Segunda-feira, 19 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

Greve de fome do bispo preocupa governo

quinta-feira, 6 de outubro de 2005


Greve de fome do bispo preocupa governo


O governo tenta uma saída negociada para a greve de fome do bispo de Barra/BA, dom Luiz Flávio Cappio, que está sem comer desde 26/9, em protesto contra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. O ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, viaja hoje para Cabrobó/PE, onde o frei está, para tentar convencer o religioso a desistir da greve de fome. Ele dirá ao bispo que o governo concorda em estender a discussão sobre a transposição e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja recebê-lo. Mas o ministro não falou em adiamento de obras.

"Não precisamos de nenhum trauma para que se implante o projeto do rio São Francisco, por isso estamos prolongando o diálogo, mas ele não será ad infinitum. Aqui no governo não tem ninguém de cabeça dura ",disse o Jaques Wagner. Mas quem verbalizou a preocupação do governo com mais essa crise foi o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, que disse durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), "O que não pode ocorrer é o homem morrer".

Nesta quarta, dom Luiz começou a sentir falta de ar e já apresenta lapsos de memória, mas se recusou a seguir recomendação médica para reduzir o ritmo de atividades, o que evitaria um desgaste físico maior. Ele celebrou missa, cumprimentou populares e ainda deixou o seu retiro no interior da capelinha de São Sebastião para se reunir com índios que cantavam em sua homenagem. Quatro pequenos produtores rurais aderiram ao movimento e também estão em greve de fome contra a transposição das águas do Rio São Francisco."Se o meu movimento for isolado, ele não terá força. Precisa mobilizar a população", afirmou o religioso, que tem dito aos que o procuram que só sai do sítio onde iniciou o seu jejum "com procissão ou no caixão".

O general Jorge Félix demonstrou, inclusive, concordar com a reivindicação do bispo, que quer ampliar o debate sobre a transposição. Segundo ele, em relação à revitalização há uma quase unanimidade, o que não ocorre em relação à transposição. "É preciso mais conversa. É preciso ouvir a população", recomendou o general.

O presidente Lula lembrou que a obra depende de autorização do Ibama. "Não poderia haver suspensão de uma obra que não tem data marcada para começar. Ainda está se discutindo a questão do meio ambiente. Tem que ter licença do Ibama - afirmou, durante o 4º Salão Internacional de Inovação Tecnológica", disse o presidente.

Na noite desta quarta, a regional Nordeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), integrada pelos estados de Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, desaprovou a greve de fome: 'Na caridade da Colegialidade Episcopal, por dever de nosso ministério, afirmamos a nossa desaprovação à atitude extrema do nosso irmão Dom Luiz Flávio Cappio', diz a nota divulgada pelos bispos da regional.

Dom Luiz está sem comer e só bebe água. Ele dorme numa capelinha de chão de cimento batido, com telhas aparentes e apenas duas portas e duas janelas.

O presidente da Comissão Pastoral da Terra, dom Tomás Balduíno, já disse que Lula será responsabilizado se o frei morrer. Ele comparou a campanha do religioso brasileiro à de Gandhi, que libertou a Índia da colonização inglesa. Dom Tomás disse que a obra é faraônica, inadequada e destinada a reforçar o caixa 2 das campanhas políticas.


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