Quarta-feira, 16 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Transporte

TJ/SP invalida lei que proibia mototáxi na cidade de São Paulo

Município não pode legislar sobre questões da União, entendeu Órgão Especial da Corte.

sábado, 14 de setembro de 2019

O Órgão Especial do TJ/SP julgou inconstitucional a lei municipal 16.901/16, que proibia "utilização de motocicletas para transporte de passageiros". Com isso, o serviço de mototáxi volta ser permitido na cidade de São Paulo.

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A ação de inconstitucionalidade foi ajuizada pela Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de São Paulo sob a alegação de que o ato normativo invade as competências da União de legislar sobre trânsito e transporte, violando a CF.

De acordo com o relator da ADIn, desembargador Ferreira Rodrigues, "a norma impugnada não se restringiu a regulamentar a mobilidade urbana e a segurança viária, mas, em plano bem mais abrangente, estabeleceu regramento próprio (inexistente no âmbito federal) para proibir 'a utilização de motocicletas para a prestação do serviço de transporte de passageiros (moto-táxi), bem como para o transporte de material inflamável ou que possa pôr em risco a segurança do munícipe", em evidente usurpação da competência privativa da União para legislar sobre diretrizes da política nacional de transporte (CF, art. 22, IX) e trânsito e transporte (CF, art. 22, inciso XI)".

Ainda segundo o magistrado, tal competência (de legislar sobre determinado assunto) é passível de delegação - ou seja, a União pode transferi-la total ou parcialmente para outro ente federativo. Porém, a ação só pode ocorrer somente em favor dos Estados (e não dos Municípios) e mesmo assim, apenas sobre questões específicas e com autorização de LC.

O desembargador afirma, também, que a União já havia editado a lei 12.009/09, regulamentando "o exercício das atividades em transporte de passageiros, 'mototaxistas', em entrega de mercadorias e em serviço comunitário de rua, e 'motoboy', com uso de motocicleta" e que é essa a disciplina normativa que deve prevalecer.

O julgamento teve a participação de desembargadores componentes do Órgão Especial do TJ/SP. A votação foi unânime.

Veja o acórdão.

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