Segunda-feira, 23 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Política & Economia NA REAL n° 126


G-20 e a realpolitik

Esqueçam a linguagem diplomática dos sorridentes líderes dos 20 países mais ricos do mundo depois da reunião. Tudo um jogo de cena. De fato, a reunião foi um retumbante fracasso. Não pode haver diálogo quando os interesses ao redor da mesa de negociação são muito distantes um do outro e os pontos comuns insuficiente para engendrar aproximações múltiplas e contínuas. O que vai valer é o poder de cada um. A velha realpolitik. Os EUA vão tentar se ajustar realizando um ajuste cambial via injeção de liquidez e o resto do mundo vai ter de implementar, digamos, "políticas compensatórias". O resto é balela.

Quem viveu, viu

Nos tempos do "Consenso de Washington", o corolário de recomendações neo-liberais dos anos 90 e início desta década, pronunciar algo que estivesse relacionado com controles de capitais era levado à inquisição perante os políticos, os formadores de opinião, a mídia e assim por diante. Pois bem : em última instância será o controle de capitais o instrumento para minimizar qualquer variação maior na relação entre as taxas de câmbio das principais moedas. Não há outro instrumento disponível para tanto. Estamos no século XXI.

Crédito e Capitais

Há uma certeza diante da perspectiva de que sejam adotados controles à entrada de recursos externos no país : a disponibilidade de crédito será menor. Com isto as taxas de juros dos financiamentos subirá e haverá contração do tamanho das carteiras de crédito dos bancos. Dois riscos relevantes deste processo, além da queda da atividade econômica : (i) aumento da inadimplência com efeitos negativos sobre os balanços das instituições financeiras e (ii) refinanciamento de dívidas sendo feitas com instrumentos mais caros, tais como o cartão de crédito no caso das pessoas físicas. Se no meio do caminho o BC continuar a subir os juros básicos...

Lula e a elegância

Não surpreende o fato de o chanceler Celso Amorim ter sido desconvidado para a reunião do G-20 pelo presidente Lula. Se Dilma queria mandar um recado para o chanceler, Lula não deveria ter aceitado esta forma. Todavia, o presidente sempre agiu assim com seus companheiros indesejados. É o que registra um livro sobre Lula, de autoria de ilustre jornalista e que será lançado agora em dezembro, quando o ex-sindicalista ainda estará reinando no Planalto.

O que os governadores querem ?

O primeiro a reclamar foi Geraldo Alckmin, propondo a revisão dos juros que os Estados pagam ao governo Federal por conta da renegociação de suas dívidas. Ficou no limbo, pois faz parte de uma oposição sem força no Congresso – não fez nem barulho perto da assessoria da presidente eleita. Agora, o barulho ficou ensurdecedor, depois que um aliado de Dilma, e lulista de carteirinha, o governador Sérgio Cabral, entrou na justiça cobrando da União R$ 25 bi, referentes a royalties que os fluminenses teriam direito. Isto seria devido em função dos 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal cedidos à Petrobras e transformados em dinheiro (e/ou papel) na recente capitalização da estatal. A realidade é que oposicionistas ou lulistas, com exceção de alguns apegados petistas, os governadores da safra 2011 não estão dispostos a viver, em boa parte, dependentes de recursos Federais para tocar seus projetos. Querem reais próprios, sem ter de ficar como pedintes no Palácio do Planalto e nos ministérios. Querem caixa para fazer urnas. Alguns estão já pensando carimbar passaportes para voos mais altos. A maioria já percebeu que não dará este salto se boa parte das glórias ficarem com os de Brasília.

Dilma e os governadores

Dilma terá contas a ajustar pela frente, com os governadores acenando com suas bancadas estaduais no Congresso como trunfo. E não é luta de governo contra oposição. É um luta suprapartidária, como do tucano Alckmin, o peemedebista Cabral e o socialista Eduardo Campos. Pode-se incluir nesta lista até o petista Genro, do RS, Estado com as contas mais complicadas. A primeira batalha já está acesa : a reserva de recursos no orçamento de 2011 para ressarcir os Estados da desoneração da Lei Kandir. Não há um mísero real previsto até agora.

História mal contada

Esta quase tudo ainda por se revelar no episódio da quebra do Banco Panamericano – explicações convincentes da CEF, dos auditores e do BC ainda são mercadorias em falta. Não se constrói um rombo de R$ 2,5 bi de uma manhã para tarde. Ninguém soube ? Ninguém viu ? E mais : por que esperaram passar as eleições para anunciar a intervenção quando o BC - cego dos olhos - viu a fraude ainda em agosto ?

Tudo é motivo

Os defensores da permanência de Meirelles no BC já estão espalhando a tese de que o caso Panamericano, uma vez resolvido, segundo eles, sem traumas maiores para o sistema, pela ação do presidente do BC, reforça a posição dele e mostra a necessidade de mantê-lo lá. Não seria exatamente o contrário, a partir das "bolas nas costas" que a instituição levou neste caso, demorando meses, até alguns anos, para perceber as fraudes ?

