Quarta-feira, 13 de novembro de 2019

ISSN 1983-392X

À polícia, presidente do Corinthians "entrega" investidor

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quarta-feira, 18 de outubro de 2006


Lavagem de dinheiro

À polícia, presidente do Corinthians "entrega" investidor

O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, disse ontem (17/10), em depoimento à Polícia Federal, que o magnata russo Boris Berezovski, o georgiano Badri Patarkatsishivili e o israelense Pini Zahavi são investidores da MSI, a parceira do clube. É a primeira vez que o cartola revela a autoridades brasileiras nomes de quem abastece financeiramente o departamento de futebol do clube.

A oitiva de Dualib na PF durou três horas e fez parte da investigação conduzida pelo MPF que apura eventual crime de lavagem dinheiro na parceria.

O presidente corintiano foi ouvido pelo delegado Protógenes Queiroz e pelo procurador da República Rodrigo de Grandis. O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, que também é advogado, acompanhou Dualib e o vice-corintiano Nesi Curi, que depôs por cerca de uma hora.

Ao citar Berezovski e Badri como investidores, Dualib reforça as suspeitas das autoridades sobre lavagem de dinheiro.

O russo e o georgiano, parceiros em muitos negócios, são acusados de vários crimes na Rússia, entre eles lavagem de dinheiro. O depoimento de Dualib vai de encontro à conclusão de relatório do MPE, que aponta Berezovski e Badri como investidores da MSI. O órgão diz haver indícios de que a parceria é usada para lavar dinheiro.

O caso foi enviado para outra esfera porque os delitos apontados -lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro brasileiro- são de competência da Justiça Federal. Berezovski, que negou às autoridades fazer parte do grupo de investidores da MSI, foi detido em São Paulo para interrogatório em maio, quando demonstrou interesse em adquirir a Varig. Com ele, foram apreendidos dois computadores, oito celulares e documentos, entre eles cópias dos passaportes de Dualib e Curi.

O russo explicou aos procuradores da República que estava com os passaportes para devolvê-los aos corintianos, que os haviam deixado em Londres.

Ontem, Dualib deu outra versão. "Era para tirar um visto [de entrada] em Israel", disse.

A PF suspeita que os documentos estavam com Berezovski para abertura de conta bancária no exterior.

Ontem, questionado sobre eventuais irregularidades com o dinheiro que sustenta a MSI, Dualib foi enfático: "Não é [sujo] de maneira alguma".

Em seu depoimento, o presidente corintiano tentou explicar o funcionamento da parceria e disse que o presidente da MSI, Kia Joorabchian, não retorna mais ao Brasil.

A MSI jamais revelou os nomes dos investidores da parceria. Em relação a Berezovski, Kia sempre disse ser amigo do russo, mas nega a participação dele no negócio. O MP e a PF esperam agora ouvir o iraniano, que está em Londres. Ele ainda não foi notificado, mas declarou estar à disposição das autoridades.

Já Pini Zahavi nega ser investidor da parceira. Diz ser apenas um agente de jogadores.

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