Terça-feira, 17 de outubro de 2017

ISSN 1983-392X

2016

2006

O Fórum Regional da Penha foi instalado no dia 15 de outubro de 1984, de acordo com a Lei n° 3947/83 do dia 8 de dezembro de 1983.

Juízes que passaram pelo Fórum:

  • Dr. Thyrso José da Silva
  • Dr. Pedro Luiz Ricardo Gargliardi
  • Dr. Percival de Moura Alcântara
  • Dr. Antônio Maria Lopes
  • Dr. Ricardo Santos Feitosa
  • Dr. Itamar Gaino
  • Dr. João Luiz Morenghi
  • Dr. Jurandir de Souza Oliveira
  • Dr. Cláudio Antônio Soares Levada
  • Dr. Pedro Alexandrino Ablas
  • Dr. Fernando Luiz Sastre Redondo



A história conta que um dos fundadores do bairro, por volta de 1660, tinha uma fazenda com uma igreja e um grande curral. Ao local foi dado o nome de Nossa Senhora da Penha.
Esta Santa nasceu na França, nas cercanias de grandes montes. Daí Nossa Senhora do Monte, que no Brasil se tornou Nossa Senhora da Penha, palavra que significa: "massa de rocha isolada e saliente, penhasco ou penedo".

A história da Penha também está marcada por uma lenda. Conta-se que um viajante francês que percorria o Brasil estava em São Paulo e pernoitou na região onde hoje é o bairro. Devoto da Santa, levava sua imagem amarrada a seu cavalo. No dia seguinte, depois de percorrer algumas léguas após sua partida, o viajante deu falta da imagem. De volta ao local onde dormira, encontrou a imagem, colocou-a no alforje e partiu novamente. Horas depois percebeu que a imagem não mais estava com ele. Voltou à Penha e reencontrou a estátua no mesmo lugar. O viajante então concluiu que a Santa escolhera aquele lugar para ficar e ali construiu uma capela em sua homenagem. Essa história, que foi difundida rapidamente, tornou a Capela um local de peregrinação. Lenda ou fato, a história foi muito importante para o desenvolvimento da Penha.

A cidade nascera humildemente, a exemplo do Menino Jesus, numa manjedoura de palha, mas o seu destino, grandioso, já estava traçado.

No recém - criado núcleo, se estabeleceram os descendentes de Tibiriçá e Caiubi. Todavia, ninguém se sentia tranqüilo no nascente povoado, pois todos temiam ataques de surpresa.

Por sua vez, os moradores de Santo André da Borda do Campo vieram para São Paulo de Piratininga, por sugestão de Nóbrega e Mem de Sá.

Os goianos, os carijós e os tamoios, coligados, ameaçavam atacar a qualquer momento a paliçada Planaltina. Porém, os previdentes jesuítas instalaram vários aldeamentos até três léguas "por água e por terra" em pontos estratégicos da Vila, como: Guarulhos, Ururai, Barueri, Pinheiros, Carapicuíba, Itaquaquecetuba. Embu, Itapecerica, etc., que funcionariam como linhas de resistência.

O ataque previsto aconteceu a 9 de julho de 1562. João Ramalho, capitão defensor da Vila, seu sogro Tibiriçá, os guaianases e os portugueses repeliram corajosamente a investida, levando os adversários de vencida.

Sucederam, ainda, outros ataques, como o de 1593 e o último de 1596, sendo novamente os inimigos vencidos. Entre os aldeamentos anchietanos, estava o de Ururai, datando mais ou menos de 1560 e que nasceu como um fortim.

Os silvícolas dessa tribo, subordinados ao cacique Piquerobi, eram guaianases e pertenciam à grande nação Tupi. Eram arregimentados em aldeias. Tinham áreas primitivas. Possuíam títulos concessionários.

Habitavam toda a margem esquerda do Rio Grande, ou seja, Tatuapé, Penha e São Miguel. Portanto, uma das versões é de que o primitivo arraial da Penha, tenha se originado desse aldeamento. Também é apontada a hipótese de ter sido a trilha por onde os altivos filhos de Tibiriçá teriam acesso à Bertioga.

