Quarta-feira, 23 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Política & Economia NA REAL n° 133

As asinhas de Dilma

Com o cuidado que as vaidades presidenciais aconselham, a presidente eleita vai marcando algumas diferenças entre ela e Lula :

1. A crítica à posição brasileira na ONU, na questão do apedrejamento da mulher acusada de trair o marido.

2. A influência direta no adiamento da decisão sobre a compra dos caças para a Força Aérea, que pode levar à perda da vantagem dos franceses, os favoritos de Lula e Jobim.

3. Não abraça, pelo menos publicamente, as teses petistas e lulistas e o controle do conteúdo da imprensa.

4. A liberação da informação de que ela vai fazer o ajuste fiscal negado pela candidata durante a campanha. Com a indiscrição de Mantega de que o PAC pode ser atingido.

Mas não vai mais longe...

Dilma só não vai mais longe, diz uma pessoa que sabe das coisas, para não desagradar o criador. A reação de Lula à notícia do PAC deu o tom do clima que pode se instalar. Solto no mundo, falando de política, Lula pode virar um ancoradouro de insatisfações com certas medidas que Dilma terá de tomar. Há temores. E não é na oposição. Isto explica, em boa parte, porque Dilma está tão silenciosa em público, tão retraída. Tem gente já vendo fantasma de dois PTs no ar a partir de 2011 : o PT do governo e o PT lulista.

A herança de Lula

Prestem a atenção para as sutilezas políticas nas quais Lula está cada vez mais versado. Quando entrou no governo, Lula fez questão de dizer que estava pegando uma "herança maldita", ou seja, o que desse errado era responsabilidade das desídias do governo anterior. Agora, não cansa de repetir que está deixando para sua pupila uma herança bendita, ou seja, se algo der errado não deve ser cobrado dele.

O castigo de Mantega

Observação de uma língua venenosa : Mantega não ganhou um prêmio com a confirmação de sua permanência no ministério da Fazenda. Foi uma punição : vai corrigir o que aprontou na gestão das contas públicas nos últimos anos.

Divã - I

Nunca antes na história deste país psicanalistas e psiquiatras, com especialidade nos males da política e dos políticos, tiveram tanto trabalho quanto agora. Inspiram cuidados :

PMDB - O partido de Temer levou um susto ao perceber que Dilma descobriu que o tamanho dos peemedebistas é bem menor do que apregoam. Apesar de ter saído das negociações com os cinco ministérios que dizia querer, o PMDB está bem menor do que entrou na campanha presidencial. Perdeu ministérios de votos e verbas, como Integração Nacional e Comunicações, não levou Cidades e Transportes e ganhou um abacaxi (Previdência), uma ficção (Assuntos Estratégicos) e uma promessa de dias melhores (Turismo). Manteve a Agricultura, que divide atenções na área com o Desenvolvimento Agrário e os programas de agricultura familiar ; e as Minas e Energia, com uma espécie de "subministro", uma vez que esta área Dilma administrou como ministra, manteve o controle na Casa Civil e dela não abrirá mão jamais. Coisas como Petrobras, Itaipu, Eletrobrás não passam pelo bico de Lobão. Livre do sofá, apenas Sarney : o Maranhão terá dois ministérios, os dois da lavra dele, mais, provavelmente, do que terão Minas, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul.

Diversos PT - O PT do governador baiano luta ao desespero para encaixar alguém do Estado no primeiro escalão, serve até um ministério da esquina - não pode ficar muito atrás de Eduardo Campos, de Pernambuco. O PT de Minas é caso gravíssimo, é coisa de menor abandonado, sente falta de atenção, depois de ter sido forçado a ceder tudo e um pouco mais para o PMDB. O PT do Maranhão, na mesma situação do mineiro, com o agravante de ver seu principal adversário, José Sarney, com a crista erguida. Todos os PTs estaduais, com ciúmes de SP. A bancada do PT na Câmara, que ainda não se viu representada na lista de Dilma, pois não se vê espelhada nem em Palocci nem em José Eduardo Cardozo.

Sergio Cabral - Vai ganhar o veto aos royalties, mas pode ver também o Rio e o seu PMDB sem vaga de peso em Brasília.

