Terça-feira, 24 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

Congresso da OAB/SP defende uso da arbitragem nas pequenas causas

Popularizar a arbitragem, enquanto meio extrajudicial de solução de conflitos, e levar a prática para as pequenas causas foram uma das teses defendidas no II Congresso Internacional de Arbitragem da OAB SP, realizado na FAAP, na última sexta-feira, 28/5.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Arbitragem

Congresso da OAB/SP defende uso da arbitragem nas pequenas causas

Popularizar a arbitragem, enquanto meio extrajudicial de solução de conflitos, e levar a prática para as pequenas causas foram uma das teses defendidas no II Congresso Internacional de Arbitragem da OAB/SP, realizado na FAAP, na última sexta-feira, 28/5.

Segundo o conselheiro Federal e presidente da Comissão de Mediação e Arbitragem da OAB, Arnoldo Wald Filho, coordenador do congresso, a arbitragem deixou de ser matéria acadêmica e nos últimos 10 anos fez uma revolução teórica e prática, sendo que os processos se multiplicaram nas câmaras arbitrais, demonstrando ser um instrumento ágil e necessário. "Chegou o momento de democratizar a arbitragem, que pode ser empregada nas pequenas causas", sentenciou Wald Filho.

O jurista Arnoldo Wald, professor titular da Faculdade de Direito da USP, acredita que a arbitragem pode ser expandida para outras áreas além da comercial, em questões de consumo e locação, para resolver conflitos de forma rápida, com poucos recursos e gastos. "Em questões de pequeno valor, o processo pode demorar dois anos, vai ter custos, petições longas", ressaltou. Segundo Wald, as próprias câmaras de mediação e arbitragem poderiam estabelecer regulamentos para a prática. No entanto, a forte cultura do contencioso no Direito atrapalha a popularização da arbitragem.

O diretor da FAAP, Álvaro Villaça Azevedo, também é favorável à arbitragem na resolução de pequenas causas, para driblar a burocracia do Judiciário. "O grande problema da Justiça é o tempo de aguardar as decisões. E os juizados especiais deveriam ter a alçada um pouco aumentada, para poder julgar mais casos e interesses da área do consumidor, locação". Azevedo disse que a maior parte dos conflitos se deve a questões técnicas, que nem advogados nem juízes entendem, e precisam do aval de um técnico. Assim, ele acredita que seria melhor, nesses casos, buscar a solução na arbitragem, escolhendo pessoas que entendem do assunto e que seja da confiança das partes.

O desembargador Rui Stocco mostrou-se favorável à aplicação da arbitragem nas pequenas causas. Lembrou que é importante o crescimento e popularização do instituto da arbitragem, hoje mais afeta às áreas de grandes contratos e empresas, destacando que o STF estipulou 4 anos como prazo razoável para tramitação de um processo, prazo que a arbitragem reduz para 6 meses, pois "a trama recursal eterniza a causa", afirmou.

Já Rogério Favreto, secretário adjunto da Conferência dos Ministros da Justiça dos Países Ibero-Americanos, disse que a preocupação hoje é fugir da excessiva judicialização dos conflitos e uma opção é a arbitragem. "Este é um instituto ainda sem a difusão adequada, o que passa pelo incentivo, como na formação jurídica dos estudantes. Por isso, hoje o valor que o MEC dá é maior aos cursos de Direito que utilizam práticas de mediação e arbitragem em suas faculdades, como também ações incentivando núcleos de prática jurídica a experimentar o método", disse. Segundo Favreto, nos últimos dois anos, o projeto Pacificar, do Ministério da Justiça, destina R$ 2,2 milhões a 27 faculdades de direito para incentivar a arbitragem.

Para o conselheiro e diretor cultural da OAB/SP, Umberto D’Urso, o futuro da sociedade está na arbitragem, que precisa ser melhor divulgada entre os operadores do Direito e da sociedade. "Muitos advogados, bem como juízes e outros operadores do Direito, desconhecem como funciona a arbitragem. Eventos como este congresso tem uma função muito importante, de levar o conhecimento ao estagiário, ao advogado, ao operador do Direito", completou. D'Urso também ressaltou a necessidade da presença obrigatória do advogado nas câmaras arbitrais para assegurar o direito das partes.

O evento, apoiado por IASP, AASP, CESA e Câmara Brasil Portugal, reuniu mais de 300 pessoas e contou com a presença do ministro do STF, Gilmar Mendes, e da ministra do STJ, Eliana Calmon Alves. Participaram também diversos outros especialistas de Brasil, Portugal, Espanha, Inglaterra e França.

O ministro Gilmar Mendes, homenageado na abertura do evento, lembrou que o Brasil é um país de forte tradição judicialista e que tem 80 milhões de processos em tramitação e que é necessário mudar essa realidade e, para isso, o STF tem contribuído para alterar esse cultura, inclusive respaldando institutos de solução alternativa de conflitos como a arbitragem.

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