Terça-feira, 24 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

Resultado do sorteio da obra "Clarice Lispector – A hora da estrela"

quarta-feira, 30 de maio de 2007


Sorteio de obra

Atenção! Migalhas teve a honra de sortear cinco exemplares do livro sobre a Exposição "Clarice Lispector – A hora da estrela"doados pelo Museu da Língua Portuguesa - São Paulo/SP. Confira abaixo os vencedores.

Resultado:

  • Adriane Fortes Souza Jales, da Unimed Inconfidentes, Mariana/MG.
  • Doriane de Lima Queiroz, do escritório Toledo Piza Advogados Assoiados, Caruaru/PE.
  • Cristiane Matumoto, da REDETV!.
  • José Augusto Dias de Oliveira, Ibirubá/RS.
  • Rosenir Moura da Silva, do escritório Pinheiro Neto Advogados, São Paulo/SP.

 

Clarice Lispector – A hora da estrela no Museu da Língua Portuguesa

"Amo a língua portuguesa. (...) Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida".

Clarice Lispector fez uma declaração de amor ao idioma em seu livro A descoberta do mundo. Toda a obra da escritora foi baseada na busca pela palavra de significado preciso, a frase que traduzisse com exatidão a complexidade da experiência humana. Em outra das crônicas reunidas no livro, ela define:

"Não, não estou falando em procurar escrever bem: isso vem por si mesmo. Estou falando em procurar em si próprio a nebulosa que aos poucos se condensa, aos poucos se concretiza, aos poucos sobe à tona – até vir como um parto a primeira palavra que a exprima".

Assim, nada mais justo que o Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, do Governo do Estado de São Paulo, e gerida pelo Instituto Brasil Leitor, escolhesse a autora nascida na Ucrânia, mas criada em Pernambuco e no Rio de Janeiro, para o tema da mostra que marca um ano de sua inauguração.

Clarice Lispector – A hora da Estrela, inaugurada em 23 de abril e aberta ao público no dia seguinte, também marca 30 anos da morte da escritora, falecida em 1977, e de publicação da novela A hora da estrela, seu livro mais popular. A mostra ficará em cartaz até 2/9.

A exposição foi construída a partir do texto de Clarice. "É nas frases atordoantes – relâmpagos que subitamente iluminam o leitor – que a escritora revela o olhar agudo e, muitas vezes, perplexo com que examina a vida cotidiana", explica Antônio Carlos Sartini, superintendente-executivo do Museu da Língua Portuguesa.

Com curadoria de Júlia Peregrino e Ferreira Gullar e cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara, a exposição pretende revelar um pouco da alma e da obra da autora, que continua a ocupar, mesmo após três décadas de ausência, um lugar único na literatura brasileira. "Não é exagero afirmar que, ainda hoje, a leitura de seu livro de estréia – Perto do Coração Selvagem (lançado em 1943) – continua a revelar uma autora capaz de iluminar, intrigar e surpreender o leitor pela linguagem única e pela investigação sobre a condição humana", opina Antônio Carlos Sartini.

Na mostra, o espectador percorrerá espaços que apresentam um apanhado da vida e da obra de Clarice Lispector. "O objetivo é oferecer ao espectador uma introdução à riqueza do universo de Clarice. Quem conhece, irá desfrutar; quem não conhece, esperamos, será instigado a conhecer, ser um novo leitor de Clarice", explica a curadora Júlia Peregrino. "O espaço expositivo levará o visitante a uma viagem pela obra de Clarice Lispector, em um ambiente lúdico e que deverá ser explorado e descoberto", completa Sartini.

Logo na entrada, o público vai encontrar imagens ampliadas do rosto de Clarice Lispector impressas em filó preto, que revelam aos que se aproximam frases da escritora. Neste espaço, as pessoas poderão entrar na cabeça daquela que, na opinião do poeta Ferreira Gullar, "tentou dizer o indizível sabendo que não poderia fazê-lo".

Em outro ambiente, o visitante chega ao ambiente das questões cotidianas, tão presentes na obra de Clarice. A cenografia – um cômodo mobiliado com uma cama simples – remete à obra A paixão segundo G.H., que se passa dentro de um pequeno quarto de empregada. Outro espaço apresenta as identidades, interesses e momentos de vida de Clarice Lispector. Nele, estão referências aos seus pseudônimos, a maternidade, a vida como esposa de diplomata e sua paixão pelos bichos.

