Segunda-feira, 25 de março de 2019

ISSN 1983-392X

Porandubas Políticas

por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 32

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

A CABEÇA DE LULA

A Executiva Nacional do PT decide censurar publicamente a política econômica do governo Lula. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, diz que o PT não é governo. Apenas integra a base de apoio ao governo. A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, a mais próxima de Lula, faz críticas públicas ao ministro Palocci. O PFL e o PSDB, partidos da oposição, defendem com vigor a política econômica do governo Lula, até porque se trata de uma continuidade da gestão FHC. E o que diz presidente Lula sobre tudo isso? Diz que as oposições são golpistas. E o que vem a ser a oposição do petismo? Convenhamos, Lula não anda lá muito bem de cabeça.

DILMA, A GUERRILHEIRA

Segunda à noite, o grupo de Revistas Istoé (IstoÉ, IstoÉ Dinheiro, IstoÉ Gente) fez uma grande festa para homenagear as brasileiras e os brasileiros do ano em cada setor. A ministra Dilma Roussef foi escolhida como a brasileira do ano. Fez um discurso de agradecimento meio tucano meio petista radical. Começou elogiando a estabilidade econômica, argumentando com a responsabilidade do presidente Lula, e concluiu com a crítica à mesma política, argumentando que o país precisa voltar a crescer. Coisa meio lá meio cá. Uma no cravo, outra na ferradura. E terminou sua oração dedicando o prêmio aos presos políticos mortos e torturados pela ditadura. O tom guerrilheiro do final parecia incongruente com a política dos altos juros.

FHC TORCE POR .....FHC

Diz-se que FHC torce para que José Serra seja o candidato dos tucanos à presidente da República. Quem conhece bem o ex-presidente acha que ele torce mesmo é por ele, FHC. Gostaria de ver o circo pegar fogo para surgir de tertius.

OS TUCANOS ABREM O BICO

A briga entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra já começou. Depois que César Maia anunciou o apoio à Serra, Alckmin decidiu abrir o verbo. Lançou-se candidato no programa Roda Viva, de segunda feira, na TV Cultura. Passou a bola para o prefeito Serra, que terá de confirmar ou não o interesse na disputa. É claro que uma decisão, nesse momento, seria trágica para o prefeito José Serra. Deixaria a administração em pandarecos.

VERTICALIZAÇÃO, ESSA É A PALAVRA

Se a verticalização não cair, teremos uma campanha bem diferente do jogo com regras que valem tudo. Ou seja, caindo a verticalização a miscelânea partidária contribuirá para adensar o fenômeno de fulanização política. Não caindo, os sicranos e fulanos se esforçarão para fazer uma campanha mais programática e doutrinária. Já há clima para aprovação da emenda que derruba a verticalização. O próprio presidente Lula está interessado em derrubá-la. Um deputado muito chegado ao presidente teria ouvido, dias atrás, a contundência: “sou contra essa po...!”  Agora, não há quorum suficiente para garantir 308 votos. O Congresso começa a se esvaziar para as festas de final de ano.

A BASE FICA FROUXA

Lula já perdeu as classes médias. Continua muito forte na base da pirâmide social e a razão se deve aos programas assistencialistas do governo. Afinal de contas, 11 milhões de famílias recebem o Bolsa Família. Mas nem tudo está às mil maravilhas na base da pirâmide. Os movimentos sociais, alguns liderados por importantes organizações não governamentais, acabam de divulgar uma nota condenando o governo Lula. Chegam a chamar o presidente de traidor das causas sociais. Base estiolada, meios afastados e elites sem muito voto constituem, hoje, a moldura eleitoral para a reeleição de Lula.

O DILEMA DE RIGOTTO

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, tem um discurso mais fluente e mais denso que o ex-governador Garotinho, do Rio de Janeiro. Como candidato, seria mais crível e mais asséptico. A geografia o maltrata. Está muito longe dos grandes centros de irradiação opinião. Ademais, é muito discreto, ao contrário de Garotinho, que fala aos borbotões. Fala-se que o governador gaúcho tirará férias para correr os Estados na campanha para as prévias do PMDB. Mas teme perder para o esquema montado pelo marido da governadora Rosinha, que tem agitado as bases do PMDB nos Estados.

PERGUNTA PARA TEMER

Por onde anda, o presidente do PMDB, Michel Temer, é pressionado com a pergunta: “e por que não você?” Ante os nomes que circulam na mídia – Nelson Jobim, Anthony Garotinho, Germano Rigotto, Jarbas Vasconcelos, Roberto Requião – os interlocutores de Temer acabam se posicionando a seu favor, acreditando que tem o melhor perfil como candidato a presidente. Ao cumprir o papel de magistrado-coordenando o processo eleitoral no partido – Michel Temer se vê fora da disputa. Mas em política, o dia de amanhã é sempre cheio de novidades.

MERCADANTE MINISTRO ?

Se Aloizio Mercadante não se viabilizar como candidato a governador de São Paulo, pelo PT, será integrado ao ministério do governo Lula, na reta final do mandato. A não ser que não queira. Lula já começa a pensar em substituir cerca de 10 ministros, que serão candidatos nos Estados.   

MARTA SERÁ CHAMADA

A ex-prefeita Marta Suplicy será convocada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para prestar depoimento sobre procedimentos considerados ilegais pelo ministério da Fazenda. Quem está tentando por panos quentes nesse depoimento é .... o senador Aloizio Mercadante. Faz o papel de bom moço, abrindo um crédito junto a Marta. Depois, virá a cobrança.

QUEM SE LEMBRA DA DENÚNCIA DE ONTEM ?

É tanta denúncia que poucos lembram os fatos escandalosos noticiados ontem. Uma notícia “canibaliza” a outra. E a banalização das denúncias acaba amortecendo a sensibilidade.

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Porandubas Políticas
Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.