Sábado, 24 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

Em depoimento no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara advogado diz ter recebido dinheiro do PP

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terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Em depoimento no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara advogado diz ter recebido dinheiro do PP

O advogado Paulo Goyaz, que depôs ontem no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, confirmou que recebeu R$ 964,36 mil do PP para defender o ex-deputado Ronivon Santiago, que pertencia ao partido e perdeu o mandato no ano passado. A quantia foi paga em espécie, em três parcelas, e recebida na sede do partido em Brasília.

Com o desconto do Imposto de Renda, o advogado disse que recebeu R$ 700 mil líquidos em honorários — o mesmo valor que o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa, diz ter recebido do PT para pagar pelos serviços advocatícios de Goyaz. O valor foi acertado em um contrato assinado em maio de 2003 entre o escritório de advocacia de Paulo Goyaz e Ronivon Santiago, mas os honorários foram pagos integralmente pelo PP. Para Goyaz, não há ilegalidade. "Descontei o imposto de renda e emiti notas fiscais e recibos", afirmou.

Não foi a primeira vez que a transação ocorreu. Ele citou um outro contrato assinado com Ronivon em 2002, no valor de R$ 100 mil. Na época, metade foi paga pelo ex-deputado e metade pelo partido.

Diferença de valores

Goyaz depôs como testemunha de defesa do deputado Pedro Corrêa, apontado como um dos beneficiários do esquema do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, que teria repassado R$ 4,1 milhões para o partido. Em depoimento prestado no ano passado na CPMI da Compra de Votos, porém, Corrêa só admitiu ter recebido os R$ 700 mil com os quais pagou Paulo Goyaz para defender Ronivon Santiago.

O ex-deputado era réu em 36 processos nas áreas penal e eleitoral. Os honorários também cobriram a defesa que Goyaz fez do filho de Ronivon Santiago, em uma ação na Justiça Federal.

Os integrantes do conselho acreditam que a diferença de valores existente entre os depoimentos de Corrêa e de Goyaz pode ter sido causada por confusão do presidente do PP. O advogado levou cópias das notas fiscais entregues ao partido pelo recebimento dos R$ 964,36 mil.

Origem do dinheiro

Outra diferença entre os depoimentos de Goyaz e Corrêa diz respeito à origem dos R$ 964,36 mil. O advogado negou conhecer o esquema de repasse do PT para o PP, como foi apontado nas investigações do Conselho de Ética e da CPMI dos Correios. Ele disse acreditar que a verba era proveniente do Fundo Partidário do PP.

Paulo Goyaz afirmou ainda que em nenhum momento Pedro Corrêa participou da entrega do dinheiro. O depoente confirmou, no entanto, que tratou com o parlamentar, por meio de uma correspondência e de uma ligação telefônica, sobre a forma de pagamento em três parcelas.

A cópia da carta foi entregue por ele ao Conselho de Ética.

Sem novidade

Para o relator do processo contra Pedro Corrêa, deputado Carlos Sampaio, o depoimento de Goyaz não trouxe novidade. "Ele reproduziu o que o Pedro Corrêa já havia dito ao conselho", afirmou.

Sampaio avisou que pretende entregar o relatório sobre o processo contra o presidente do PP na quinta-feira. A expectativa do relator é que o texto seja lido já na próxima segunda-feira.

Para Sampaio, mais importante do que saber como foi usado o dinheiro é conhecer a relação entre o PT e o PP. Ele estranhou, por exemplo, que o PT nacional tenha liberado dinheiro para o PP ajudar a defender Ronivon Santiago em processos judiciais, sendo que alguns deles surgiram de denúncias do PT do Acre, base eleitoral do ex-deputado.

Os integrantes do conselho também estranharam o fato de o PP usar quase R$ 1 milhão para defender um único deputado e o seu filho. "É muito dinheiro para um partido defender um deputado", disse Nelson Trad.

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Fonte: Agência Câmara

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