Segunda-feira, 15 de julho de 2019

ISSN 1983-392X

Crônicas

Veja algumas crôncas de Artur da Távola

quinta-feira, 12 de junho de 2003

Crônicas

Veja abaixo algumas crônicas do ex-senador Artur da Távola.

VOCÊ TEM NAMORADO?

Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode estar sem namorado.

Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar.

Não tem namorado quem transa sem carinho ou se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa: quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de olhar o encabulado: de carinho escondido ou flor calada no alto do muro e entregue de repente; de gargalhada quando fala ao mesmo tempo ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, cavalo alado, tapete mágico, bugre ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor e de ficar horas olhando o outro, abobalhado de lucidez.

Não tem namorado quem não tem música secreta, quem não dedica livros, quem não recorda artigos e não se chateia com o ato do seu bem ser paquerado.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado que ama sem se dedicar: quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações e quem só pensa em ganhar.

Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e tem medo de mostrar que se emocionou.

Se você não tem namorado porque ainda não descobriu que amar é alegre mas você pesa 200 quilos de grilos, ponha a saia mais leve, aquela de renda de harpa e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passar debaixo de sua janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão soasse a flauta e do céu baixasse uma névoa de borboletas, cobertas de frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouco necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. "Enloucresça"!...

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NAMORAR

Quem não tem namorado tirou férias do melhor de si. Namorado é a mais difícil das conquistas. Necessita de adivinhação, pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil! Namorado não precisa ser o mais bonito e sim quem se quer proteger, mas quando chega, a gente treme, basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode estar sem namorado.

Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar.

Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, de sessão das duas, de medo do pai, de sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho ou se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa; quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de olhar encabulado; de carinho escondido ou flor catada no alto do muro e entregue de repente; de gargalhada, quando fala ao mesmo tempo ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico, bugre ou no foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado e comprar roupa junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor e de ficar horas olhando o outro, abobalhado de lucidez.

Não tem namorado quem não tem música secreta, quem não dedica livros, quem não recorta artigos e não se chateia com o fato do seu bem ser paquerado.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, - na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações e quem só pensa em ganhar.

Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e tem medo de mostrar que se emocionou.

Se você não tem namorado é porque ainda não descobriu que amar é alegre!

Enfeite-se com margaridas e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão soasse a flauta e do céu baixasse uma névoa de borboletas, cobertas de frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouco necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enloucresça!

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FUNDO DO ENAMORAMENTO

Das adivinhações do amor, não há mais funda que a dos dois olhares que se atam sem poder desprender. Namorados assim o fazem, paqueras, aranhas, serpentes, aves, répteis, mamíferos, amantes, amigos, esposos. O olhar aprisiona-se no mistério do outro. E fala de encontros não verbais, essências. Economiza tempo. Avança ou retrocede milênios na adivinhação do próximo.

O que será este olhar? Susto?

Susto mas adivinhação. No olhar que se não desprende, pulsam mensagens sem explicação racional. São formas de comunicação ancestrais, antigas como o tempo. Adivinhação mas procura. No olhar de quem se adivinha amando, paralelo à felicidade transmite-se procura, indagação, ânsia de descobrir que se veio ao mundo para resgatar as incompletudes dos seres com quem se relacionará profundamente, se os encontrar e souber que encontrou.

Procura mas encontro. No olhar que se cruza e paralisa cheio de significações encontra-se a instância deslumbrante na qual o ser se descobre aceito, querido, perdoado e permitido.

Encontro mas impossibilidade. Tudo o que vai sendo proibido, velado, guardado, adiado, faz-se verdade funda. A entrega pré/sentida.

É o olhar que salta o muro; arromba o não; invade a alcova; penetra no altar; assalta o sonho; estupra o silêncio; violenta o refúgio; estraçalha barreiras; ri-se das defesas; ilumina subterfúgios; devassa esconderijos; burla-se das leis; desestrutura renúncias; esbofeteia boas intenções; dá rasteira em qualquer moral; subverte os propósitos; demole afirmações; enferruja verdades; desmoraliza fugas.

Nada o detém, limita ou qualifica. Contém a pluralidade constitutiva da vida. Explode na hora do amor ou no instante da morte. Seus compromissos são com o fundo, o longe, o eterno, o imponderável, o denso, o lindo, a paz, a tragédia ou a glória. Sua relação é com as certezas que a razão nunca terá, mas a emoção, a intuição e o sentimento (que vão além), de há muito as conhecem. Existe quando e onde sempre existiu. E existirá, a despeito de nós.

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