Segunda-feira, 20 de maio de 2019

ISSN 1983-392X

Migalaw English

por Luciana Carvalho Fonseca

Os modos de tradução e interpretação

segunda-feira, 28 de setembro de 2009


Os modos de tradução e interpretação

São diversos os modos de tradução e interpretação. Em muitos casos, a diversidade de termos dá margem a uma certa confusão terminológica e falantes acabam produzindo sintagmas como tradução simultânea – que não é, como veremos abaixo, o termo adequado. Por essa razão e a fim de elucidar os principais modos de tradução e interpretação, oferecemos a breve descrição abaixo:

1. Tradução – A tradução é um processo de mediação linguístico-cultural realizado por meio escrito por profissional denominado tradutor. Ela pode ser simples ou juramentada e divide-se em:

a. Tradução propriamente dita – realizada na direção da língua estrangeira para a língua materna

b. Versão – realizada na direção da língua materna para língua estrangeira.

2. Interpretação – Processo de mediação linguístico-cultural realizado por meio oral por profissional denominado intérprete. Possui duas categorias principais – simultânea e consecutiva – que, por sua vez, também apresentam subdivisões.

a. Consecutiva – realizada sem o auxílio de equipamentos. Reflete diretamente na duração do evento, pois uma palestra de uma hora, por exemplo, será interpretada em período semelhante.

i. interpretação consecutiva tradicional – realizada após o intérprete escutar a íntegra ou um trecho significativo do discurso do orador. Utilizada em eventos formais. Era o modo tradicionalmente adotado pela Liga das Nações e antes do advento da interpretação simultânea.

ii. interpretação consecutiva intermitente – realizada após o intérprete escutar um ou poucos períodos do discurso do orador. Também chamada de interpretação sentence-by-sentence ou ping-pong. Trata-se de modo mais dinâmico que permite maior interação entre o orador e o público-alvo de sua fala. Modo empregado em conference calls, reuniões ou treinamentos com público reduzido.

b. Simultânea – realizada com ou sem o auxílio de equipamentos. A interpretação não é propriamente simultânea, mas, ao contrário da consecutiva, o intervalo entre a fala e a interpretação (décalage) é tão pequeno (de poucas palavras) que fez com que este modo fosse qualificado simultâneo. Permite que a fala do orador e a interpretação se encerrem praticamente ao mesmo tempo refletindo, positivamente, na duração do evento. Subdivide-se em:

i. interpretação simultânea tradicional – realizada, em regra, por dois intérpretes, para um grande público, com auxílio de equipamentos de som, cabine de vidro, microfones etc. Este modo de interpretação ganhou espaço no pós-guerra e foi empregado nos Julgamentos de Nuremberg devido ao número de línguas em questão: francês, inglês, russo e alemão. Caso fosse utilizada apenas a interpretação consecutiva, os julgamentos teriam tido o dobro da duração. A partir de Nuremberg, esse modo de interpretação passou a ser adotado pela ONU e hoje é o mais comum e amplamente empregado em congressos, palestras, simpósios etc.

ii. interpretação simultânea sussurrada – realizada ao pé-do-ouvido do receptor, em voz baixa, para um ou dois ouvintes. Também conhecida por whispering ou chuchotage.

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Luciana Carvalho Fonseca

Luciana Carvalho Fonseca é professora doutora do Departamento de Letras Modernas (DLM) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e da pós-graduação em Tradução (TRADUSP). Fundadora da TradJuris - Law, Language and Culture e autora dos livros "Inglês Jurídico: Tradução e Terminologia" (2014) e "Eu não quero outra cesárea" (2016).