Sábado, 19 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Editorial Migalhas

Confira o que diz o Dr. Arnaldo Malheiros Filho

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004

 

Editorial Migalhas

Ontem, um site jurídico divulgou que são citados nomes de abalizados advogados no relatório final da 'Operação Anaconda'. O noticioso on-line não disponibiliza o relatório, que - mirabile dictu - está sob "segredo de Justiça". No final do ano passado, um jornal paulista mencionou que um ex-presidente da subseção local da Ordem teria suposto envolvimento no caso, ao mesmo tempo em que um matutino carioca citava como envolvido um festejado comercialista. A atitude de permitir que terceiros tenham acesso aos autos é irresponsável, para não dizer criminosa. E não só de quem deixa ver, como também daquele que divulga tais informações. O sigilo do processo referente à 'Operação Anaconda' parece ser aplicável apenas à Defesa - que demorou muito tempo para ter acesso integral aos elementos dos autos, enquanto detalhes em profusão eram, sabe Deus como, divulgados pela imprensa. A excessiva exposição de trechos convenientemente escolhidos das gravações "sigilosas" feitas pela PF significa, na verdade, um linchamento público, quase um reality show judicial que induz a opinião pública, com base em informações indiciárias, à condenação dos acusados sem lhes permitir o direito de defesa. A maneira "brucutulesca" como está se desenrolando o processo parece dar razão a um dos acusados quando afirma que é mais provável o Saddam ser absolvido numa Corte norte-americana, que ele no Tribunal onde tramita seu caso.

Dos leitores

“Congratulo-me com o incisivo “Editorial Migalhas" sobre a criminosa violação do segredo de Justiça no caso da operação “Anaconda”.Muitos profissionais de imprensa - mesmo aqueles preocupados com as garantias individuais frente à opressão da máquina repressora estatal - deliciam-se tanto com o acesso a notícias sigilosas ou proibidas que se esquecem de refletir sobre a violência contra o cidadão que aí existe, tão bem apontada pelo editorial. Isso é tanto mais grave quando se vê que a investigação tem um especial interesse em interpretar a seu modo e distorcer fatos na tentativa de macular a honra de pessoas dignas e íntegras. Esse poderoso rotativo pôs-se à frente na defesa do Estado de Direito.” dr. Arnaldo Malheiros Filho

 

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