Outra, seria a de ter sido um pouso ameno, aprazível, de onde se descortinava toda a Vila e onde acampavam os bandeirantes que demandavam as "Minas Gerais dos Cataguás". Por ali alcançavam o vale do Paraíba, através da Serra da Mantiqueira, na altura de Lorena. Seria, ainda, o carreador onde tropas de burros ou boiadas transitavam a caminho das feiras de gado.

Naquela época, nas estradas, havia paradas ou pousos obrigatórios, onde os ranchos de tropas se instalavam. Os itinerantes repousavam. As cavalgaduras eram descarregadas e saciadas. Geralmente, esses locais se situavam à beira dos córregos, para dessedentar os tropeiros e seus animais.

Poderia, ainda, justificar a origem do núcleo penhense, a corrida do ouro, no fim do século 16, nos arredores de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, um dos primeiros aldeamentos criados pelos congregados de Santo Inácio de Loiola.

Muitos outros exploradores sucederam a Afonso Sardinha e seu filho, mediante Cartas de Sesmarias e essas propriedades se estendiam até a Penha, onde, perto do riacho Ticoatira, segundo a tradição, existiu ouro.

São hipóteses que poderiam ser aventadas no tocante à formação do povoado. Mas, a versão rigorosamente histórica sobre a origem da Penha, é que desde o Tatuapé às divisas de Guarulhos e São Miguel, estendia-se uma imensa "fazenda com ermida e curral de gado" de propriedade do licenciado Mateus Nunes de Siqueira, adquirida dos sucessores de Francisco Jorge.

A Casa Grande foi construída em 1650, junto ao Córrego do Tatuapé na várzea do Tiête. Constava de um pavimento de chão socado, paredes de taipa de barro, forro de esteiras de taquara e telhas. Rebocada e caiada. Aí se iniciou a fazenda e ao seu redor foram construídas as casas dos colonos. É um dos raros documentos arquitetônicos da história paulistana. Autêntica relíquia do século 17, já tombada pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Subprefeituratístico Nacional. Poderá ser apreciada à Rua Guabijú nº 49, Tatuapé.

Consta que Mateus mandou erguer uma capela no topo da colina, no local onde hoje se situa o Santuário de Nossa Senhora da Penha de França. O povoado, oficialmente, teve começo na segunda metade do século 17, o que é confirmado pela petição abaixo transcrita, que serviu de fundamento à concessão de uma sesmaria feita a 5 de setembro de 1668, pelo capitão-mor Agostinho de Figueiredo.

"Diz o licenciado Mateus Nunes de Siqueira, morador na Vila de São Paulo, que ele suplicante tem uma fazenda com ermida e curral de gado légua e meia desta Vila, na paragem chamada Tatuapé, terras que houve dos herdeiros do defunto Francisco Jorge, e por quanto não tem terras para lavrar e na testada destas terras para o Rio Grande em uma volta que faz o rio tem um pedaço de terra, dentro do qual há algumas campinas, brejais e restingas de mato que se pode lavrar, por isso pede a Vossa Mercê que, como procurador bastante donatário, lha faça mercê dar por sesmaria a terra que pede para maior aumento da capela, havendo também respeito ser o suplicante filho e neto de povoadores e não ter até agora carta de sesmaria; a qual terra correrá de umas Campinas que partem da banda de baixo do ribeirão do Tatuapé, correndo pelo Rio Grande e pela volta que o mesmo faz por uma campina que chamam Itacurutiba até uma aguada que foi o defunto João Leite. E.R.M. Cartório da Tesouraria da Fazenda de São Paulo, Livro 11 de Sesmarias antigas."

Esse é o registro oficial, a certidão de nascimento do bairro da Penha, que dista uma légua e meia ou 8,3 quilômetros do centro da cidade.

Contribuiu notavelmente para esse histórico acontecimento a devoção à Nossa Senhora da Penha de França, que registrada oficialmente um ano antes, já despertara o interesse geral para o lugarejo que se desenvolvia em torno da ermida como casas residenciais, de comércio e pouso.

Em 02 de agosto de 2002, a antiga Administração Regional, passou a ser denominada subprefeitura Penha, em função da Lei n° 13.339 que criou as subprefeituras no município. A partir dessa Lei, a subprefeitura Penha passou a ter apenas 4 distritos na nossa área de abrangência: Distrito Penha, Distrito Cangaiba, Distrito Vila Matilde e Distrito Artur Alvim.
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  • Origem do nome

Devido a Santa Nossa Senhora da Penha.
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  • Personagens

Catarina de Albuquerque

Dona Catarina de Albuquerque nasceu em 1879 na Penha. A casa de Dona Catarina é uma autêntica relíquia histórica, pois foi a primeira casa de tijolos a ser construída na Penha, onde também foi construído o primeiro poço.

Dona Catarina tinha olhos claros, ascendência alemã e fisionomia irradiando angelical bondade. Solteira, brasileira, de prendas domésticas, filha de Joaquim Basílio de Albuquerque e de Dona Guilhermina Nascimento, foi batizada pelo Padre Antônio Benedito de Camargo, então Vigário da Penha.

Teve onze irmãos, sendo hoje quatro, os remanescentes. Ela, a mais idosa. Na sua infância, a Penha não passava de uma Fazenda. Seus bisavós alemães adquiriram uma grande área, que ia do Largo do Rosário até a linha da Central. A rua onde residia era apenas um carreador, onde os tropeiros transitavam.

Seu pai fora administrador de uma Olaria, no atual Tatuapé. Posteriormente, foi um dos negociantes da Freguesia da Penha de França, estabelecido nesse largo do Rosário, com armazém de secos e molhados e armarinho. Outro negociante da época era João Cirino.

Sua família já se notabilizara pela longevidade. Seu pai faleceu com 87 anos e sua mãe com 89 anos, sua idade atual.

Freqüentou a primeira escola pública, onde foi alfabetizada pela professora Dona Laura Machado, casada com o Tabelião Elias Machado. Completou o seu curso primário com a professora Dona Maria Eugênia Nunes Marcondes.

O fato que mais a emocionou foi conhecer de perto o Imperador e a Imperatriz, quando de sua passagem na Penha, a caminho de São Paulo. Ela e suas coleguinhas de primário atiraram pétalas de rosas sobre o casal imperial, quando o mesmo atravessava a nave principal da Igreja Matriz da Penha. Posteriormente, houve um lanche no Palacete dos Rodovalho, do qual guarda inesquecível recordação.

Outra reminiscência infantil é a da bica de Nossa Senhora, onde diz ter havido uma fonte que se situava perto dos Mellúrios, mais ou menos, onde hoje se situa a Rua Frei Germano. Existia outra, na atual Rua Guaiaúna, e ambas abasteciam os moradores do florescente subúrbio.

Portadora de inegáveis dotes de espírito e de coração, Dona Catarina já foi exemplar enfermeira atendendo mais de 1.500 doentes que a procuravam, quando em Penha grassou a fulminante gripe espanhola e orgulhosamente confessa que nenhum de seus assistidos faleceu, em razão de seus cuidados espirituais e materiais.

Na revolução de 1924, sua residência se situava bem ao lado de um rancho de tropas, onde o exército acampava. Ela salvou muitos soldados e oficiais da sede e inanição com sua proverbial generosidade.

Irmãs Vicentinas Externato “São Vicente de Paulo”

Retrocedendo no espaço e no tempo,vamos encontrar a Primeira Missão vicentina no Brasil, em Pernambuco, em 1896.

D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Bispo Metropolitano de São Paulo, depois Arcebispo do Rio de Janeiro e Primeiro Cardeal da América Latina, entusiasmado com a operosidade dessas missionárias, traçou o plano de as instalar em São Paulo.

As Vicentinas vieram a desempenhar brilhantemente a missão que lhes foi confiada pelo Bispo Metropolitano, dirigindo e educando as orfãzinhas.

