Quarta-feira, 22 de maio de 2019

ISSN 1983-392X

Gramatigalhas

por José Maria da Costa

Para eu ler

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

dúvida do leitor

A leitora Amanda Maia envia ao Gramatigalhas a seguinte mensagem :

"Está correto falar: 'Fulano pediu para mim fazer isso'?".

Também o leitor Eduardo Batista de Oliveira envia a seguinte indagação :

"Eu utilizo 'mim' ou 'eu' na frase: 'É fácil para __ trabalhar aqui'? Vi esta frase em duas apostilas de concursos e cada uma dava uma resposta diferente! Obrigado!"

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Para eu ler

1) Uma leitora indaga se está correta a seguinte frase: "Fulano pediu para mim fazer isso". Outro leitor pede como se deve complementar a lacuna da frase: "É fácil para ___ trabalhar aqui".

2) Em frases como "Ela trouxe os autos para eu ler", a preposição não está regendo o pronome eu, mas o verbo ler, motivo por que a ligação sintática é "Trouxe os autos para ler", e não "Trouxe os autos para mim".

3) Observe-se, assim, o uso adequado e correto do pronome nos exemplos seguintes: a) "Trouxe os autos para mim" (correto); b) "Trouxe os autos para mim ler" (errado); c) "Trouxe os autos para eu ler" (correto); d) "Para mim, ler os autos é tarefa demorada" (correto); e) "Para eu ler os autos, preciso de umas duas horas" (correto).

4) Em casos dessa natureza, significativo é o lembrete de Luiz Antônio Sacconi: "não aparecendo verbo posposto, claro está que o pronome já não será sujeito".

5) Anote-se, todavia, que a existência de verbo no infinitivo não é necessariamente um sinal de que o pronome seja seu sujeito, fato esse que se comprova com a própria alteração de ordem dos termos da oração. Exs.: a) "Para mim, ler os autos é tarefa demorada" (correto); b) "Ler os autos é tarefa demorada para mim" (correto).

6) Em complementação a esse aspecto, atente-se à oportuna observação de Édison de Oliveira de que, "às vezes, por troca de ordem, o infinitivo, que não devia estar após esses pronomes, acaba por ocupar essa posição e, nesse caso, mantêm-se as formas mim e ti". Ex.: "Para mim ir ou ficar não faz diferença" (= "Ir ou ficar não faz diferença para mim").

7) Com essas observações, confiram-se a formas corretas dos exemplos das indagações: I) "Fulano pediu para eu fazer isso"; II) "É fácil para mim trabalhar aqui"; III) "Para mim, é fácil trabalhar aqui".

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Manual de Redação Jurídica
José Maria da Costa

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.