Domingo, 26 de maio de 2019

ISSN 1983-392X

Resultado do Sorteio de obra "O Discurso do Telejornalismo de Referência: Criminalidade Violenta e Controle Punitivo"

segunda-feira, 26 de novembro de 2007


Sorteio de obra

Migalhas tem a honra de realizar o sorteio da obra "O Discurso do Telejornalismo de Referência: Criminalidade Violenta e Controle Punitivo" (287 p.), escrita por Marco Antonio Carvalho Natalino. A obra foi gentilmente oferecida pelo IBCCRIM - Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

Sobre a obra :

Um grande número de fenômenos relacionados às percepções da sociedade na esfera da criminalidade é objeto de reflexão pelos cientistas sociais. O avanço do direito penal, a proliferação de movimentos sociais preocupados com a violência em todos seus matizes, a estigmatização de grupos e áreas urbanas, os baixos índices de tolerância social para com os crimes, a continuidade de concepções autoritárias sobre o papel da polícia e do sistema de segurança pública após a redemocratização; é possível afirmar que todos esses fenômenos são em maior ou menor grau influenciados pelas representações sociais sobre a criminalidade, a violência e os aparelhos estatais de controle social.

Todos são condicionados pela sensibilidade ao risco presente na sociedade, pelo sentimento subjetivo de risco. Trata-se aqui de conceber a criminalidade violenta e sua repressão como fenômenos também simbólicos, balizando os conhecimentos, discursos e ações dos agentes do mundo. Pesquisas no Brasil e no exterior demonstram que a relação entre o índice de criminalidade e o sentimento subjetivo de medo do crime não é causal simples (e.g. Sá, 2001; Peixoto, 2003) – trata-se antes de uma relação complexa e mediada. Mudanças na realidade social são sempre devedoras de mudanças nas representações sobre essa mesma realidade; um sentimento de risco, medo ou mesmo desejo de vingança não é conseqüência direta da criminalidade, sendo constituído na representação desta criminalidade construída pelos grupos sociais difusores.

Isso significa afirmar que a representação da criminalidade é construída por diversas esferas institucionais que mediam a transferência da informação dos eventos relevantes para os agentes sociais. Os aparelhos de controle social formal, especialmente a polícia, produzem diariamente conhecimento desse tipo. O leque de conhecimentos gerados por esses aparelhos sobre eventos de criminalidade violenta é amplo. Mais amplo ainda é o leque de eventos que não chegam ao conhecimento desses aparelhos, que operam assim uma primeira construção simbólica da realidade violenta.

Entretanto, seus discursos só ganham amplitude na medida em que são incorporados por outros campos. As redes sociais constituídas por relações de parentesco, amizade, vizinhança ou contato profissional são locais de circulação dessas informações, amplificando os conhecimentos sobre eventos específicos, como o assalto de um colega de trabalho, ou o assassinato de um vizinho de bairro.

Entre as questões investigadas pelos estudos sociocriminológicos contemporâneos, a produção das notícias sobre crimininalidade e segurança publica pela mídia, e o seu impacto sobre as representações sociais, é sem dúvida uma das mais relevantes, embora ainda pouco investigada.

Como lembra o criminológico espanhol Francesc Barata, o surgimento do saber criminológico moderno, no final do século XIX, foi concomitante a uma nova realidade comunicativa, com a aparição dos peridiódicos de massa. Naquele momento, saber criminológico e notícia criminal confluíam para a formação de um novo olhar sobre o delito e os ilegalismos, que propiciou as primeiras reflexões sobre o papel dos novos meios de difusão, vinculadas ao positivismo criminológico italiano. E mesmo com os posteriores acréscimos analíticos derivados do desenvolvimento das teorias de comunicação, foi somente a partir dos anos setenta do século XX, e do impacto da Nova Criminologia, que surgem as investigações mais relevantes sobre o tratamento dado pela mídia à criminalidade.

Sobre o autor :

Marco Antonio Carvalho Natalino é bacharel em Ciências Sociais e Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foi membro do Grupo de Pesquisa Violência e Cidadania. Desde 2006 trabalha como Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental na Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da Republica.

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Resultado :

  • Alexandre Reis de Carvalho, promotor de justiça em Curitiba/PR

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