Sexta-feira, 24 de março de 2017

ISSN 1983-392X

2011

Criada pela lei Provincial 3, de 9 de fevereiro de 1888, subordinada a Descalvado.

Com a denominação genérica de Distrito de Paz, Porto Ferreira foi desanexada de Descalvado e passou a pertencer ao município de Pirassununga, pela lei Estadual 110, de 1 de outubro de 1892.

As primeiras divisas de Porto Ferreira foram estabelecidas pelo decreto 183, de 29 de maio de 1891.

Porto Ferreira conseguiu sua emancipação político-administrativa pela lei Estadual 424, de 29 de julho de 1896, sendo o novo município solenemente instalado no dia 25 de dezembro do mesmo ano.

A comarca foi instalada no dia 19 de outubro de 1963.

Lema: “Nomen prodit virtutem gentis” (O nome ostenta a virtude de sua gente)

Data da fundação: 29/07/1896

A região do Vale do Mogi foi habitada pelos índios "Painguás" ou "Paiaguás", da grande família Tupi Guarani, que tinham algumas aldeias em terras onde veio a se constituir o município de Porto Ferreira.

A origem de Porto Ferreira aponta para os anos de 1860. Nas margens do rio Mogi Guaçu, exerceu atividade a Balsa que efetuava a travessia de passageiros e mercadorias. O responsável foi o Balseiro João Inácio Ferreira, que viria a emprestar seu nome à cidade.

Curiosidade

A cavalhada, festividade com origem nos torneios Medievais, relembrando combates contra os Sarracenos e entremeada de galanteria, foi longamente difundida na cidade pelos portugueses.

Eram realizadas onde está hoje o jardim público, com dois dias de duração, antecedidos de muitos preparativos e ensaios. Os participantes, montados em cavalos ricamente ajaezados, dividiam-se em dois grupos antagônicos: os Cristãos e os Mouros.

Os Cristãos vestiam dólmã azul, quepe da mesma cor, culote branco e botas pretas; o dólmã e o quepe dos Mouros eram vermelhos, adornados por alamares dourados ou prateados. Eram brancos os culotes e pretas as botas. Cada grupo tinha seu "Mantena" (Chefe), cujos dolmãs eram cruzados por talabartes, vermelho para os Mouros e branco para os Cristãos. Do lado que passa hoje a rua Cel. João Procópio, era armado o "castelo" dos Mouros, onde a "Princesa" Cristã ficava aprisionada, sob guarda, tendo damas mouriscas como companhia.

Próximo dele erguia-se um palanque, destinado às autoridades e pessoas gradas. No primeiro dia, realizavam-se vários torneios e competições, quando os cavaleiros antagônicos exibiam suas habilidades eqüestres e destreza, com suas lanças e espadas, alegremente aplaudidos pela assistência. No último dia, simulavam-se uma batalha, com o terçar estridente das espadas e tiros de pólvora. Nos intervalos, entre uma e outra "batalha", palhaços entravam no "campo de luta", para divertir e distrair o público, com suas brincadeiras.

No final, os Cristãos conseguem libertar a "Princesa", e os Mouros se rendem, depois de mais uma batalha para retomá-la. E a "Cavalhada" tem encerramento apoteótico, com o castelo mourisco incendiado, sob o espocar de rojões, quando os dois grupos se confraternizam e são vivamente aclamados. A última Cavalhada em Porto Ferreira realizou-se em 1910 ou poucos anos depois, no terreno onde se encontra hoje o Hospital "Dona Balbina". À convite, várias vezes seus componentes exibiram-se em outras cidades.


População

Composta de 3.624 homens e 3.531 mulheres, o que somados resultam em 7.155 habitantes. Destes, 2.914 vivem na zona rural (40%). Estima-se a 10.115 habitantes para o ano de 1955.

Atividade econômicas

As atividades que regem a economia do município são: indústria de lacticínios para fabricação de leite em pó, indústria de cerâmica (louças, isoladores elétricos, tijolos e telhas), indústria têxtil (fiação e tecelagem) e criação do gado bovino.

As matas naturais ocupam 1.036 há, os eucaliptos 50 há, culturas permanentes e temporárias 4.465 e os campos 11.929.

