Quinta-feira, 25 de abril de 2019

ISSN 1983-392X

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Política & Economia NA REAL n° 77

O "mercado" e "as garantias"

Há um princípio geral da teoria de finanças que reza que "os mercados não têm memória", ou seja, age em função do futuro e não do passado. Bem, este é um elemento crucial de uma construção teórica. Na prática, os mercados parecem agir como o mais dos humanos : "esquece do que lhe interessa e lembra o que lhe é necessário." Pois bem : desde a crise de crédito cujo auge foi em setembro do ano passado, os governos injetaram trilhões e trilhões de recursos no mercado para que ele não entrasse em colapso. Resultado : pouco a pouco, não apenas o mercado, mas as economias iniciaram um processo de recuperação. O "problema desta solução" é que a condição necessária (injeção de recursos estatais) não pode ser permanente. Todavia, o mercado parece querer uma garantia de que o estímulo dos governos permaneça sine die. Ora, isto não é possível por definição – os orçamentos dos não aguentam. Está na hora de definir a "saída de campo" dos erários. O mercado fica oscilando como se chantageasse os governos a ser um "sócio permanente" do jogo financeiro. Os liberais desapareceram e os socialistas estão travestidos.

G-20

Nesta segunda, o G-20 - reunido em Londres - informou que os países membros concordaram em manter as taxas de juros baixas e os estímulos fiscais em vigor. A "garantia" continua para o mercado.

Lá fora e aqui

Se lá fora se discute o fim dos estímulos fiscais, por aqui ninguém nem quer ouvir falar do assunto. Nem o governo, nem o desmobilizado Congresso. O mais perigoso desta passividade é que as contas fiscais brasileiras têm piorado e terão de ser revistas num futuro não muito distante.

Mais sinais da recuperação

A produção industrial dos EUA cresceu 0,7% em setembro. Trata-se do terceiro mês seguido de elevação. O crescimento de setembro não foi estimado por nenhum economista. Superou todas as expectativas. No Reino Unido, a média das estimativas de crescimento para o ano que vem está em 1,0%. Há pouco tempo, esperava-se uma elevação de 0,5% no PIB britânico. Também estão sendo revistos para cima as taxas de crescimento do PIB do Japão, Alemanha e França.

Radar NA REAL

Apesar do aumento da volatilidade nas últimas semanas no mercado financeiro mundial – o que esperávamos e foi comentado em colunas anteriores – o desempenho dos diversos segmentos do mercado persiste saudável e consistente com os fundamentos (taxas de juros baixas, recuperação da atividade econômica, estabilidade das instituições financeiras, etc.). O maior (e crescente) fator de risco tem sido a desvalorização do dólar norte-americano. Até agora, o processo de valorização de quase todas as moedas relevantes do mundo em relação à moedas dos EUA tem sido controlado e em consonância com as expectativas. O problema é que não há formas de dar garantias mínimas de que este cenário estável no mercado cambial permaneça desta forma nos próximos meses. Em matéria de câmbio, não há nem teoria e nem prática econômica e financeira suficiente para se fazer prognósticos. De toda a forma, estamos mantendo as nossas recomendações e indicações do nosso radar.

7/11/9

 

TENDÊNCIA

SEGMENTO

Cotação

Curto prazo

Médio Prazo

Juros ¹

 

 

 

 - Pré-fixados

NA

alta

alta

 - Pós-Fixados

NA

estável

alta

Câmbio ²

 

 

 

 - EURO

1,4999

estável/alta

alta

 - REAL

1,7606

estável/baixa

alta

Mercado Acionário

 

 

 

 - Ibovespa

64.466,13

alta/estável

estável/alta

 - S&P 500

1.069,30

alta/estável

alta

 - NASDAQ

2.112,44

alta/estável

alta

(1) – Títulos públicos e privados com prazo de vencimento de 1 ano (em reais)
(2) – Em relação ao dólar norte-americano
NA – Não aplicável

Rumo a São Paulo

Perceberam que o deputado Ciro Gomes entrou em quarentena presidencial, tomou um sumiço da mídia ? Chama-se a isto "agradar o superior".

Dois pesos...

