Domingo, 26 de janeiro de 2020

ISSN 1983-392X

Alberto Fujimori é condenado a seis anos de prisão

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi condenado nesta terça-feira a seis anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 400 mil novos sóis peruanos (cerca de R$ 240 mil) por abuso de poder.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007


Direitos Humanos

Alberto Fujimori é condenado a seis anos de prisão

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi condenado nesta terça-feira a seis anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 400 mil novos sóis peruanos (cerca de R$ 240 mil) por abuso de poder.

Fujimori foi considerado culpado de ter ordenado, sem o devido mandado, uma busca na casa da mulher de seu ex-chefe de inteligência, Vladimiro Montesinos, em novembro de 2000, para recuperar dezenas de fitas de áudio e vídeo comprometedoras.

Segundo o correspondente da BBC em Lima, Dan Collyns, essas fitas, que a imprensa peruana apelidou (na época) de Vladi Videos, haviam sido gravadas em segredo por Montesinos e mostravam imagens em que ele próprio subornava jornalistas e políticos.

Montesinos, que está preso há seis anos, disse que gravou as fitas a mando de Fujimori.

Recurso

A acusação pedia pena de sete anos de prisão para Fujimori. A defesa buscava uma pena máxima de quatro anos.

A leitura da sentença do juiz Pedro Guillermo Urbina, da Suprema Corte do Peru, foi transmitida ao vivo pela TV local e durou cerca de três horas.

Ao final, o ex-presidente disse: "Apresento recurso de apelação parcial a respeito da pena e da reparação civil".

Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, é o primeiro ex-presidente do país a ser condenado à prisão por crimes cometidos durante o mandato.

Gritos no tribunal

A acusação de abuso de poder é a menor que o ex-presidente enfrenta.

Nesta quarta-feira, deverá ter prosseguimento o julgamento de Fujimori por seu suposto envolvimento na morte de 25 pessoas e no seqüestro de dois opositores durante seu governo.

Esse julgamento foi iniciado na segunda-feira, mas teve de ser interrompido depois que o ex-presidente de 69 anos sofreu uma crise de hipertensão após se defender aos gritos das acusações.

"(...) em meu governo se respeitam os direitos humanos de 25 milhões de peruanos, sem exceção. Se foram cometidos alguns atos execráveis, eu os condeno, mas não foram ordem deste que fala", disse Fujimori quando o presidente do tribunal, César San Martín, perguntou se ele aceitava as acusações de violação de direitos humanos .

"Por isso rejeito as acusações totalmente, sou inocente (...)", gritou o ex-presidente.

Crimes

Os crimes de que Fujimori é acusado nesse processo ocorreram nos seus primeiros anos de governo, quando ele iniciou uma campanha contra o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso.

Em novembro de 1991, uma milícia formada por membros do Exército, o chamado Grupo Colina, invadiu um churrasco em Barrios Altos, uma área proletária da capital do Peru, Lima, e matou 15 pessoas.

Em julho de 1992, o grupo invadiu a universidade de La Cantuta, nos arredores de Lima, e deteve nove estudantes e um professor. Eles foram levados do local e executados sumariamente.

A promotoria acusa Fujimori de ter planejado, organizado e dirigido os massacres cometidos pelo Grupo Colina e pede pena de 30 anos de prisão.

Outros julgamentos

Fujimori deixou o Peru em 2000 e fugiu para o Japão, em meio a acusações de corrupção.

Em novembro de 2005, foi para o Chile. Sua intenção era permanecer temporariamente no país até conseguir retornar ao Peru para disputar as eleições presidenciais de 2006. No entanto, foi detido ao desembarcar em Santiago.

Em setembro deste ano, depois de um longo processo, a Suprema Corte do Chile determinou sua extradição para o Peru.

Alguns peruanos acreditam ser injusto que Fujimori seja tratado como criminoso, já que, segundo eles, o ex-presidente transformou a economia e derrotou o Sendero Luminoso.

Outros alegam que ele usou o estado de emergência para justificar seu governo repressivo e roubou milhões de dólares do país.

Fujimori também deve responder a outros julgamentos, ainda sem data marcada, por crimes de corrupção.

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Fonte: BBC Brasil
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