Terça-feira, 16 de julho de 2019

ISSN 1983-392X

Porandubas Políticas

por Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 81

terça-feira, 16 de janeiro de 2007


BICO RACHADO

O bico tucano está rachado. O líder Jutahy Júnior consultou a maior parte dos parlamentares tucanos e sentiu a tendência em favor de Chinaglia à presidência da Câmara. Os peessedebistas divisaram com este apoio obter posição privilegiada na composição da mesa. Sob esse aspecto, são movidos por pragmatismo. Ocorre que o fator político precisa ser bem avaliado. O PSDB é (ou quer ser) oposição ao governo Lula e ao PT. Logo, a questão deveria ser submetida ao comando partidário. FHC chiou e fez uma dura nota censurando o líder da bancada, recebendo solidariedade de Tasso Jereissati, presidente do partido. A verdade é que já não se fazem mais opositores como antigamente.

DESPOLITIZAR A ELETROBRÁS?

Uma missão impossível: despolitizar a Eletrobrás, onde o sarneyismo manda e desmanda. As empresas do sistema, no Norte do país, têm comandos e diretores nomeados pelo senador José Sarney e pelo deputado Jader Barbalho, agora mais fortalecido após ter apoiado fortemente a senadora Ana Júlia Carepa ao governo do Pará. Quem age como primeira ministra do sistema é a poderosa ministra Dilma Roussef, da Casa Civil. Se conseguir o tento de dessarneyzar a área elétrica, sem choque de 1.000 volts, receberá o troféu "A Dama de Ferro".

CABRAL FAZ MÉDIA

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, faz média por todos os lados. Elogia Lula, reúne-se com os governadores Aécio Neves (MG), amigo do peito, José Serra (SP), Paulo Hartung (ES) e com o prefeito César Maia, pede reforço da Força de Segurança Nacional para ajudar na malha de proteção do Rio de Janeiro, presta solidariedade às vítimas das enchentes e, de andança em andança, abre a administração ostentando a imagem de líder providencial. Vamos ver até quando segurará a onda. A primeira desordem de vulto no Rio, agora sob a vigilância de forças federais, será um teste decisivo para a performance governativa.

SERRA E KASSAB NA CRATERA

O governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab fazem a lição de casa em matéria de administração de crises. A enorme cratera que engoliu carros e pessoas, na marginal do Rio Pinheiros, exigiu dos dois presença marcante no local. Qualquer terremoto inicial na administração poderia se tornar um fator de desestabilização para um governante com fama de bom planejador. Serra quer passar a imagem de governante presente, solidário, humano. Mas a questão de fundo permanece intacta: empresas tão poderosas não têm esquemas de prevenção contra esse tipo de catástrofe, até previsível ante o volume de água que costumeiramente cai em São Paulo todo início de ano. Atente-se que não é a primeira vez que isso ocorre. Grandes obras deveriam ganhar fortes sistemas de segurança.

E A SAÚDE DE FIDEL, HEIN?

Já é quase fato que os médicos cubanos erraram redondamente no diagnóstico e tratamento de Fidel Castro. O especialista espanhol que para lá se dirigiu foi lapidar: o homem não tem câncer. Poderá até morrer, em breve, mas em decorrência de problemas pós-operatórios da diverticulite, a doença que atacou Tancredo Neves. Receitou drogas diferentes das que eram administradas. Cuba pode ter um ótimo sistema de saúde em matéria de atendimento geral à população. O médico de família, que prescreve um pouco de tudo, é a especialidade cubana. Agora, em matéria de medicina de ponta, a ilha caribenha deixa muito a desejar. Está na idade da pedra.

CHINAGLIA OU ALDO?

A situação, hoje, pende para o médico Arlindo Chinaglia, do PT, que disputa com Aldo Rebelo, do PC do B, a presidência da Câmara. Ganhadores: o PT, que será reabilitado, retomando o comando da Câmara dos Deputados, o PMDB, que tem a promessa dos petistas para presidir a Casa nos últimos dois anos da legislatura e os partidecos médios e pequenos, que abocanharão pequenas fatias de poder. Para Luiz Inácio, tanto faz como tanto fez. A substituição de um por outro é algo como trocar seis por meia dúzia. Os tucanos, a esta altura, apoiando ou não, serão perdedores. E os pefelistas, de feitio mais definido, ganharão pelo fato de passarem a ocupar de maneira mais intensa os espaços da oposição.

RENAN COM MENOS FORÇA

Mesmo garantindo a reeleição à presidência do Senado, Renan Calheiros não terá a força que deteve no mandato anterior. Calheiros imprimia orientação aos parlamentares das duas Casas Legislativas. Desta feita, o PMDB da Câmara quer ter mais poder de veto e de voz. Reivindica espaços antes dominados de maneira plena por José Sarney e Renan Calheiros.

GEDDEL MINISTRO

Geddel Vieira Lima, o impetuoso baiano e ex-líder da bancada peemedebista na Câmara, está aprontando o terno de ministro. Só não integrará o conjunto ministerial se tiver outra missão mais importante. Trata-se do mais prestigiado deputado do PMDB no segundo mandato de Lula. Por enquanto...

INCRÍVEL, PORÉM VERDADEIRO

O apóstolo Estevam e a bispa Sônia Hernandes enfrentarão júri popular, dia 24 próximo, nos Estados Unidos, quando serão acusados de lavagem de dinheiro, omissão e contrabando de divisas. Mas quem acessa à Tv a cabo vê "maravilhas": bispos da Igreja Renascer pregando a ressurreição em Cristo, multidões gritando amém e aleluia, bandas de jovens apresentando músicas religiosas, templos cheios. Parece que nada afeta os renascentistas. O que acontece com seus dirigentes é "obra do demônio". Não duvidem se o "inferno" da crise por quepassa a Igreja não terminar com um "dilúvio" de fiéis nos templos. Que oferecem, até, cartões de crédito para desconto dos dízimos. E assim caminha a Humanidade...

DEU A LOUCA NO CHÁVEZ

Nos últimos tempos, o comandante Hugo Chávez, da Venezuela, parece ensandecido. Resgata slogans carcomidos pelo tempo, reforça o discurso guerrilheiro, financia amigos - o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa - e promete se perpetuar no poder. Até quando Chávez caminhará nessa estrada cheia de curvas? Até quando continuará dependurado numa montanha de petrodólares.

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Porandubas Políticas
Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.