Quinta-feira, 21 de março de 2019

ISSN 1983-392X

Entrevista – Maria Bonomi

Antologia Pessoal

terça-feira, 22 de março de 2005

Entrevista – Maria Bonomi

Confira abaixo a íntegra da entrevista com a ilustre migalheira Maria Bonomi, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, dia 20/3.

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Antologia Pessoal

Maria Bonomi

“A maior virtude da boa arte é a síntese da pulsação”

Maria Bonomi é gravadora, escultora e cenógrafa. Nascida na Itália, em 1935, chegou a São Paulo em 1946. É considerada uma das mais importantes gravadoras do País. Além de suas obras gráficas, Maria também tem forte relação com a arte pública, tema de sua tese de doutorado pela USP. Seu último trabalho público foi o painel Epopéia Paulista, na Estação da Luz. Agora, ela também assina a cenografia da peça A Última Viagem de Borges, em cartaz no Festival de Teatro de Curitiba.

Que obras você visita sempre que pode?

O conjunto de obras do Museu Leonardo da Vinci em Milão e do Museu Atelier Noguchi em NY e de quebra o Jardim das Delícias, de Jeronimous Bosch, em Madri.

E qual delas fica melhor com o passar do tempo?

Todas.

Dê exemplo de um bom artista injustiçado.

Lívio Abramo.

Cite uma obra que frustrou suas melhores expectativas.

A última de Francisco Botero.

E um artista surpreendente, ou seja, bom e pelo qual você não dava nada.

Yves Klein e Bonnard.

Que obra boa lhe fez mal, de tão perturbadora?

Coluna sem Fim, de Constantin Brancusi.

Há ainda espaço para a narrativa na arte contemporânea?

Sim. Mesmo com novas linguagens para novas platéias. Sempre haverá.

A arte reflete a realidade ou cria seu mundo próprio?

A arte surpreende a realidade.

Um artista que você acha muito bom, sem jamais ter visto uma obra sua.

Basquiat.

Um artista difícil, mas indispensável.

Henri Michaux.

Que obra você mudaria para torná-la melhor?

Propostas tipo Arte-Cidade.

Que obra é impossível melhorar?

O Cristo de Mantegna, em Brera, Milão.

Que artistas contrariam suas convicções, mas mesmo assim você julga geniais?

Max Bill, Francis Bacon, Chuck Close, Lucio Fontana, Soto, Antonio Bispo do Rosário, etc.

Cite as escolas mais importantes para sua reflexão artística

Expressionismo alemão, Land Art, Body Art, Japan Airlines...

E dentre os modernistas, qual o seu preferido?

Flávio de Carvalho.

Quais dos artistas que vieram à tona nos últimos 10 anos – no Brasil e no exterior – produziram as obras mais marcantes?

Joseph Beuys, Jannis Kounellis, Evandro Carlos Jardim, Valdés, Vik Muniz, Shirley Paes Leme, Antoni Tàpies, Emilio Vedova, Peter Greenaway, Jagoda Buic, Jovancovic, Sophie Calle, Louise Weiss, etc.

Para que artista brasileiro, de qualquer tempo, você escreveria um elogio público?

Arthur Luiz Piza = densidade!

Que obra festejada pela crítica você detestou?

Gregor Schneider.

E de que trabalho demolido por críticos você gostou?

Hélio Oiticica no começo de carreira, quando em vida...

Cite um vício das artes plásticas que você considera abominável.

O intencional explícito, via mercado internacional.

Que virtude mais preza na boa arte?

A síntese da pulsação.

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