Empolgado e agradecido pelo êxito das Irmãs, deu a essa instituição o nome de : Casa Pia de São Vicente de Paulo – Irmãs de São Vicente de Paulo. A Congregação Vicentina – Casa Matriz – nascera na Bélgica, no subúrbio de Gysegem, em 1818, num castelo dos Barões de Gysegem, fundadores da novel agremiação. A princípio, os fidalgos ergueram uma escola para crianças pobres do subúrbio, ensinando francês e flamengo.

As Servas dos Pobres de Gysegem seguiram os admiráveis princípios da Regra Vicentina e a Comunidade consolidou-se e expandiu-se em muito poço tempo. Mas havia o desejo de se instalar um Noviciado, e este surgiria na Penha.

Escolhido o local, junto à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Padres Redentoristas, originários da Baviera, instalou-se a Casa de Formação ou Noviciado, isto é, a Casa Provincial da Congregação, sob a eficiente direção da saudosa Madre Maria Hermeta. Era o dia 11 de março de 1907.

Nesse local, residira por longos anos o professor público da Penha, Celestino José de Oliveira, que fora nomeado pelo Presidente da Província, Dr, Joaquim Octávio Nebias, a 22 de outubro de 1852.

Depois de uma reforma substancial no prédio, ali também residira Luis Joaquim de Castro Carneiro Leão, que, em setembro de 1871, era nomeado, pelo Governo Imperial, Brigadeiro Diretor Geral dos Índios da Antiga Província de São Paulo.

Posteriormente, vieram as Irmãs. Em abril de 1907. O bairro da Penha era muito pobre. Não havia escolas oficiais nem particulares. Surgiu a idéia de iniciar uma escola primária sem fins lucrativos. Assim nascia o Externato São Vicente de Paulo. Inicialmente, com duas aulas. Uma para meninos e outra para meninas. A sua finalidade era tríplice: ensinar às crianças a doutrina cristã e as primeiras letras, dar às noviças a possibilidade de praticar o ensino mediante módica mensalidade, insignificante mesmo, auxiliar a parte financiada da Casa. Em 1912, houve a necessidade de ampliar o prédio, já insuficiente tanto na parte destinada às salas de aula, como na parte habitada pelas Irmãs. Em 1927, foram construídas mais quatro salas de aula, obedecendo em tudo às exigências pedagógicas.

Em 1936, foram demolidas as três salas mais antigas e erguido um edifício mais amplo, comportando uma área coberta e quatro amplas salas de aula ocupadas pela seção masculina do curso primário fundamental. Em 1938, o prédio não comportava mais o número de alunos e foram construídas mais seis salas de aula e mais uma área coberta. Posteriormente, foi criado o curso ginasial – primeiro ciclo. Foi aprovado pela Portaria Ministerial nº 4 de 8 de janeiro de 1949. Nesse mesmo ano de 1949, realizou-se a última reforma do prédio. Parcialmente demolido, deu lugar ao majestoso edifício que se ergue na Praça Nossa Senhora da Penha, nº. 161, ocupando três quartos de um quarteirão, formando um conjunto arquitetônico, motivo de grande orgulho para os penhenses.

Em 1951, foi criado o Curso Normal. O Externato “São Vicente de Paulo” é pessoa jurídica de direito privado, constituído, dirigido e administrado pelas Irmãs de São Vicente de Paulo. A primeira Diretora foi a saudosa Madre Maria Hermeta. A atual é a Irmã Maria Sofia, no século, Nancy Paz de Pádua.

Atualmente, o Externato conta com 1836 alunos, assim distribuídos: - Primário masculino 483; primário feminino 664; admissão 118; ginásio 466 e normal 105.

A fanfarra do colégio é uma das mais famosas da Capital, tendo sido várias vezes premiada em desfiles.

As Irmãs Vicentinas nesses sessenta e um anos já deixaram através de gerações de infantes e adolescentes que ensinaram, a sua nobilitante missão educativa e catequética, aliás, notória em todas as cidades, estando, portanto, ligadas ao desenvolvimento do operoso bairro da Penha de França.

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  • Locais históricos

Cine Penha

O mais antigo cinema do bairro é o Cine Penha, fundado em 1926. Há longos anos, a propriedade vem se mantendo nas mãos da mesma família. Só o nome mudou. Hoje é “Penha Príncipe”.

