Quarta-feira, 13 de novembro de 2019

ISSN 1983-392X

Porandubas Políticas

por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 73

quarta-feira, 18 de outubro de 2006


TERRORISMO PEGOU

O terrorismo político que os petistas praticam contra Geraldo Alckmin pegou de verdade. Ao dizer que o tucano vai privatizar Petrobrás, BB e Caixa Econômica, Lula consegue sensibilizar a maior parcela de eleitores de Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Os tucanos, em vez de defenderem o êxito da privatização do sistema Telebrás – responsável pela massificação dos celulares no país e a performance vitoriosa da Vale do Rio Doce, conforme acentua o próprio presidente da empresa, Roger Agnelli – preferem permanecer na negativa: não farão isso, não farão aquilo. Incompetência.

PROGRAMA DE LULA É MELHOR

O programa eleitoral de Lula na TV é bem melhor que o de Alckmin. Foca comparações entre seu governo e o de FHC. Mostra números, tabelas, ganhos e avanços. Se é chute ou não, o fato é que o programa é denso, pleno de conteúdos. A apresentação de Geraldo é uma colcha de platitudes, uma espécie de genérico sem vitamina. Coisas como: vamos investir pesado; vamos trabalhar duro; vamos aumentar empregos; melhorar a saúde; melhorar a segurança. Há números esparsos, soltos, sem nexo. Um show de generalidades. Um texto ruim que não convence. Convenhamos, a equipe técnica parece perdida.

TUCANOS CONTRA NORDESTINOS

Não bastasse o confronto entre pobres e ricos, que Lula tenta de maneira enfática inserir na cachola das massas, agora é a raiva dos tucanos contra nordestinos. Essa foi a tônica do discurso de Lula, nesse começo de semana, em Campina Grande (PB) e Mossoró (RN). Para os jornalistas, diz que governa para todos. Na TV, gosta de dizer que a classe média está comprando mais, uma inverdade, eis que o poder de compra da classe média diminuiu cerca de 10% nos últimos 4 anos. Mas os entrevistadores rotineiros do presidente não têm dados para questionar ou simplesmente passam a bola pra frente, preferindo fazer novas perguntas. E, de firula a firula, Luiz Inácio engorda a urna do presidente Lula.

LULA MAIS PERTO DA VITÓRIA

A duas semanas das eleições, só mesmo um evento de alta relevância poderá evitar a derrota de Alckmin. Por exemplo, a resposta à pergunta: "De onde veio o dinheiro ?" A PF quer dar respostas para a questão apenas depois do dia 29, quando a fatura eleitoral estiver liquidada. Se uma bomba explodir nas imediações da intimidade de Lula, antes da eleição, a coisa ficaria complicada. Difícil de ocorrer.

TARSO CONTRA A ÉTICA ?

Tarso Genro já foi mais comedido. Acaba de dizer que o povo brasileiro está saturado do discurso ético. Para um político com perfil de intelectual, a observação criou forte ruído. Inacreditável. Como se a corrupção, de tão banalizada, não mais merecesse denúncia.

SENADO CONTRA LULA ?

Se Lula ganhar o segundo mandato, terá um Senado mais oposicionista que situacionista. PFL, PSDB e PDT somam 38 cadeiras. O mínimo para um pedido de CPI é 1/3, ou seja, 27 senadores.

CÂMARA A FAVOR

Já na Câmara Federal, Lula terá o apoio de cerca de 360 deputados, ou seja, um rolo compressor que funcionará a favor do governo. Mas a articulação com os partidos abriga uma negociação que implica mais espaços e decisões sobre políticas públicas.

ESTADO DESPETIZADO ?

Lula ganhando, o PT terá menos quadros na administração federal. É o preço do novo mandato. Os petistas incrustados no governo deixaram muito a desejar, principalmente aqueles que estiveram por trás de maracutaias, mensalões e dossiês.

MINISTRO NA BERLINDA

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, segundo a revista Veja, estaria patrocinando a ação para tirar Freud Godoy, o segurança de Lula, do meio da fogueira. O ministro desmente categoricamente. A PF afirma que não houve encontro entre Gedimar, o homem da mala, e Freud. O tiroteio que, há algum tempo, abala o perfil do ministro talvez seja motivo mais que suficiente para deixá-lo sem ânimo para continuar no governo em eventual segundo mandato de Lula.

E HELOÍSA HELENA, HEIN ?

O que fará Heloísa Helena no futuro imediato ? Dar aulas na Universidade poderá ser a alternativa mais certa. HH não está morta. O sucesso na política exige que se trilhe um caminho com muitas curvas.

TUCANADA ATRAPALHADA

Eduardo Paes, o secretário geral do PSDB, perdeu a eleição para o governo do Rio de Janeiro, e apóia Sérgio Cabral, do PMDB, que, agora no segundo turno, apóia Lula. Geraldo Melo, presidente do PSDB do RN, perdeu a campanha para o senado, e agora apóia a candidata à reeleição, governador Vilma Faria, que apóia Lula. Tasso Jereissatti, presidente do partido dos tucanos, fez corpo mole na campanha de seu correligionário Lúcio Alcântara (PSDB), no Ceará, sabendo-se que torceu para a eleição de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes. Como é que Alckmin quer ganhar a campanha se enfrenta oposição dentro do próprio partido ?

UM PAÍS AMARGURADO

Seja quem for o presidente, comandará no início de 2007 um país profundamente dividido e amargurado. Lula caprichou no discurso da divisão de classes e dos interesses divergentes de regiões. Em entrevista, faz questão de dizer que governa para todos. Nos comícios, como os desta semana no Nordeste, patrocinou a exaltação de ânimos, a partir da recorrência ao conflito de interesses entre regiões.

DINHEIRO CRIMINOSO ?

Se o dinheiro para a compra do dossiê tem origem criminosa, como garante o presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT), por que não se aponta logo a origem do crime ?

A GUERRA DAS PESQUISAS

A guerra das pesquisas recomeçou. A fatura já está sendo entregue de maneira desbragada por Institutos regionais. A fatura é do tamanho do pagamento. Infelizmente, dirigentes e pesquisadores inescrupulosos mancham esse instrumento democrático. Os grandes Institutos – Datafolha, Ibope – precisam calibrar ainda mais os seus métodos para evitar especulações. A onda crítica contra as pesquisas poderá se expandir, caso erros crassos sejam cometidos neste segundo turno. Já há quem defenda uma Agência reguladora para os Institutos. Um retrocesso.

OS DEBATES

Ninguém aposta em contundência discursiva nos próximos debates. Mas que haverá certo confronto, ah, isso acontecerá com certeza. O debate da TV Globo, dia 27, será o termômetro final.

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Porandubas Políticas
Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.