Quarta-feira, 19 de junho de 2019

ISSN 1983-392X

Preso por porte ilegal de arma disse que pagou propina para ser liberado

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quinta-feira, 28 de setembro de 2006

"Paguei para ser solto"

Preso por porte ilegal de arma disse que pagou propina para ser liberado

O assaltante Gibison Levregé da Silva, 21, preso por porte ilegal de arma, disse que pagou propina ao juiz Francisco de Assis Ataíde, de Manaus/AM, para que fosse liberado do Instituto Prisional Antônio Trindade (IPAT). Veja abaixo matéria publicada no jornal A Crítica (Manaus).

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O assaltante Gibison Levregé da Silva, 21, preso anteontem por porte ilegal de arma, disse ontem que pagou propina ao juiz Francisco de Assis Ataíde para que fosse liberado do Instituto Prisional Antônio Trindade (IPAT), onde cumpria pena por assalto à mão armada até o início de setembro. Ele diz que o valor pago ao juiz foi de R$ 2 mil. Seu depoimento pode ser a primeira evidência de um esquema de "venda" de alvarás de soltura composto pelo juíz e advogados de presos.

O juiz Francisco de Assis Ataíde ficou conhecido no início deste mês por ter liberado de forma irregular, aproveitando o fim de semana e a Semana da Pátria, 43 presos (38 homens e cinco mulheres) acusados de tráfico de drogas, assaltos e outros crimes considerados graves. Segundo parecer do Conselho de Magistratura do TJ/AM, as solturas foram consideradas tecnicamente irregulares, entre outras coisas, por não terem sido submetidas à avaliação do MPE.

Gibison Levregé da Silva não aparece na lista divulgada pelo TJAM no início do mês, quando as liberações irregulares feitas por Ataíde ganharam repercussão na mídia e levaram à sua suspensão temporária por 30 dias.

O assaltante revelou detalhes do que teria sido a negociação feita por suas advogadas, Efigênia Generoso Araújo e Simone Alencar Omena. Segundo Gibison, o valor pago ao juiz foi conseguido com a venda de uma casa que ele tinha no bairro Campos Sales, Zona Norte.

Preço da liberdade

Gibison conta que as duas advogadas acertaram o "preço" de sua liberdade com o juiz. "Elas disseram que precisavam de R$ 2 mil para pagar ao juiz para me liberar. Dias depois que minha mulher deu o dinheiro, me liberaram", diz o assaltante. Gibison admite que não participou da negociação, feita entre sua esposa e as advogadas.

Efigênia Generoso e Simone Omena foram procuradas pela reportagem de A CRÍTICA por meio dos telefones de seus consultórios jurídicos e pelos telefones celulares cadastrados na OAB/AM, mas nenhuma das duas foi localizada para comentar as declarações de Gibison.

A promotora Tereza Cristina Coelho, do MPE, foi pessoalmente ao 6º. DP, no bairro Cidade Nova, Zona Leste, tomar o depoimento de Gibison. Ela é uma das promotoras que tiveram liberados alguns presos cujos processos estavam sob sua responsabilidade. "Ele confirmou que pagou propina ao juiz. Vou levar esse depoimento à corregedoria do TJAM o mais rápido possível", disse a promotora.

O juiz Francisco de Assis Ataíde também foi procurado pela reportagem de A CRÍTICA, mas ninguém atendeu o telefone de sua residência.

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