A exposição pretende traduzir o caráter reservado e introspectivo da autora através de uma ambientação intimista. Carteiras de identidade, cartas, manuscritos e cadernos de notas estarão em gavetas, que serão abertas pelo público para revelar o seu conteúdo. Todos os documentos exibidos pertencem ao Acervo Clarice Lispector, sob a guarda do Arquivo–Museu da Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa. A mostra também vai apresentar imagens de um documento e algumas fotos do Arquivo Nacional, assim como fotografias arquivadas no Instituto Moreira Salles.

Outros ambientes irão usar recursos audiovisuais. Em uma pequena sala, aprojeção de um inseto evoca cenas de G.H. e a discussão, intensamente presente nas obras da autora, sobre natureza e religiosidade. No último corredor da exposição, um vídeo, gravado especialmente para a mostra, apresenta freqüentadores do Parque da Luz, ao lado do Museu, lendo trechos de A Hora da Estrela.

Durante a mostra, serão realizadas atividades educativas dirigidas aos alunos de segundo grau. Assim, espera-se, novas gerações irão descobrir uma autora que até hoje oferece uma atualíssima reflexão sobre o indivíduo e suas relações com seus semelhantes.

Sobre Clarice Lispector:

Em 1976, o biógrafo e escritor José Castello (jornalista de O Globo na ocasião) perguntou a Clarice Lispector:

JC: "Clarice, por que você escreve?

CL: Vou responder com outra pergunta: por que você bebe água?

JC: Por que bebo água? Porque tenho sede.

CL: Quer dizer que você bebe água para não morrer? Pois eu também: escrevo para me manter viva!".

O diálogo demonstra o que o ato de escrever significava para Clarice: um ato vital, um ato natural, do qual ela não podia fugir.

Nascida na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920, Clarice veio para o Brasil com pouco mais de um ano.

Seu primeiro livro, Perto do coração selvagem, lançado quando ela tinha apenas 23 anos, provocou sensação. Nas palavras de Lauro Escorel, as características do romance revelam uma "personalidade de romancista verdadeiramente excepcional, pelos seus recursos técnicos e pela força da sua natureza inteligente e sensível".

Autora de 26 livros, traduzida em 15 línguas, a autora de A paixão segundo G.H. e Água viva influenciou a sua própria geração e as que vieram – o que não impediu que tivesse de fazer traduções e escrever crônicas e colunas femininas para ganhar a vida.

Clarice faleceu no Rio de Janeiro, em 1977, no dia 9 de dezembro, um dia antes de seu aniversário. Mas a sua atualidade é comprovada pelas contínuas reedições de seus livros e as muitas adaptações de seus textos para o cinema, o teatro e outros meios expressivos.

Sobre o Museu da Língua Portuguesa:

Inaugurado em março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, foi criado pela Fundação Roberto Marinho no prédio da Estação de Luz, no Centro de São Paulo.

Com aproximadamente 4 mil metros quadrados abertos para a visitação, o Museu da Língua Portuguesa apresenta ao público a história, a importância e as variações da língua Portuguesa, considerando-a como grande elo da identidade cultural do povo brasileiro. Além disso, oferece cursos para professores, estudiosos e público em geral, tudo sob a gestão do Instituto Brasil Leitor.

Durante seu primeiro ano, o Museu recebeu 580 mil visitantes.

Museu da Língua Portuguesa

Serviço:

Endereço:

Praça da Luz, s/nº, Centro

São Paulo – SP

CEP: 01120-010

Contatos:

Telefone: (11) 3326-0775

E-mail: museu@museudalinguaportuguesa.org.br

Site: (clique aqui)

Horários

Bilheteria: de terça a domingo, das 10 às 17hs

Museu: de terça a domingo, das 10 às 18hs (não abre às segundas-feiras)

Ingresso: R$ 4,00 (quatro reais) – pagamento somente em dinheiro
Estudantes com carteirinha pagam meia-entrada
Isentos do pagamento de ingresso:

      • Professores da rede pública com holerite e carteira de identidade;
      • Crianças até 10 anos;
      • Adultos a partir de 60 anos.

Não há venda antecipada de ingresso

Aos sábados a visitação ao Museu é gratuita.

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