Divã - III

Casos especialíssimos são os do PSDB e do DEM. Talvez não seja nem mais para especialistas com peso científico, mas para mães de santo e babalorixás. Ainda não conseguiram encontrar nem o prumo nem o rumo.

Tombini no Senado

É incrível o desinteresse do Senado pelos assuntos, digamos, republicanos. Ministros indicados para o STF são questionados de forma superficial, indagações aos presidentes de autarquias são fúteis e por aí vai. O questionamento ao futuro presidente do BC, Alexandre Tombini, foi simplesmente inexistente. Assim, Tombini desfilou frases dúbias e escondeu suas verdadeiras convicções sobre política monetária. Para quem leu nas entrelinhas, é bom ficar de olho. Pode ser falta de personalidade política.

A "guerra cambial"

Sabe-se que os EUA estão tentando derrubar o dólar para estimular as exportações, conter as importações e estimular a produção doméstica. O que não se sabe ainda são os efeitos que esta estratégia terá no campo comercial. Especialistas em comércio exterior brasileiros se reuniram recentemente com pares norte-americanos e concluíram que as barreiras não-alfandegárias serão utilizadas como estratégia de "política industrial" nos EUA. Ter 27 milhões de desempregados e sub-empregados é cenário de guerra para o governo Obama.

Bolsas dos EUA e ao redor do mundo

A maioria dos mercados acionários do mundo está perdendo volume nestes dias de dezembro. Trata-se de um período no qual muitos investidores fazem esforço tremendo para que as cotações dos ativos se elevem com o objetivo de que o desempenho de suas gestões seja recompensado por bônus fartos. Período arriscado para investidores mais desprevenidos.

Radar NA REAL

7/12/10   TENDÊNCIA
SEGMENTO Cotação Curto prazo Médio Prazo
Juros ¹
- Pré-fixados NA estável alta
- Pós-Fixados NA estável alta
Câmbio ²
- EURO 1,3227 alta alta
- REAL 1,6915 estável/alta estável/alta
Mercado Acionário
- Ibovespa 69.337,68 estável/baixa estável/baixa
- S&P 500 1.223,53 estável/alta alta
- NASDAQ 2.598,49 estável/alta alta

(1) Títulos públicos e privados com prazo de vencimento de 1 ano (em reais).
(2) Em relação ao dólar norte-americano
NA - Não aplicável

Ministeriômetro - Notas técnicas 4

Para entender a lista na nota seguinte, alguns esclarecimentos :

- Os atuais ministros não confirmados, continuam na luta. Mesmo Celso Amorim, que fora do Itamaraty, pensa ser aproveitado em outro local.
- Dilma deve criar pelo menos dois outros ministérios (ou secretarias como tal) e descartar um - o da Comunicação Social.
- Criamos duas outras categorias : "quase confirmados", sobre os quais falta apenas a palavra oficial, e "genéricos", para convidados sem designação da pasta.
- Na lista estão não só estatais, mas também órgãos cobiçados por seu valor financeiro e eleitoral. É o caso da Funasa, por exemplo, do Ministério da Saúde, e do Porto de Santos, hoje na Secretaria dos Portos.
- Acrescentamos mais duas torres ao edifício dos cargos, o BB e os Correios, ambos arduamente disputados pelo PT e o PMDB.
- Há estatais novas no ar : a do petrosal, uma para o São Francisco transposto, a do tem bala (quando ele sair), até uma nova diretoria na Petrobras. Sem contar que há gente querendo reviver uma para o setor de seguros. E uma nova agência reguladora, a Agência Nacional de Comunicações (Anacom), paralela à Anatel.
- Caiu a ideia de um Ministério dos Portos e Aeroportos, ficará a Secretaria Especial dos Portos e nascerá uma Secretaria Especial de Aviação Civil. São mais lugares a distribuir.

