Domingo, 22 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

Gramatigalhas

por José Maria da Costa

Feiúra ou Feiura?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

dúvida do leitor

O leitor Caio Gracco de Souza e Silva envia a seguinte mensagem ao Gramatigalhas:

"Que história é essa de não mais acentuar a palavra feiura após as recentes alterações em nosso sistema de escrita?"

envie sua dúvida


Feiúra ou Feiura
?

1) Com o Acordo Ortográfico de 2008, é pertinente a dúvida seguinte: continua ou não o acento no mencionado vocábulo.

2) Antes da recente reforma ortográfica, acentuavam-se o i e o u tônicos, desde que (i) formassem hiato com a vogal anterior (ou seja, estivessem os sons vocálicos em sílabas distintas) e (ii) estivessem sozinhos ou (iii) seguidos de s na mesma sílaba.

3) Assim: a) sa-í, sa-í-da, ba-ú, sa-ú-de (sozinhos na mesma sílaba; b) pa-ís, sa-ís-te, ba-ús, ba-la-ús-tre (seguidos de s na mesma sílaba). Porém: a) sa-ir, sa-ir-des, Ra-ul, de-mi-ur-go (seguidos de outra letra, que não s, na mesma sílaba).

4) Também se ensinava que essa regra não valia quando a sílaba seguinte começava por nh: ba-i-nha, ta-i-nha.

5) Pois bem. Em um primeiro lembrete, o Acordo Ortográfico de 2008 observa que recebem acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo: Piauí, tuiuiús.

6) Em segundo lembrete, anota que não recebem acento agudo palavras paroxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo decrescente: feiura, baiuca.

7) A única explicação plausível para essa atitude do Acordo Ortográfico de 2008 talvez seja a vontade da reforma de diminuir o mais possível o emprego dos acentos gráficos e outros sinais diacríticos.

8) Mas a abolição do acento, no caso, significou uma exceção sem justificativa real, em determinação que veio mais para confundir do que para simplificar.

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Manual de Redação Jurídica
José Maria da Costa

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.