O principal centro consumidor de seus produtos agrícolas é sua sede, contudo uma parte do café é exportada para outras cidades.

O gado não destinado à produção de leite vai para corte que abastecia a própria cidade e exportava um tanto para São Carlos e Pirassununga. A pesca também é atividade econômica mas a produção é irrisória.

Há um centro industrial que ocupa cerca de 1.900 operários.

Não há planos de instalação de indústrias extrativas mesmo havendo conhecimento da existência de riquezas minerais como o caulim, a argila destinada a produtos cerâmicos e a areia para construções.

Meios de transporte

A Companhia Paulista de Estradas de Ferro liga a cidade a Descalvado, Santa Rita do Passa Quatro, Pirassununga e a São Paulo. Há 20,3 km de trilhos e nestes passam 8 trens todos os dias escoando cargas e passageiros. As rodovias do Estado tem 37,2 km e as do município perfazem 80,6 km. Além disso, 15 km estão em construção no trecho São Paulo – Ribeirão Preto.

Passam cerca de 350 automóveis ou caminhões e pelos assentamentos da Prefeitura Municipal e Delegacia de Polícia o município conta com 54 automóveis, particulares ou de aluguel e 96 caminhões. 11 linhas intermunicipais operam transportando passageiros e pequenas cargas.

Comércio e bancos

95 unidades, dentre elas:

- 31 alimentícias

- 11 fazendas e armarinhos

- 3 louças e ferragens

- 50 outras operando no varejo

Estas faziam transações com São Paulo, Ribeirão Preto, São Carlos, Pirassununga, Araras, Santa Rita do Passa Quatro, Descalvado, Limeira, Tambaú e Santa Cruz das Palmeiras, cidade em que adquire a maior parte das mercadorias com que faz negócio.

Importam tecidos, chapéus, calçados, armarinhos, ferragens, gêneros alimentícios e bebidas.

O setor de crédito é representado pela Agência do Banco Bandeirantes do Comércio S.A. e Caixa Econômica Estadual.

Aspectos urbanos

Está sobre uma planície à margem do Rio Mogi-Guaçu. Possui ruas largas e praças extensas, com 1600 prédios servidos com água encanada, 1527 iluminados à eletricidade, 1054 servidos pela rede de esgoto e 1325 pela remoção de lixo domiciliar. Dos logradouros, 43 são servidos de iluminação elétrica e 36 pela remoção de lixo. Há 40 aparelhos telefônicos instalados no município. A cidade possui 2 hotéis, uma pensão com diária de cerca de Cr$120,00. Um cinema e um serviço de divulgação através de alto-falantes, uma livraria e uma tipografia.

Assistência médico-sanitária

O hospital "Dona Balbina" comporta 24 leitos, 5 farmácias, 3 médicos, 6 dentistas e 6 farmaceuticos.

Há a assitência social na Casa Maternal "Eucharis Fortes Salzano" que consegue abrigar menores do sexo feminino com 50 leitos, coadjuvadas pela Sociedade São Vicente de Paulo e Legião Brasileira de Assistência.

Alfabetização

De acordo com o Censo de 1950, das 6081 pessoas existentes com 5 anos ou mais, 3797 sabiam ler e escrever, correspondendo a 62%.

Ensino - Há 2 grupos escolares e 18 escolas com um total de 1400 alunos matriculados. No jardim de infância, 73 alunos; o ginásio estadual com 158 e a Escola de Artesanatos com 46 alunos.

Aspectos Culturais

Circula na cidade o semanário "O Ferreirense", com textos literários e noticiosos. Funcionam 2 bibliotecas, uma com 300 volumes no Ginásio Estadual e outra com 250 volumes no Grêmio Ferroviário Ferreirense.

Vultos ilustres

Manoel B. Lourenço Filho, educador e literato e Dr. Erlindo Salzano, figura do cenário político da cidade.

Atrações turísticas

Rio Mogi-Guaçu com pesqueiros e ranchos contruídos, alguns com residências de campo.

Outros aspectos do município

A câmara compunha 11 vereadores e os eleitores inscritos até 3 de outubro de 1955 somavam 3043, dos quais 2332 voraram na última eleição, dia 3 de outubro do mesmo ano. O prefeito da época era Sr. Osvaldo da C. Leme.