Ministeriômetro - Capítulo XI

A lista desta quinta-feira :

Confirmados

Ministério da Fazenda - Guido Mantega
Ministério do Planejamento - Miriam Belchior
Assessoria Especial da Presidência - Marco Aurélio Garcia
Banco Central - Alexandre Tombini
Justiça - José Eduardo Cardozo
Casa Civil - Antonio Palocci
Secretaria Geral da Presidência - Gilberto de Carvalho
Pesca - Ideli Salvatti
Comunicações - Paulo Bernardo
Turismo - Pedro Novais
Agricultura - Wagner Rossi
Previdência Social - Garibaldi Alves
Assuntos Estratégicos - Moreira Franco
Minas e Energia - Edison Lobão
Transportes - Alfredo Nascimento
Direitos Humanos - Maria do Rosário
Comunicação Social - Helena Chagas (há dúvida se permanecerá com status de ministério)

Quase confirmados

Relações Exteriores - Antonio Patriota
Relações Institucionais - Alexandre Padilha
Defesa - Nelson Jobim
BNDES - Luciano Coutinho
Educação - Fernando Hadad
Petrobras - José Sergio Gabrielli
Ciência e Tecnologia - Aloizio Mercadante
Integração Nacional - Fernando Bezerra Coelho

Genéricos

Fernando Pimentel

Candidatos, indicados

Assessoria Especial da Presidência - Nelson Barbosa
Mulheres - Iriny Lopes
Esportes - Manuela D´Avila
Igualdade Racial - Vicentinho (abre vaga para José Genoíno na Câmara), Luis Alberto, uma mulher afro-descendente
Cidades - Marta Suplicy, PP, Fernando Pimentel, Jose Filippi Junior, Luiz Fernando Pezão, Antonio Carlos Valadares, Mario Negromonte
Transportes - Henrique Meirelles, PT, PR, Alfredo Nascimento, Blairo Magi
Cultura - José Abreu, Ideli Salvatti, Emir Sader, Celso Amorim, Antonio Grassi, Ângelo Osvaldo, Ângelo Vanhoni, Fernando Morais
Portos - PSB, Fernando Schimidt, Marcio França
Porto de Santos - PSB
Vale - Rossano Maranhão
Pequena e média empresa - Alexandre Teixeira, Antonio Carlos Valadares, Paulo Okamoto
Desenvolvimento Agrário - Joaquim Soriano. Wellington Dias
Secretaria Especial de Aviaçao Civil - Antonio Henrique da Silveira e Solange Vieira.
Desenvolvimento Social - Patrus Ananias, Moema Passos
Meio Ambiente - Carlos Minc
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - Abílio Diniz, Fernando Pimentel
Funasa - PMDB
STF - PMDB
Banco do Brasil - PT, PMDB
Correios - PT, PMDB
Saúde - Fausto Pereira dos Santos, Alexandre Padilha, Jorge Solla, Gonçalo Vecina
BNB - Ciro Gomes
Embratur - Geddel Vieira Lima
Infraero - Geddel Vieira Lima
Anvisa - PT, PMDB

Avulsos

Abrir vaga para José Genoino na Câmara
Abrir vaga para José Eduardo Dutra no Senado
Eva Chiavon
Beto Albuquerque
Marcelo Crivella
Olívio Dutra
Empresário (grife, como Roberto Rodrigues e Luis Furlan no primeiro ministério de Lula)
Sindicalista
Clara Ant (no Palácio do Planalto)
Jorge Gerdau

Credores

Virgilio Guimarães
Ciro Gomes
Henrique Meirelles (em baixa)
Patrus Ananias
Osmar Dias

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* José Marcio Mendonça jornalista e comentarista político; editou o Caderno de Sábado, o suplemento de Cultura do Jornal da Tarde e foi chefe de redação da sucursal de Brasília dos jornais: O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde. Apresenta: A Palavra de Quem Decide na Rádio Eldorado e escreve para o Portal Estadão e no Blog: A Política como Ela é.

* Francisco Petros é economista, graduando em Direito, pós-graduado em Finanças. Trabalha há vinte e cinco anos no mercado de capitais, em instituições brasileiras e estrangeiras. Foi presidente da APIMEC - Associacao Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais. Atualmente é membro do CSA - Conselho de Supervisão dos Analistas do Mercado de Capitais, órgão supervisionado pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários.