Terça-feira, 26 de março de 2019

ISSN 1983-392X

Morre Roberto Marinho

O jornalista falece após sofrer um edema pulmonar

quinta-feira, 7 de agosto de 2003

Morre Roberto Marinho

O jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, morreu ontem à noite no Rio, aos 98 anos, após sofrer um edema pulmonar provocado por uma trombose. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias e o Congresso parou para homenagear um dos mais importantes jornalistas brasileiros.

Nasceu em  3 de dezembro de 1904 e construiu uma organização de comunicação de massa de vulto internacional a partir de um pequeno jornal herdado do pai. Com o vespertino batizado num concurso entre leitores, ele aos poucos construiu um conglomerado de informação, cultura e serviço público nunca visto na área de telecomunicações e entretenimento no país.

Os pais de Roberto - Irineu Marinho Coelho de Barros e Francisca Pisani Marinho - tinham eles próprios origem modesta. Tiveram cinco filhos - Roberto, Heloísa, Ricardo, Hilda e Rogério - e foi para educá-los que Irineu trabalhou mais de 15 horas por dia até se tornar chefe de redação de "A Noite", vespertino que ajudara a fundar em 1911.

Admirava a ousadia do pai, homem que voltara de uma viagem à Europa decidido a fundar um jornal que fosse livre, politicamente descompromissado e porta-voz de todas as aspirações do povo carioca.

"Nenhum homem de imprensa foi mais homem de imprensa que meu pai", afirmaria Roberto Marinho num texto de 1957.

O jornal começou a circular sem máquinas próprias, num andar de um edifício na esquina da Rua Bittencourt da Silva com o Largo da Carioca (hoje, o prédio da Caixa Econômica). Mas desde seu primeiro dia na redação, após a morte do pai, Roberto esteve empenhado em fazer do GLOBO mais que uma empresa modesta.

Em 5 de maio de 1931, morreu Euricles de Mattos, secretário de redação. Três dias depois, Roberto Marinho, com 26 anos, substituía-o na direção do GLOBO. O jornalista e escritor Franklin de Oliveira contaria mais tarde:

- Quando faleceu Euricles de Mattos, Roberto Marinho já tinha o domínio completo do fazer jornalístico. Chegava à redação às 4h e só a deixava à noite. Conhecia profundamente todos os segredos da profissão, além de dominar, com seu senso estético, a produção gráfica do jornal, da diagramação à tipologia. Exigia objetividade no noticiário, mas sem sacrifício de seu lado humano: objetividade não significa frieza diante dos fatos, e um jornal é a própria vida escrita. Nos editoriais, repudiava os transbordos de linguagem.

O GLOBO funcionou no mesmo lugar até 1954, quando oficina e redação transferiram-se da Bittencourt da Silva para um prédio recém-construído na Rua Irineu Marinho. Nele, o jornal está até hoje em instalações que foram sendo ampliadas e modernizadas a cada ano.

Em abril de 1998, nascia o EXTRA, hoje o mais bem sucedido jornal popular do Rio de Janeiro. E, em 200, somou-se à organização o DIÁRIO DE S. PAULO, uma vitoriosa investida no mercado jornalístico paulista.

O crescimento do patrimônio empresarial de Roberto Marinho deve-se, como ele dizia, a muito trabalho e alguma sorte - mas sobretudo à ousadia de um homem que mesmo ao passar dos 90 anos jamais deixara de pensar no futuro, investindo sempre.

O padrão de qualidade da Rede Globo, por exemplo, não se fez apenas graças às conquistas tecnológicas. O que se via na telinha era resultado principalmente do seu estilo, da sua linguagem, da forma de combinar o instinto do jornalista com a vocação do empresário. A começar pelo "Jornal Nacional", que com pouco tempo superou o aparentemente insuplantável "Repórter Esso", da TV Tupi, a Globo faria de cada um seus programas uma permanente busca da perfeição.

O telejornalismo foi realmente o ponto de partida para o fenômeno em que se transformou a TV Globo. Como o próprio Roberto Marinho os definiria, seus programas noticiosos passaram a ser, para os telespectadores brasileiros, "uma nova maneira de ver o mundo". Era, sim, uma nova maneira de ver o mundo, mas com olhos de um brasileiro. Cujo projeto de vida incluía profunda dedicação à cultura e à educação, espelhada em iniciativas como a Fundação Roberto Marinho e a TV Futura. Em tudo, a cabeça do empresário servia ao coração do brasileiro:

- Sou um otimista nato - proclamava.

Em 19 de outubro de 1993, a Academia Brasileira de Letras transformou-o em imortal.

O velório de Roberto Marinho será na sua casa do Cosme Velho, a partir das 9h da manhã de hoje. O sepultamento será no Cemitério São João Batista, às 16h.

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