Sábado, 24 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

Porandubas Políticas

por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 30

quarta-feira, 30 de novembro de 2005


JOBIM PARTIDARIZADO

O ministro Nelson Jobim, presidente do STF, tem um dna essencialmente político. Diz-se que está de passagem pela mais alta Corte do país. Em sendo assim, Jobim procura viabilizar a inserção de seu nome na composição político-partidária de 2006. Há dois espaços de seu imediato interesse : candidato à presidente da República pelo PMDB ou uma candidatura à vice na chapa de Lula. A primeira alternativa vai depender da questão : o PMDB terá candidato próprio ou não ?

A CHANCE DO CANDIDATO PRÓPRIO

Se a verticalização não cair, será muito complicado para o partido ter candidato próprio. A razão : o PMDB conta com 17 nomes viáveis nos Estados, que precisarão fazer alianças. Mantida a verticalização, essa possibilidade vai para o buraco. O partido, sem candidatura própria na área federal, terá mobilidade para fazer as composições estaduais que desejar. Nesse caso, sobraria para Jobim a segunda alternativa : ser o candidato à vice de Lula, levando uma parte do PMDB, a banda situacionista. Mas o ex-governador Garotinho não vai deixar fácil. Corre o país para sustentar a candidatura própria. A coisa esbarrará mesmo na Câmara.

E A OUTRA BANDA DO PMDB ?

Se o PMDB não garantir a candidatura própria, partilhará palanques variados nos Estados. Em São Paulo, por exemplo, poderá até compor com o PSDB. A alternativa seria mais viável se o candidato a governador fosse Fernando Henrique. Não se descarta de todo a possibilidade. Não há nenhum tucano de peso capaz de ganhar a eleição. José Aníbal, Zulaiê Cobra, Aloysio Nunes Ferreira, entre outros, não são considerados blue chips, ou seja, ações de primeira grandeza. O PT está baqueado. Mas nomes como os de Palocci, Marta e Mercadante ainda garantem bons índices. FHC seria o tucano mais viável para chegar à vitória. Nesse caso, fala-se de Michel Temer, presidente nacional do PMDB, como vice. No plano nacional, o candidato tucano, Alckmin ou Serra, receberia José Agripino, do PFL, como vice. As chapas seriam fortes. Tudo vai depender da verticalização.

PRAZO FATAL

A verticalização conta apenas com mais alguns dias para cair. Se a Câmara não derrubá-la, dois partidos sairão na frente do jogo eleitoral de 2006 : PSDB e PT. Ou seja, combinados, esses dois partidos decidiriam encurralar o PMDB, tirando-lhe a chance de uma candidatura própria. Quer dizer, os opostos se unem para vetar uma terceira força. Essa é a natureza de escorpião da política brasileira. 

O PT DESPAULISTIZADO

O PT está desmanchando a forte tintura paulista que desenhava sua identidade. Berzoini, é certo, preside a entidade, mas o poderio paulista já não é tanto. Com um partido menos paulista e mais descentralizado, a perspectiva é a de que o PT se aproxime do centrão onde se abrigam as grandes siglas nacionais.

APOIO ÀS APURAÇÕES

A OAB/SP, no XXX Encontro de presidentes de Subsecções, em Atibaia, no final de semana passado, reafirmou apoio incondicional à Comissão da OAB Federal que apura as denúncias de improbidade do presidente da República, com vistas a preparo de peça visando ao eventual pedido de impeachment. Mas a tendência das correntes, na esfera do Conselho Federal, é a de atenuar a situação pela ausência de provas concretas contra Lula.

DILMA VERSUS PALOCCI

Configura-se cada vez mais a impressão de que o affaire Dilma versus Palocci integra a estratégia maquiavélica de Lula de desviar o foco das CPIs. Trabalhando com uma típica questão interna corporis, chama a atenção para sua posição de magistrado, mostra disposição democrática para debater seu governo, puxa a orelha de Palocci e incentiva a turma engajada no desenvolvimentismo. Trata-se da estratégia também conhecida como "uma no cravo, outra na ferradura".

ELEIÇÕES MAIS CONTROLADAS

Se as receitas do ministro Carlos Veloso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, forem aceitas e aprovadas - o que ensejará decisão congressual - as eleições de 2006 obedecerão a um conjunto de regras voltadas para maior controle do processo, particularmente no campo dos recursos não contabilizados. Se não houver tempo para uma decisão na esfera legislativa, os Tribunais Eleitorais acionarão seus mecanismos de vigilância e controle. Leia-se : as eleições de 2006 serão bem mais controladas.

ESA NO CAMINHO MAIS PROFISSIONAL

Depois de 50 anos de labuta no múnus advocatício, o ex-presidente da OAB/SP e da OAB federal, Rubens Approbato Machado, volta aos bancos escolares para dirigir a entidade que saiu de sua lavra : a Escola Superior de Advocacia. Sonho de Rubens, a ESA passava por grave crise. Sensibilizado com o apelo do presidente Luiz Flávio Borges D'Urso, Approbato correu aflito para socorrer "o rebento". E promete colocar as coisas no trilho. Mais ainda : dará um cunho mais profissionalizante a ESA, por meio de cursos voltados à capacitação técnica do advogado. Ou seja, os jovens advogados terão oportunidade de percorrer os caminhos duros do cotidiano profissional - o domínio da inibição, a oratória forense, a articulação e a negociação, as técnicas da argumentação, a postura nos ambientes da administração da Justiça etc. O mestre Rubens Approbato sabe o que um advogado precisa para fazer presença no mundo contemporâneo.
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Porandubas Políticas
Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.