Domingo, 15 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

Despedida

Eliana Calmon participa de sua última sessão plenária no CNJ

“Saio com a consciência de dever cumprido. Fiz o que foi possível fazer”, disse a ministra.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon – que deixa o CNJ esta semana – se despediu dos colegas, na última sessão plenária à frente do cargo, fazendo uma avaliação positiva de sua gestão, iniciada em setembro de 2010. "Saio com a consciência de dever cumprido. Fiz o que foi possível fazer", disse.

A ministra atribuiu ao trabalho da Corregedoria e à parceria firmada com alguns tribunais as mudanças positivas observadas em parte do Poder Judiciário. "Vi tribunais saírem do chão e conseguiram se soerguer. Vi algumas corregedorias locais crescerem por um incentivo meu", afirmou. As transformações ocorridas nos TJs de TO, AM, MS e SP foram citadas por ela como exemplos de sucesso.

Em relação aos julgamentos disciplinares que relatou, a ministra reconheceu que foi dura por causa de sua aversão a corrupção, especialmente nas fileiras da magistratura. "Quem tem o poder de prender, liberar ou bloquear patrimônio, decidir sobre a vida econômica e afetiva das pessoas não tem o direito de transigir eticamente", destacou.

A corregedora reconheceu ter priorizado a missão profissional em relação à vida pessoal. "Eu não me enganei, eu já sabia: para se ser ético, não se pode ter uma vida cômoda. A minha vida nesses dois anos foi extremamente incômoda, mas eu me dispus a ser para fazer a meu alcance, humildemente", afirmou.

Da sua passagem pelo CNJ, revelou não guardar mágoas. "Não existe mágoa no meu coração porque eu sou feliz e quem é feliz não tem mágoas”, concluiu. Eliana Calmon também pediu desculpas aos colegas “por algum desagrado, alguns maus modos. É uma questão de personalidade. No meu íntimo, sou muito afetiva e quero muito bem às pessoas", afirmou.

A Enfam - Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados será o próximo destino da ministra. Após um mês de férias, ela dirigirá a instituição, cargo para o qual foi eleita pelos seus colegas do STJ.

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