Terça-feira, 25 de junho de 2019

ISSN 1983-392X

Professora empenhada na reconstrução da cidade de São Luiz do Paraitinga se prontifica a recolher auxílio financeiro, enquanto não se constitui a Associação de Moradores da cidade

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


São Luiz do Paraitinga

A professora doutora Rosa Maria de Andrade Nery, ocupante da cadeira 60 da Academia Paulista de Direito, se prontificou a recolher auxílio financeiro a fim de contribuir para a reconstrução da cidade de São Luiz do Paraitinga, enquanto não se constitui a Associação de Moradores da cidade.

  • Confira abaixo mensagem escrita pela professora, que contém as informações necessárias para aqueles que puderem colaborar :

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Lágrimas por uma Cidade Imperial

Rosa Maria de Andrade Nery

Os paulistas perderam, no alvorecer de 2010, uma fatia de sua história. A força invencível da natureza arrebatou, sem piedade, como se fora um gigante diante de um castelo de areia, o centro histórico de São Luiz do Paraitinga, cidade que se aproxima de seus 250 anos de existência, deixando por todo o Município um cenário de destruição e dor. O Rio Paraitinga, que circunda a cidade, subiu mais de 10 metros, como nunca acontecera, e minou os alicerces de taipa de pilão da Igreja das Marcês (Séc. XVIII), da Igreja Matriz de São Luiz de Tolosa (Sec. XIX), de numerosas casas e sobrados (Séc. XVIII e XIX) e do Grupo Escolar (Séc. XIX), pondo abaixo - sob os olhos marejados de sua população - o encantamento de um espaço significativo de história, cultura, arte, folclore, arquitetura e tradições, tão caras aos paulistas.

O sino da Igreja Matriz não dobra mais.

A cidade estava acostumada a conviver com as cheias do Paraitinga (afluente do Paraíba do Sul), que, entretanto, nunca tinham apresentado essas proporções. A população esteve isolada, sem água, sem luz, sem telefone, sem acesso às rodovias. Os poucos contatos se fizeram por botes e pequenas embarcações.

Imponente e sobranceira no alto do monte restou a Igreja do Rosário, também histórica e precisando de reforma. A água não atingiu seus alicerces.

Vendo o flagelo da população, o desalento das pessoas e a paisagem desoladora das águas, se movimentando com fúria sobre a cidade, observei três aspectos da vida dessa gente feliz.

O primeiro, a notícia de que a população não experimentou baixas, porque ordeira e com a ajuda de voluntários, soube deixar suas casas com a dignidade de quem se prepara para a luta da vida e foram acolhidos pela população do alto das montanhas.

O segundo, o milagre de que a estrutura arquitetônica antiga, embora tombada – mas sem os cuidados necessários para sua preservação – ruiu sem que os moradores estivessem em suas casas, nem nas igrejas, nem na escola que, por certo, já apresentavam sinais de risco e poderiam ter ensejado catástrofe de desmedidas proporções.

O terceiro, o uníssono lamento de sua gente, que já não se importa com suas perdas pessoais, da casa de cada um, dos pertences de cada qual, mas exterioriza o sentimento de pesar pela perda do patrimônio de todos (a Matriz, a Capela, o Grupo Escolar, o conjunto arquitetônico).

De tudo os moradores precisam: estão desabrigados e suas casas não existem mais.

O Governo do Estado de São Paulo deve honrar suas tradições e enviar para a cidade a ajuda necessária para as emergências de vida e saúde de seus moradores, que estão experimentando as agruras do flagelo. A população, mesmo sem recursos para reerguer o patrimônio de sua gente, tem viva a memória de suas tradições e precisa de ajuda para redesenhar seu passado e manter viva e acesa a esperança de sua permanência como cenário cultural de importância para a população de São Paulo.

Por certo, as águas não vão levar consigo os sons das cantigas, seus bonitos madrigais, o lamento das serestas, as farturas das festas, a piedade das manifestações religiosas, a alegria do carnaval. As águas não são mais que as lágrimas de alegria dessa gente feliz, que se acumulou durante esses duzentos e cinqüenta anos de vida, rindo dançando, cantando, fazendo festa e criando, com arte e alegria, o pulsar da vida.

Águas que vão se escoar pelo Paraitinga afora, sem mágoas, vão deixar sementes de um novo tempo, marcado pelo imorredouro sentimento de preservação das coisas de todos, amálgama do espírito da Nação.

Para os que podem ajudar :

Beneméritos da cidade estão instituindo uma associação em prol dos flagelados. A Academia Paulista de Direito se dispõe a recolher doações, emergencialmente, para repassá-las a essa nova entidade, tão logo ela se constitua.

Pede-se que a doação seja feita de forma identificada, e com destinação precípua de ajuda a SLP, para facilitar o repasse das verbas.

Academia Paulista de Direito

CNPJ 4371. 2389/0001-00

Bradesco Banco 237

Ag 0895-8 – Trianon USP – Av. Paulista, 1429

Conta corrente: 018.372.5

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