Quarta-feira, 16 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Caso Jean Charles - Advogada questiona fotomontagem

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007


Caso Jean Charles

Advogada questiona fotomontagem

Harriet Wistrich, advogada da família de Jean Charles de Menezes, disse ter pedido ao Ministério Público britânico (CPS, ou Crown Prosecution Service, em inglês) que investigue a maneira como a polícia fez uma montagem unindo metade do rosto do brasileiro e metade do rosto do suspeito Hussain Osman, como uma forma de mostrar o quanto eles seriam parecidos.

A polícia londrina está sendo julgada pela acusação de violar regras de saúde e segurança do público na operação do dia 22 de julho de 2005, que terminou com a morte de Jean Charles, confundido com um suposto homem-bomba.

O incidente aconteceu duas semanas após os atentados que mataram dezenas de pessoas na cidade e um dia após novos ataques frustrados.

Wistrich questionou o uso da imagem no tribunal dizendo que "quando você contrata um especialista para juntar duas imagens, pode haver algum tipo de distorção ou manipulação".

"Além disso, a foto de Jean Charles não era recente e a de Osman não é a que foi distribuída para os policiais no dia em questão. A que eles receberam era uma foto do cartão de uma academia de ginástica, em que ele estava bem diferente", explicou a advogada à BBC Brasil.

A foto distribuída para os policiais

Alex Alves, primo de Jean Charles, também criticou a fotomontagem, que, segundo ele, faz Jean Charles e Osman "parecerem irmãos gêmeos, quando, na verdade, eles são completamente diferentes".

A polícia disse que "a fotografia foi apresentada ao júri e que quaisquer dúvidas sobre sua veracidade devem ser dirigidas ao tribunal".

Mudança de planos

Na audiência desta sexta-feira, o júri ouviu o depoimento de um oficial sênior da unidade antiterrorista, o detetive Jon Boutcher, que participou da operação de 22 de julho.

Ele disse que as ordens do comando da operação mudaram várias vezes ao longo do dia.

Quando Jean Charles deixou o bloco de apartamentos onde morava, ele foi descrito como "idêntico" ao suspeito.

"Logo eu fui informado que não se acreditava mais que ele fosse Hussain Osman", disse o policial ao tribunal.

"Uma decisão de ir adiante foi então tomada...uma equipe iria adiante e pararia a pessoa que saiu do prédio. Aí então ficou aparente pelo monitoramente da vigilância que agora se acreditava que o homem era Hussain Osman".

Tiros

Boutcher afirmou ainda que as ordens da comandante Cressida Dick eram de que Jean Charles deveria ser preso antes de entrar no metrô por oficiais de vigilância, já que a unidade armada ainda não estava em posição de agir.

Mas que, em seguida, ela foi informada de que os policiais armados já estariam no local.

"Eu esperava que a intervenção acontecesse na entrada da estação de metrô. Era uma área bastante ampla", disse o detetive Boutcher.

Mas a equipe de vigilância então anunciou que o suspeito já estava descendo as escadas rolantes e a comunicação foi cortada porque os policiais entraram no metrô.

"Aí um alto conselheiro tático nos informou que o homem havia sido atingido", disse Boutcher ao tribunal.

Jean Charles levou sete tiros na cabeça dentro de um vagão do metrô, enquanto passageiros fugiam desesperados.

No início do julgamento, que deve durar seis semanas, o tribunal ouviu que o brasileiro morreu na estação de metrô de Stockwell por causa de uma série de "falhas básicas" no planejamento da polícia.

No entanto, a polícia alega que a morte foi "a culminação de uma série de coincidências trágicas e imprevisíveis".

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Fonte: BBC Brasil
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