Segunda-feira, 25 de setembro de 2017

ISSN 1983-392X

2010

A comarca de Jacuí foi criada pela lei 11, de 13 de dezembro de 1891. A lei estadual 375, de 19 de setembro de 1903, mandou suprimi-la, dando-se, entretanto, a extinção somente a 28 de outubro de 1907. Em virtude, porém, da lei estadual 663, de 18 de setembro de 1915, foi restaurada a referida comarca.

Nos quadros de divisão territorial, datados de 1936 e 1936 e no anexo ao decreto-lei estadual 88, de 30 de março de 1938, compõe-se Jacuí de um termo judiciário único: o de igual nome, formado pelo município de Jacuí.

Idêntica situação se verifica nas divisões judiciário-administrativas do Estado, estabelecidas pelos decretos-leis estaduais números 148, de 17-XII-1938, e 1.058, de 31-XII-1943 e 1944-1948, notando-se, porém, que, na última divisão, o termo de Jacuí é formado pelo município de Jacuí e pelo recém-criado São Pedro da União.

Igual situação verifica-se nas divisões territoriais judiciário-administrativas, em vigor no quinquênio 1949-1953, e para vigorar no período de 1954-1958, estabelecida esta pela lei estadual 1.039, de 12 de dezembro de 1953.

Juízes da comarca de Jacuí à partir da década de 1970

José Rafael Gontijo
Newton Leão
José Antonio de Faria
Francisco Eclache Filho
José Fiuza Mendes
Fábio Garcia Macedo Filho
Marcos Francisco Pereira
João Batista Mendes Filho
Auro Aparecido Maia de Andrade
Flávio Catapani
Marcos Antonio Hipólito Rodrigues
Lúcia Regina Vertuan Freschi Landgraf
Fábio Gameiro Vivancos – Atual

Promotores de Justiça à partir da década de 1970

José de Assis Pereira
Cláudio de Barros Pinheiro
Maria Eliselda Francisco
Júlio César da Silva
Amable Lopes Soto
Carlucio Fleurs Dias
Alexandre Libero Baroni
Emilio Carlos Walter
Marcelo Marquesani
Marisol Lopes Mouta
Rodrigo Colombini - Atual

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Denominações anteriores : São Pedro de Alcântara do Jacuhy, São Carlos de Jacuí

Data da Fundação : 19 de julho de 1814

Na década de 1750, durante Ciclo do Ouro, o território de Jacuí era explorado pelos bandeirantes e viveu, por alguns anos, preso ao controle e à exploração clandestina, o que acabou permitindo a abertura das primeiras trilhas destinadas ao abastecimento de alimentos e ao escoamento do ouro no então povoado.

Em 24 de setembro de 1764 "São Pedro de Alcântara do Jacuhy" foi integrado à racionalidade administrativa burocrática e fiscal da Capitania de Minas Gerais, graças à presença do então governador Luiz Diogo da Silva, que nomeou uma guarnição militar para controlar as atividades de mineração. Comandados por funcionários da coroa portuguesa, os militares eram responsáveis, entre outras coisas, pela permuta do ouro em pó por barras cunhadas e pela cobrança do quinto.

O território de "São Pedro de Alcântara do Jacuhy" foi elevado à condição e status de "Vila de São Carlos de Jacuhy" por Alvará Régio de 19 de julho 1814, consolidando a sua emancipação política e administrativa. No ano seguinte, em decorrência de rivalidades políticas, a sede do município é transferida para São Sebastião do Paraíso. Em 1881, o município é restaurado como cidade-sede. Finalmente, em 1923, seu nome é reduzido para Jacuí..

Quando o ouro da região ficou escasso, conseqüência do grande extrativismo, a população se viu sem sustento. A saída para fugir da fome, foi estabelecer plantações, especialmente, de gêneros alimentícios. Mas, a aspereza dos caminhos e as dificuldades de escoamento da produção limitaram as atividades agrícolas, que acabaram restritas à produção para a subsistência ou, no máximo, para uma circulação regional.

Em 1880, a economia local obteve um novo fôlego graças ao cultivo do café "ouro negro", escoado em carros de bois ou sob o lombo das tropas para a estação de Mococa, para dali seguir até o Porto de Santos, seu destino final. Pela mesma rota, chegavam a Jacuí produtos de São Paulo e do Rio de Janeiro, que abasteciam o comércio local.

A região possui uma rica tradição folclórica, como as Folia de Reis, Congadas e, principalmente, os Caiapós, que representam uma tradicional festa, na qual a união das tradições religiosas da fuga da Sagrada Família para o Egito é apresentada por figurantes trajados com indumentárias indígenas, mas armados com espadas de guerreiros brancos.

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Origem do nome

Indígena. Iacu-i, significa rio dos Jacus, um tipo de ave muito encontrada na região. Ou ainda i-acui, que significa rio enxuto, temporário.

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Locais históricos

Ruínas Históricas

Localizada a aproximadamente dois quilômetros da cidade, em propriedade particular, as ruínas são vestígios da moradia implantada por policias, que controlavam as atividades da mineração e os caminhos que por ali passavam.

Existem ruínas de quatro grandes muralhas que convergem, no alto, para o conjunto principal de edifícios, incluindo três cômodos, uma área cercada, uma escada de acesso, duas áreas adjacente e uma mina, onde os barrancos eram desmanchados, lavando-se e bateando-se o cascalho à procura do ouro.

As ruínas foram descobertas no ano de 2003 e, desde então, pesquisas e estudos vem sendo realizados no local.