O delegado Protógenes levou um gancho de 60 dias da PF por participar de comícios eleitorais. Já outros, nas barbas do TSE e de comissões de ética pública...

Apertando o cerco

Informa o colunista Vicente Nunes, do "Correio Braziliense", que o BB e a CEF foram "aconselhados" por Lula a disputar a presidência da Febraban no ano que vem. É a estratégia do governo para ampliar seu controle, direto e indireto, sobre o sistema financeiro. E para ter "amigos" no comando de grandes entidades corporativas nacionais. Quem já se esqueceu do apoio oficial à eleição de Paulo Skaf na Fiesp ?

O PSDB e o mensalão mineiro

Os tucanos fingiram que a história das incursões do "carequinha" Marcos Valério na campanha de Eduardo Azeredo em Minas não era com eles. Aliás, como fingem que as histórias envolvendo a governadora Yeda Crusius não têm nada com ela. Agora, vão carregar esta cruz em 2010. Vão dividir o peso com o mensalão federal do PT.

O Supremo e os mensalões

O ministro Joaquim Barbosa, relator dos dois mensalões no STF – o mineiro do PSDB e o federal do PT –, sugeriu que os dois fossem julgados conjuntamente. Se aceita a denúncia, não há ainda certeza de que será assim feito, mas seria ótimo se pudesse : daria para ver como se comportariam petistas e tucanos quando metidos neste mesmo saco. Ou será que são do mesmo saco ?

Mensalões: semelhanças e dessemelhanças

Embora tenha a mesma origem, os mesmos métodos, o mesmo operador, e ambos possam ser classificados sem a menor dúvida como "crimes eleitorais hediondos" (aliás, que crime eleitoral não é hediondo, uma vez que tenta burlar o momento supremo da democracia – o voto – e a vontade popular ?), o mensalão do PT e o do PSDB têm uma diferença básica :

1. O de Minas aparentemente esgotou-se no processo eleitoral.

2. O federal foi um "benefício continuado". Começou nas eleições e depois avançou para mesadas em troca de votos no Congresso.

O que eles pensam ?

Passamos mais uma semana de intenso blábláblá eleitoral, com trocas de acusações e outros mimos entre governo e o grupo de oposição mais forte (PSDB/DEM). E os brasileiros de um modo geral continuaram sem saber o que pensam concretamente Dilma, Serra e Aécio sobre educação, saúde, violência urbana, impostos e outras questões que assolam os brasileiros. E vamos continuar sem saber por um bom tempo, se um dia soubermos de fato. Campanha eleitoral é marketing e tais assuntos costumam ser azedos quando tratados em profundidade. Principalmente quando se chega no fulcro da questão : como fazer ?

O nó está em Minas

Segundo colégio eleitoral do país, e com muitas mágoas políticas acumuladas nos últimos anos, Minas Gerais, tanto para o governo quando para a oposição PSDB/DEM, é hoje a grande incógnita e a grande ameaça. Os mineiros sempre gostaram de dizer que a sucessão "passa por Minas". E, de algum modo, passaram : mesmo nos governos militares, os vices saíam prioritariamente das Gerais – José Maria Alckmin (Castelo Branco), Pedro Aleixo (Costa e Silva), Aureliano Chaves (João Figueiredo). Na democracia restaurada, Itamar e José Alencar. Quem vacilar nas composições com a gente das Alterosas pode começar a corrida eleitoral tropeçando.

O primeiro grande teste político de Dilma

A candidata predileta de Lula terá a oportunidade de exercitar hoje seus dotes encantatórios : reúne-se com os dirigentes regionais do PT para convencê-los a ceder espaços ao PMDB na corrida pelos governos estaduais e até para o senador nos lugares onde os liderados de Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros e Jáder Barbalho se julgarem merecedores de tal vênia. Em alguns Estados-chave, como Minas e Rio, se não houver concessões, não haverá acordo. E a prenda eleitoral dos seis minutos do partido no rádio e na televisão, o troféu que Lula almeja, fica em risco.

A cara do cara

Os planos, a estratégia traçada e os movimentos do presidente Lula não deixam mais dúvidas : o candidato à presidência da República em 2010 é ele, Lula. Disfarçado de Dilma Roussef.

