Segunda-feira, 16 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

"Em que tempos sombrios vivemos! Operadores do Direito veem a público discriminar as mulheres pelo simples fato de serem mulheres! Recentemente uma desembargadora Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul absolveu o réu em ação penal sob o argumento de que a vítima - mulher - que alegava ter sido estuprada pelo réu, motorista de aplicativo - por estar embriagada não poderia ser colocada na posição de vítima. Ministro da Justiça publica em rede social que as mulheres são vítimas de violência porque os homens sentem-se por elas intimidados. Promotor de Justiça membro do Ministério Público de São Paulo, na mesma onda de despautério publica em grupo de rede social comentário desrespeitoso referindo-se que muito se trabalha para beneficiar as mulheres e nada se faz para exigir delas comportamento decente. Mulheres advogadas, em especial, são discriminadas nas dependências dos fóruns logo na entrada, caso o guardião da portaria julgue que as vestes não são condizentes. Juiz em audiência no Estado do Ceará refere-se à advogada como desqualificada e imatura. E assim, seguem-se muitos outros episódios a exemplificar o desrespeito às mulheres, muitos deles aqui narrados por este vibrante e festejado rotativo. Em pleno século 21, nós mulheres somos diariamente achincalhadas, menosprezadas, vitimadas, somos alvos de declarações e comentários espúrios e misógenos vindo de todas as direções, até mesmo de onde se esperava a maior proteção e repúdio a tais ocorrências: Membros de instituições que operam o Direito! Deveriam dar o exemplo, recriminar tais condutas, zelar pelo bem maior que é o Direito, replicar ações de suporte e combate a atos de violência contra a mulher e não agir com tamanha nequícia, obnubilando ou fazendo ouvidos moucos ao clamor pela Justiça e igualdade de direitos daquelas que sofrem ou sofreram algum tipo de violência. No ano em que comemora-se 13 anos da 'Lei Maria da Penha' cabe aqui um retórico questionamento: O quê, nós mulheres, temos a comemorar? Não podemos ser subestimadas pelo simples fato de sermos quem somos. Mulheres. Lutar por igualdades de direito, zelar pelo bem estar, pautar suas ações com dignidade e respeito é dever de todos e o exemplo deve vir mormente daqueles que operam o Direito."

Luciana Araújo Carvalho - 14/8/2019

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