O gerente José Sante Ciongolli, conhecido como o popular Zezinho, sempre explorou o ramo cinematográfico, seu grande ideal. O seu primeiro cinema foi na Casa Verde. Era o Dom José. Depois veio o cine Tupi, no Taboão. Em 1955, associou-se à Empresa Cinematográfica São Jorge. Mais tarde adquire o Penha Príncipe, ex-Cine Penha, da Empresa Sul Limitada.

A conhecida casa de espetáculos, que, por muitos anos, foi o único cinema do bairro, como um velho soldado, cheio de gloriosas cicatrizes, que são as diversas reformas por que já sofreu, ainda vem mantendo um alto nível de freqüência , qual seja o de ser preferido pela população mirim.

As duas gerações que acompanharam o Cine Penha de ontem ou o Penha Príncipe de hoje, são unânimes em considerá-lo um local de agradável entretenimento, um autêntico oásis refrescante na vida laboriosa dos penhenses.

O Cine Penha foi o primeiro exibidor cinematográfico do bairro, remontando suas origens ao ano de 1926.

O Penha Príncipe é o antigo Cine Penha, totalmente remodelado. A sua projeção e sonoridade são perfeitas. Foi adquirido da Empresa Cinematográfica Sul Limitada. Está situado à Avenida Penha de França 345.

Biblioteca da Penha

Em Novembro de 1970 era inaugurada a Biblioteca da Penha, hoje Biblioteca Guilherme de Almeida, num prédio projetado para ser uma “Casa de Cultura” com teatro, bibliotecas, sala de jornais e revistas, etc. Em 1972, depois de uma reforma de adaptação (o projeto original era de um auditório) era inaugurado no mesmo prédio o Teatro Martins Pena.

Estação de ferro da Penha



A estação da Penha foi inaugurada com o ramal da Penha,em 1886. Este ramal saía de um ponto a 7,7 km da estação do Norte (Roosevelt), exatamente no ponto onde, em 1894, portanto oito anos mais tarde, seria construída a estação de Guaiaúna - mais tarde renomeada como Carlos de Campos - e acompanhava as atuais ruas Irapucara e General Sócrates, terminando na esquina desta rua com a Coronel Rodovalho, onde ficava situada a estação, hoje já demolida.

É sabido com base em documentação da época que, a cerca de 300 metros à frente da saída do ramal, existia uma "paradinha", cujo nome teria sido Parada Amândio, ou Parada Armando, que era um barraco de madeira que, com a abertura do ramal, foi removida de onde estava e recolocada no final do ramal da Penha, dando origem à estação da Penha. Essa parada, porém, era chamada de Penha, mesmo, pelo guia de horários de 1887 que mostrava os trens São Paulo-Cachoeira. Seria essa a Parada Amândio ou o trem entraria pelo ramal e sairia, voltando à linha? Aberto o tráfego com 6 trens de subúrbio entre as estações do Norte e da Penha em agosto, em dezembro foi interrompido o tráfego - a ponte sobre o córrego que ele cruzava logo após sair da linha da, na época, E. F. do Norte, caiu.

Supõe-se que, com o alargamento de bitola do ramal de São Paulo, que foi terminado em 1908, o ramal da Penha também tenha tido sua bitola alargada, pois não há indicação nos horários posteriores a 1908 de baldeação em Guaiaúna. Logo reconstruída, seguiram os trens até, pelo menos, os anos 1910. Estes teriam sido os primeiros trens de subúrbio a existirem em São Paulo. É certo que, pelo menos até a segunda década do século XX, os trens de subúrbio da Central do Brasil faziam o percurso Norte (Roosevelt)-Guaiaúna-Penha, sem seguir para Mogi. Em 1925, porém, segundo os guias, já não existia mais este trem, e os subúrbios faziam apenas o percurso Norte-Mogi.