A força do Enem

No país das coisas invertidas, como no caso de Meirelles, começa-se a espalhar que a solução do caso do Enem teria reforçado a posição do ministro Fernando Haddad para um bis no ministério de Dilma. Não deveria ser exatamente o contrário ?

Bancos de não-banqueiros

Chega a ser cômica a entrevista do empresário Sílvio Santos na Veja, quando afirma que não entende muito do negócio bancário. Um banqueiro que não entende de banco ? Pode ? Múltiplos exemplos mostram que bancos controlados por instituições não-financeiras não são bons do ponto de vista estratégicos. Bancos alavancam seus ativos em velocidade muito maior que outras empresas e quando mal administrados podem levar enormes grupos à bancarrota.

Ministeriômetro – Capítulo IV

Hoje, também, somente inclusões na lista dos ministeriáveis. Ninguém desiste desse "sacrifício".

Itamaraty – Nelson Jobim (causaria furor na Casa de Rio Branco)
Defesa – Michel Temer
Secretaria-geral da Presidência – Paulo Bernardo
Comunicações – Antonio Palocci
Planejamento – Aloizio Mercadante
Educação – Marta Suplicy
Cidades – Mario Negromonte
Transportes – Alfredo Nascimento
BNDES – Paulo Hartung
Avulsos – Marcelo Crivella, Paulo Okamoto

Tiririca e os zeros

A Justiça continua incomodada com o ator Tiririca e a eleição dele para a Câmara. É um tanto de preconceito. Tiririca, no Congresso, será um zero à esquerda, não fará diferença. De um modo mais específico e justo a preocupação deveria ser para com aqueles dos muitos zeros à direita. Estes continuam impávidos e colossos. Dando as cartas e recebendo retribuições. E mais : se cassarem o Tiririca, dever-se-ia anular também os votos que ele recebeu. Porque os "muito vivos" é que vão se beneficiar com isto.

O primeiro teste

Desta semana não passa a definição do novo salário-mínimo e do índice que será aplicado à correção da aposentadoria das pessoas que recebem mais de um mínimo. O porta-voz econômico Paulo Bernardo diz que acima de R$ 540 não dá. Os sindicatos querem o mínimo em R$ 540. Pelas regras estabelecidas pelo próprio governo e aceitas no passado pelos sindicalistas, ele não chegaria nem aos R$ 540. Espalhava-se no fim de semana que Lula e Dilma vão oferecer R$ 550. Desta decisão vai se aferir o tamanho da disposição da presidente eleita de enfrentar desafios políticos para cumprir a promessa do discurso de campanha (e pós-campanha) de seguir uma linha de austeridade nos gastos públicos. Cálculos oficiais mostram que para cada R$ 1 de aumento do salário mínimo a conta da previdência engorda, anualmente, em cerca de R$ 285 milhões.

Se alguém souber...

... do destino da oposição, por favor, informe aos 45 milhões de brasileiros que votaram em José Serra.

Prefeito assanhado

Gilberto Kassab, alcaide paulistano, tido como uma estrela ascendente no DEM, movimenta-se, nos bastidores e à luz de holofotes, para unir seu partido ao PMDB. Se não der, diz que ele e seu grupo poderão filiar-se ao partido de Michel Temer, na dependência de uma brecha que o Congresso espera abrir nas normas de fidelidade partidária. Kassab procura seu espaço. A questão é saber se o cacife que ele tem é próprio ou resulta da aliança com os tucanos paulistas, ao fato de ter sido o vice de Serra na prefeitura, na época sem muito gosto do tucanato.

Não é para levar a sério

Pelo menos por agora não é para valer essa história de fusão de partidos, a mais visível em discussão : do DEM com o PMDB. São jogadas para aumentar o poder de negociação dos negociadores, apenas.

Radar NA REAL

12/11/10  

TENDÊNCIA

SEGMENTO Cotação Curto prazo Médio Prazo
Juros ¹
- Pré-fixados NA estável alta
- Pós-Fixados NA estável alta
Câmbio ²
- EURO 1,3619 alta estável
- REAL 1,7095 estável/alta estável/baixa
Mercado Acionário
- Ibovespa 71.195,11 estável/baixa estável/baixa
- S&P 500 1.199,21 estável/alta estável
- NASDAQ 2.518,21 estável/alta estável

(1) Títulos públicos e privados com prazo de vencimento de 1 ano (em reais).
(2) Em relação ao dólar norte-americano
NA – Não aplicável

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* José Marcio Mendonça jornalista e comentarista político; editou o Caderno de Sábado, o suplemento de Cultura do Jornal da Tarde e foi chefe de redação da sucursal de Brasília dos jornais: O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde. Apresenta: A Palavra de Quem Decide na Rádio Eldorado e escreve para o Portal Estadão e no Blog: A Política como Ela é.

* Francisco Petros é economista, graduando em Direito, pós-graduado em Finanças. Trabalha há vinte e cinco anos no mercado de capitais, em instituições brasileiras e estrangeiras. Foi presidente da APIMEC - Associacao Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais. Atualmente é membro do CSA - Conselho de Supervisão dos Analistas do Mercado de Capitais, órgão supervisionado pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários.