecimentos de ensino primário, apenas 7 são de administração municipal.

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