Terça-feira, 21 de maio de 2019

ISSN 1983-392X

Pesquisa mostra que compra de produtos falsificados é hábito difundido entre todas as classes

A pirataria de produtos

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Pirataria

Pesquisa mostra que compra de produtos falsificados é hábito difundido entre todas as classes sociais

A pirataria de produtos em apenas dois setores – roupas e tênis– tira do país pelos menos R$ 9 bilhões anuais em arrecadação de impostos. Este valor seria suficiente, por exemplo, para cobrir 20% do déficit da Previdência Social e equivale a quase 40% da arrecadação anual com a CPMF. A simulação faz parte de pesquisa realizada pelo Ibope para o Instituto Dannemann Siemsen (IDS), a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (US Chamber) e a Warner Bros. Consumer Products.

A pesquisa foi feita com o objetivo de mensurar diretamente, junto à população brasileira, o consumo de falsificações e cópias não registradas; levantar atitudes gerais sobre consumo de produtos “piratas” e temas correlatos; medir o consumo intencional de falsificações e cópias não registradas junto à população de São Paulo; e estimar volume de unidades, valores médios e valores totais gastos com esse tipo de consumo.

Foram feitas 602 entrevistas, com moradores do município de São Paulo, com idade acima de 16 anos.  

Entre os entrevistados, 33% admitem comprar produtos de comerciantes ambulantes e lojas do chamado comércio informal.

Na percepção dos entrevistados, os produtos mais sujeitos a falsificações dentro das categorias pesquisadas são, tênis (44%), roupas (21%) e brinquedos (20%). Em outro item os pesquisadores pediram aos entrevistados para apontar os produtos que mais compram no mercado de imitações. Cada entrevistado pôde indicar até três produtos. O resultado foi similar: roupas (11%); tênis (10%) e brinquedos (10%).

A pesquisa detectou também alguns argumentos que justificariam, para o consumidor, a compra de produtos falsificados. Entre os possíveis argumentos apresentados pelos pesquisadores, 54% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que marcas famosas têm lucros muito grandes e não são prejudicadas pelo consumo de falsificações e 65% disseram acreditar que a produção e o comércio de falsificados geram empregos nos países pobres, enquanto marcas famosas gerariam apenas nos ricos.  

No entanto, os mesmos entrevistados mostraram ter consciência dos prejuízos que as falsificações causam ao país. Setenta e seis por cento concordaram com as seguintes afirmações: ao comprar falsificados, colaboram com a sonegação, diminuindo recursos do governo para investir em saúde, educação e habitação; o comércio de falsificações prejudica bastante os negócios de marcas famosas, que deixam de investir e gerar empregos no País.

Restou identificado, ainda, que a grande maioria dos que consumiram produtos pirateados nos últimos 12 meses considera que sabe diferenciar a cópia do produto original. Quarenta e três por cento desses entrevistados afirmaram sempre saber diferenciar o falsificado do original, enquanto outros 16% afirmaram saber fazer esta diferenciação na maioria das vezes. A maior parte (76%) dos consumidores que comprou imitações nos últimos 12 meses afirma ter pago menos da metade do valor do produto original.

Uma das constatações da pesquisa é de que este consumo de imitações é hoje difundido e distribuído entre todas as classes sociais, variando apenas a ordem de preferência. Enquanto os entrevistados das classes A e B afirmam ter comprado, nos últimos 12 meses, jogos eletrônicos (15% e 17% dos entrevistados, respectivamente), brinquedos (17% e 27%), relógios (10% e 16%) e óculos (10% e 16%), a classe C prefere as roupas (21%), os brinquedos (21%) os tênis (17%) e os relógios (16%). Entre as principais imitações compradas pelas classes D e E estão roupas (18%), brinquedos (16%), tênis (15%) e relógios (14%).

Quanto à faixa etária, a compra de produtos falsificados está fortemente concentrada na população mais jovem, que já tem decisão de consumo, mas baixo poder de compra. Os itens preferidos pelos jovens entre 16 e 24 anos são roupas (31%), brinquedos (21%), tênis (21%) e relógios (18%). Já na população com mais de 50 anos, a compra de imitações é menos difundida. O único item citado com mais freqüência por essa faixa etária, quando perguntada sobre imitações que teria comprado nos últimos 12 meses, foi brinquedos (16%).

A pesquisa mediu também o consumo intencional declarado de falsificações ou cópias não registradas, com o objetivo de mensurar o volume de dinheiro que circula na economia dos produtos piratas. Foi possível, com base no Censo 2000 e em extrapolações realizadas através da pesquisa nacional Ibopebus, projetar estimativas de consumo nas categorias de roupas e tênis.

Estima-se que o valor total anual gasto em roupas pirateadas chegue a R$ 8,9 bilhões. Quanto aos tênis, o número estimado é de R$ 2,3 bilhões. Simulando esses dados para a perda em arrecadação de impostos o resultado é estarrecedor: R$ 9 bilhões em apenas dois dos itens pesquisados.

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