O mapa viário da cidade de São Paulo de 1924 não mostra mais a linha do ramal da Penha, enquanto o mesmo mapa dos anos 1910 mostra claramente a linha e a estação. Alguns afirmam também que após o seu final continuavam a existir trens especiais nos dias de romaria para a igreja da Penha, próxima à estação. Note que no mapa abaixo a atual rua Guaiaúna se chamava rua Lins de Vasconcelos, e a rua General Sócrates, rua da Estação. A curva do ramal é hoje a rua Irapucara. Também a estação Agente Cícero, aberta em 1951 e fechada nos anos 1970 e que ficava na variante de Poá, era chamada de estação Penha da Variante pelos usuários, mas nada tinha a ver com a estação do ramalzinho. Parece que a designação era para diferenciar uma da outra, visto que elas parecem ter coexistido por algum tempo. Nos últimos tempos do ramal parte dele teria sido utilizado para transporte e lavagem de vagões de gado.

Histórico da Linha: Este curto ramal, com 1240 metros de extensão, foi aberto em 1886 e teria durado até os anos 1950 ligando a estação de Guaiaúna, depois Carlos de Campos, à estação da Penha, para atender os romeiros que se dirigiam à igreja do bairro da Penha, em São Paulo. Dele hoje nada restou.

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  • Curiosidades

A Padroeira da Cidade

As tradicionais festas de Nossa Senhora da Penha, sempre constituíram um dos grandes atrativos do pitoresco bairro, tanto no passado como no presente.

Ninguém pintou com colorido tão expressivo os festejos penhenses em homenagem à Nossa Senhora, como Jacob Penteado.

Na Avenida Celso Garcia, havia o interminável desfile de carros de todos os tipos, que passavam apinhados de gente rumo ao Santuário de Nossa Senhora da Penha de França.

Os caminhões enfeitados de bambus, onde estavam presas bandeirolas multicores, lanternas venezianas e chinesas que, ao regressar dos romeiros, à noite, voltavam acesas, iluminando os veículos.

A comemoração realizava-se no dia 8 de setembro, dia da Natividade de Nossa Senhora. Além dos caminhões, passavam carroças e carros de boi, coberto com folhagens, colchas e estandartes, de gente que vinha de longe, viajando dias e dias, pousando nos próprios veículos fazendo mil sacrifícios, para não perder a festa.

Da cidade mesmo, de bairros longínquos, muitos iam a pé em cumprimento a promessas. Os romeiros passavam cantando alegremente, tocando sanfona, viola, cavaquinho e instrumentos de percussão.

Nos arredores da Igreja se situavam as barracas de guloseimas, desde pastéis, empadas e sanduíches até paçoca, pipoca, espiga, batata doce assada e uma infinidade de doces caipiras. A quermesse era bem movimentada e grande era a procura de santinhos e medalhas que, depois, os devotos levavam para o vigário benzer.

Até hoje é revivida, anualmente, essa piedosa tradição, cessando, todavia, o lado profano, pitoresco ou quiçá grotesco, destacando-se evidentemente o caráter religioso da festiva efeméride. A Imagem era transladada com suas jóias e alfaias, com grande acompanhamento popular desde a Penha até a Catedral.

O velho costume português da visita de Nossa Senhora da Penha de França à Catedral da Sé foi regularmente mantido até 1875, quando foi interrompido.

Embora Nossa Senhora da Penha de França não tenha sido oficialmente declarada pela Santa Sé, nossa Padroeira, indiscutivelmente, pela tradição secular e pela devoção popular, é cognominada até pelas autoridades eclesiásticas - Padroeira da Cidade de São Paulo.

Capital por um dia

Há vários fatos curiosos sobre a história da Penha. Os livros de história escolares não devem retratar este episódio, mas é fato que o presidente da província de São Paulo conduziu por alguns dias seu governo de um posto policial no Largo do Rosário. Durante a Revolução de 1924, com o centro de São Paulo tomado pelos rebeldes, Carlos de Campos refugiou-se na Penha sob a proteção do exército legalista. O bairro era considerado estratégico e seguro por estar localizado 800 metros acima do nível do mar.

Foi denominada subprefeitura Penha em 2002. E Fórum Regional da Penha em 1984.