Dinheiro e pré-sal

Esta semana começam a ser votados os projetos regulamentando a exploração do pré-sal. Por coincidência, o DOU dos próximos dias vai circular com a liberação de R$ 2 bi de recursos do orçamento para pagamento de emendas parlamentares. Mesmo com a arrecadação em queda e as despesas em alta.

Demagogia previdenciária – 1

O governo está jogando nas costas de sua base aliada a tarefa de barrar a proposta - de fato inexequível nas condições atuais – de equiparar a correção das aposentadorias do INSS ao aumento do salário mínimo. Lula poderia simplesmente vetar a medida, se ela for aprovada. Mas não quer passar por este desgaste político em pleno período eleitoral. Ninguém esquece o quanto perdeu FHC quando chamou os aposentados de "vagabundos". Nenhuma explicação salvou a imagem do ex-presidente. É bom lembrar que toda família no Brasil tem pelo menos um aposentado. Lula quer negociar uma proposta menos radical que o projeto do aumento pelo mínimo (do senador petista Paulo Paim). Corre o risco de desagradar a todos.

Demagogia previdenciária – 2

Não resta dúvida que o tesouro nacional, que é quem cobre os déficits da Previdência (dos trabalhadores da iniciativa privada) terá dificuldades para pagar os custos do aumento das aposentadorias e pensões como propõe o projeto do petista Paim. Serão, somente no ano que vem, algo como R$ 6,9 bi a mais. E em todos os anos seguintes, enquanto persistir os planos do governo de recuperar o poder aquisitivo do salário mínimo. Porém, não se viu dificuldades para este mesmo tesouro pagar os generosos aumentos salariais concedidos aos servidores públicos da ativa, que somente este ano significarão despesas adicionais de R$ 19 bi.

Demagogia previdenciária – 3

Não se vê dificuldade também para o tesouro cobrir os rombos – e que rombos – da previdência (Executivo, Legislativo e Judiciário). Para se ter uma idéia, conforme reportagem de segunda-feira na "Folha" :

- São pouco menos de 1 milhão de aposentados e pensionistas do setor público. Este ano o governo deverá pagar R$ 43 bilhões para pagar a diferença entre a contribuição dos servidores federais na ativa e o que é pago aos inativos.

- O INSS paga mais de 20 milhões de aposentadorias e pensões. Seu déficit será de R$ 45 bilhões.

Em 2003, o governo aprovou com pompa e circunstância uma lei criando a previdência complementar para os servidores públicos. O objetivo era, ao longo dos anos, reduzir o déficit. Até hoje a lei não foi regulamentada.

Ainda há gente assim

Luiza Erundina foi prefeita de SP, ministra da Administração e tem vários mandatos parlamentares. Informa o "Valor Econômico" que ela está com seus bens penhorados - o apartamento onde mora há mais de 20 anos, seus dois carros e 10% de seu salário como deputada federal – para garantir o pagamento de R$ 351 mil ao governo paulistano por gastos em anúncios explicando porque a prefeitura, na ocasião de uma greve nacional, havia suspendido a circulação de ônibus na cidade. Já outros...

O escândalo dos precatórios

Não há dúvidas de que o Congresso vai aprovar as novas regras para o pagamento de precatórios. Vai ser consumado mais um estupro do poder público contra a sociedade. Diz o prefeito de SP, Gilberto Kassab, que o projeto em votação pelos deputados e senadores, é consensual ? Consensual para quem, cara-pálida ?

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* José Marcio Mendonça jornalista e comentarista político; editou o Caderno de Sábado, o suplemento de Cultura do Jornal da Tarde e foi chefe de redação da sucursal de Brasília dos jornais: O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde. Apresenta: A Palavra de Quem Decide na Rádio Eldorado e escreve para o Portal Estadão e no Blog: A Política como Ela é.

* Francisco Petros é economista, graduando em Direito, pós-graduado em Finanças. Trabalha há vinte e cinco anos no mercado de capitais, em instituições brasileiras e estrangeiras. Foi presidente da APIMEC - Associacao Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais. Atualmente é membro do CSA - Conselho de Supervisão dos Analistas do Mercado de Capitais, órgão supervisionado pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários.