Sexta-feira, 19 de outubro de 2018

ISSN 1983-392X

Operação Anaconda

Juízes são denunciados. Blitz prende oito

sexta-feira, 31 de outubro de 2003

Oito pessoas foram presas nesta quinta-feira em São Paulo numa operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público. Entre elas, dois delegados e um agente da própria PF, três advogados, empresários e a ex-mulher do juiz federal João Carlos da Rocha Mattos. Os três juízes só não foram presos porque a Justiça ainda analisa as denúncias contra os magistrados. É o resultado, até agora, da operação Anaconda, que uniu Polícia Federal e o Ministério Público.

A operação deflagrada às 4h de ontem (30/10), foi o resultado de uma investigação de mais de um ano. Escutas telefônicas teriam captado indícios das negociações ilícitas. A apuração teria começado em Alagoas, onde se descobriu que a base dessa suposta organização seria São Paulo, com ramificações em outros Estados.

O esquema beneficiaria criminosos, em troca de altos valores em dinheiro, por meio da falsificação de documentos, liberação de cargas ilegais e até a concessão de sentenças de liberdade.

Segundo a Procuradoria da República, os "clientes" eram encaminhados aos policiais por advogados. Os agentes orientavam os criminosos e deixavam brechas nos inquéritos usadas pelos juízes para ajudar criminosos. Os magistrados negam a acusação.

Os três juízes e os outros envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público Federal no dia 13. O juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, da 4ª Vara Criminal Federal, teve a prisão preventiva solicitada pelo Ministério Público, mas o pedido ainda será analisado pela desembargadora-relatora Therezinha Cazerta, do TRF (Tribunal Regional Federal).

Denunciado por formação de quadrilha, falsidade ideológica, peculato, prevaricação e corrupção passiva, Rocha Mattos é apontado na denúncia como um dos mentores da organização. Em uma das escutas, ele teria perguntado a um delegado, que também participaria do esquema, se um réu em um processo, absolvido pelo juiz, "gostou da decisão".

O juiz Casem Mazloum, da 1ª Vara Criminal, foi denunciado por formação de quadrilha, falsidade ideológica e interceptação ilegal de telefone. Segundo a denúncia, ele teria interferido na liberação de um caminhão apreendido por documentação irregular.

Seu irmão, o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal, foi denunciado por ameaça, abuso de poder e formação de quadrilha. Ele teria tentado influenciar o andamento de investigação envolvendo o empresário Ari Natalino da Silva, dono da Petroforte, e o delegado federal Alexandre Morato Crenite- também acusado de beneficiar o empresário.

Dois policiais federais da ativa e um aposentado foram presos ontem: o delegado José Augusto Bellini, responsável pelo setor de emissão de passaportes da PF, o agente César Herman Rodriguez, cedido ao gabinete do juiz Rocha Mattos, e o delegado aposentado Jorge Luiz Bezerra da Silva.

O corregedor da PF de São Paulo, Dirceu Bertin, foi denunciado por formação de quadrilha, mas sua prisão foi negada pela Justiça. Ele deve ser afastado do cargo.

Além dos policiais, foram presos os advogados Carlos Alberto da Costa Silva e Affonso Passarelli Filho e os empresários Wagner Rocha e Sérgio Chiamarelli Júnior. Norma Regina Emílio Cunha, ex-mulher de Rocha Mattos, também foi presa. Ela é ex-auditora da Receita Federal.

Enquanto eram feitas as prisões, 15 mandados de busca eram cumpridos em escritórios e casas dos suspeitos em São Paulo e quatro em Alagoas. Entre os locais vistoriados estava a casa do juiz Rocha Mattos, em Higienópolis. Na casa de sua ex-mulher foi apreendida uma quantia em dólares não revelada. Informações não confirmadas apontavam que o valor poderia variar de US$ 50 mil a US$ 500 mil. O material apreendido seria levado ainda ontem para Brasília.

Os três juízes e os demais envolvidos terão 15 dias para apresentar defesa.

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* Informações tiradas do site da Rede Globo e do jornal Folha de S.Paulo

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