Segunda-feira, 14 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Gramatigalhas

por José Maria da Costa

Regras gerais de crase

quarta-feira, 15 de abril de 2009

dúvida do leitor

A leitora Silvana Rodrigues dos Santos envia a seguinte mensagem ao Gramatigalhas:

"Como faço uma síntese do assunto crase?"

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Regras gerais de crase

1) É a fusão de duas vogais idênticas.

2) Seu aspecto mais importante é o caso de fusão da preposição a com os artigos femininos e pronomes demonstrativos a ou as (resultando à e às). E o acento grave tem hoje por função única em Português representar a existência da crase.

3) Duas regras básicas são de grande utilidade.

4) Por primeiro, quando se trata de saber se ela existe antes de um substantivo comum feminino, o melhor é substituir mentalmente, na frase, tal substantivo feminino por um correspondente masculino; se, com essa substituição, aparece ao ou aos no masculino, há crase no feminino.

5) Assim, diz-se "Vou à cidade", porque, no masculino, se fala "Vou ao campo".

6) De semelhante modo, "Ficaram junto à porta", porque "Ficaram junto ao portão".

7) Diz-se, todavia, "Encontrei a menina", porque se fala "Encontrei o menino"; e também, "A paz une as nações", porque "A paz une os povos".

8) Uma segunda regra geral para utilização da crase concerne aos nomes próprios de localidades.

9) Nessas hipóteses, quando um nome de localidade vem precedido de um a, alguns aspectos devem ser analisados: I) Verifica-se, de início, se a palavra que precede esse a exige a preposição a. II) Se essa palavra precedente não exige tal preposição, não há crase; assim, por exemplo, "Visitei a Bahia" (o verbo visitar é transitivo direto e não exige complemento precedido de preposição — quem visita, visita algo ou alguém). III) Se, porém, a palavra precedente exige a preposição a, deve-se continuar o raciocínio, trocando-se mentalmente a preposição da frase por outra diferente (o que se consegue, muitas vezes, trocando o próprio verbo, como ir por voltar). IV) Se, operada essa troca, surge, na combinação, um artigo feminino, então há crase no exemplo originário; assim, diz-se "Vou à Bahia", porque se fala "Volto da Bahia". V) Se, porém, feita a troca, não surge, na combinação, artigo algum, então não há crase; assim, diz-se "Vou a Roma", porque se fala "Volto de Roma".

10) Em tais casos de nomes de localidades, simbolizando no verbo ir todos aqueles que exigem construção com a preposição a, pode-se memorizar a questão com a seguinte quadra: "Se vou a e volto da, / Nesse caso crase há; / Se vou a e volto de, / Usar crase, para quê?".

11) Além dessas regras gerais, também há casos de crase obrigatória e outros de crase proibida.

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Manual de Redação Jurídica
José Maria da Costa

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.