Segunda-feira, 21 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Machismo

“Não podemos ser desacatadas pelo fato de sermos mulheres”, diz defensora ofendida por promotor

Ao saudá-la, o promotor pediu que a defensora se acalmasse, porque "a primeira vez com um negão não dói".

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Após ouvir de um promotor que "a primeira vez com um negão não dói", durante uma sessão do Tribunal do Júri, a defensora pública Fernanda Morais contou ao Migalhas como se sentiu após o episódio:

“Me senti extremamente constrangida e pessoalmente ofendida por ser mulher.”

Mesmo com o momento constrangedor, advogada ressaltou que não teve a intenção de desqualificar o trabalho do promotor ao expor a situação. “A minha irresignação dirigiu-se exclusivamente a uma fala que historicamente reflete uma cultura machista que vigora no sistema de Justiça, na verdade, que vigora em todas as instituições de maneira histórica e secular”, afirmou.

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Machismo

Fernanda Morais disse que, após a exposição do caso, recebeu o relato de muitas mulheres contando que já sofreram com o machismo e com a violência de gênero no exercício de suas funções.

Ela destacou a necessidade de se pautar um debate maduro e sério a respeito desse problema:

“O que que quero é que a gente seja capaz de expor nossos problemas para que a gente pense em estratégias adequadas de enfrentamento dessa situação, porque isso não pode mais acontecer. Não podemos ser desacatadas, desrespeitadas exclusivamente pelo fato de sermos mulheres.”

Embora a defensora afirme que o machismo é presente no mundo jurídico, ela tem enxergado mudanças. Como exemplo, falou da Defensoria Pública da Bahia, que tem a sua composição majoritariamente feminina. “Essa é uma realidade que tende a se expandir, a alcançar todas as instituições de Justiça”, diz.

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