Árvore da Forca

A "Árvore da Forca" era o local de execuções das sentenças judiciais da Comarca de Jacuí, intitulado pelos moradores como "Cabeça de Julgado da Província de Minas Gerais".

Em histórias passadas de geração para geração, contam os moradores mais antigos, que naquela época, antes da sentença ser executado os guardas levavam os prisioneiros a um passeio pela cidade, lhe davam o que ele quisesse comer e beber, lhe ofereciam um tratamento digno de últimos suspiros e quando o prisioneiro se acostumava com a boa vida, o levavam para a forca.

A arvore já morreu e hoje um jardim com monumento de correntes foi construído, um quarteirão abaixo do fórum, para representá-la.

Casa da Cultura


Antigo fórum e cadeia pública, a atual "Casa da Cultura" é uma construção do século XVIII, restaurada e preservada nos mínimos detalhes, abriga hoje, exposições que mostram a história dos jacuienses e o variado artesanato da cidade.

Igreja Matriz de Jacuí

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Curiosidades

O fórum é sondando/rodeado por um misticismo, pois, foi edificado na região de um antigo cemitério. Na época da construção foram encontradas ossadas, gerando preocupação e medo nos funcionários do fórum.

Dizem as línguas jacuienses que na década de 90 um promotor que pela cidade passou, era muito medroso e preocupado com "espíritos e coisas do além". Um dia ele trabalhou até mais tarde, e como seu gabinete ficava no andar superior, ele teve que descer uma escadaria para ir embora e quando trancou o gabinete e olhou para escada viu dois olhos brilhantes. Sem saber o que fazer, medroso não sabia se ia, se ficava, se dormia no fórum, depois de muito escândalo resolveu pelo mais simples, ascendeu a luz e viu que aqueles olhos eram de uma grande coruja, que provavelmente entrou pela janela e ficou no corrimão da escada.

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Em 1950, de acordo com os dados do censo, a população se distribuía da seguinte forma:

LOCALIZAÇÃO

POPULAÇÃO PRESENTE (1/7/50)

Homens

Mulheres

Total

Números absolutos

% sobre o total geral

Sede

836

989

1.825

9.32

Vila de Santo Antônio do Jacinto

366

403

769

3.92

Quadro rural

8.684

8.296

16.980

86.76

TOTAL

9.886

9.688

19.574

100.00

De acordo também com o recenseamento de 1950, a população de dividia nos seguintes ramos de atividade:

RAMO DE ATIVIDADE

POPULAÇÃO PRESENTE DE 10 ANOS E MAIS


Homens


Mulheres


Total

Números absolutos

% sobre o total geral

Agricultura, pecuária e silvicultura

4.949

152

5.101

40.61

Indústrias extrativas

10

___

10

0.07

Indústria de transformação

156

3

159

1.26

Comércio de mercadorias

168

1

169

1.34

Comércio de imóveis e valores imobiliários, crédito, seguros e capitalização


___


___


___


___

Prestação de serviços

108

183

291

2.31

Transporte, comunicações e armazenagem

37

1

38

0.30

Profissões liberais

4

1

5

0.03

Atividades sociais

14

16

30

0.23

Administração pública, Legislativo e Justiça

24

___

24

0.19

Defesa nacional e segurança pública


5


___


5


0.03

Atividades domésticas não remuneradas e atividades escolares discentes


248


5.633


5.881


46.83

Condições inativas

681

174

895

6.80

TOTAL

6.404

6.164

12.568

100.00

A produção agrícola no município, em 1955, foi expressa pelos dados constantes da seguinte tabela:

CULTURAS AGRÍCULAS

ÁREA (ha)

PRODUÇÃO

VALOR

Unidade

Quantidade

Cr$

% sobre o total

Feijão

240

Saco 60 kg

2.730

8.828

48.17

Mandioca

660

Tonelada

9.620

6.013

32.79

Milho

520

Saco de 60 kg

6.100

1.556

8.48

Outras

193

___

___

1.937

10.56

Total

1.613

___

___

18.334

100.00

Quanto a pecuária, a situação dos rebanhos no município, em 1955, era a seguinte:


REBANHOS

NÚMERO DE CABEÇAS


VALOR

(Cr$ 1.000)

% sobre o total

Asininos

400

480

0.44

Bovinos

52.000

83.200

77.57

Caprinos

250

38

0.03

Equinos

1.600

2.400

2.23

Muares

1.500

3.000

2.79

Ovinos

1.200

180

0.16

Suínos

22.500

18.000

16.78

Total

___

107.298

100.00

A organização industrial pode ser conhecida pelos seguintes dados, relativos a 1955:

TIPOS DE INDÚSTRIA

Nº de estabelecimentos

Pessoal empregado

CAPITAL EMPREGADO

Cr$ 1.000

% sobre o total

Indústria extrativista mineral


13


36


146


22.42

Indústria de transformação e beneficiamento dos produtos agrícolas



49



122



425



65.80

Indústria manufatureira e fabril


9


25


80


12.28

Total


71


183


651


100.00

Meios de transporte

O território municipal é cortado por 68 km de estradas de rodagem, sob a administração municipal. Em 1955, foram registrados os seguintes veículos na Prefeitura local: 7 automóveis, 10 camionetas, 10 caminhões.

Comércios e bancos

Conta a população do município com 9 estabelecimentos comerciais varejistas dos quais 5 situados na sede. Dispõe também de 2 correspondentes bancários.

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