Segunda-feira, 21 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Operação da PF prende nove em SP. Advogado é suspeito de desvio de recursos do BNDES

quinta-feira, 24 de abril de 2008


Operação Santa Tereza

Operação da PF prende nove em SP. Advogado é suspeito de desvio de recursos do BNDES

A Polícia Federal realizou hoje operação para desmantelar organização criminosa suspeita de praticar crimes de tráfico local e internacional de mulheres e explorar prostituição. Durante a operação denominada "Operação Santa Tereza", prendeu um dos advogados mais famosos de São Paulo, Ricardo Tosto. Ele é acusado de participar de um esquema de desvio de recursos do BNDES. Outras oito pessoas foram presas na operação.

Segundo a PF, os desvios chegavam a 5% dos valores que eram emprestados a prefeituras. Um dos empréstimos no qual teria sido flagrado o desvio era de R$ 130 milhões, para uma prefeitura do Estado de São Paulo. Outro empréstimo investigado, de R$ 220 milhões, foi concedido a uma empresa conhecida de varejo.

Tosto, que tem entre seus clientes o deputado federal Paulo Maluf, é conselheiro do BNDES. Ele representa a Força Sindical no conselho do banco. O advogado foi preso no âmbito da Operação Santa Tereza. Inicialmente, o alvo da PF era tráfico de mulheres e prostituição. Segundo uma das versões da PF, Tosto foi apanhado numa conversa telefônica falando sobre o esquema no BNDES com uma prostituta. A partir dessa conversa, a investigação foi aprofundada.

Nove pessoas haviam sido presas até as 12h. A PF fazia busca e apreensão em 18 locais, entre os quais o escritório de Tosto, no bairro Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo.

O advogado Maurício Silva Leite, sócio de Tosto, diz que só confirma a operação de busca e apreensão no escritório. Segundo ele, Tosto estava na PF prestando esclarecimentos. Silva Leite tentava na hora do almoço ter acesso ao inquérito, que corre na 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo. "Pelo que li até agora, as acusações não têm pé nem cabeça", disse Silva Leite.


Advogado Ricardo Tosto preso pela PF na manhã de hoje.

Prostituição

As investigações que resultaram na operação começaram em dezembro de 2007 para apurar denúncias sobre tráfico de mulheres e exploração de prostituição. Em nota, a PF afirma que desde o início da apuração, os policiais constataram que alguns dos investigados mantêm uma casa de prostituição em São Paulo, com faturamento elevado e traficam mulheres no país e no exterior.

"O prostíbulo somente se mantém em funcionamento porque seus proprietários oferecem, de forma contínua, vantagens ilícitas a autoridades e servidores públicos responsáveis pela fiscalização. Contra essa prática criminosa as investigações serão aprofundadas", diz um trecho da nota.

BNDES

Ao longo das investigações, os policiais apuraram a existência de um esquema de desvio de verbas de financiamento do BNDES. A PF informou, por meio da assessoria de imprensa, que uma quadrilha – composta por empresários, empreiteiros, advogados e servidores públicos – é suspeita de obter empréstimos do banco e desviar parte dos valores em benefício próprio.

A PF afirma ter provas de que, pelo menos, dois financiamentos concedidos pelo BNDES neste ano foram fraudados – um deles de R$ 130 milhões foi concedido a uma prefeitura do interior do estado e outro, de cerca de R$ 220 milhões, a uma grande empresa do ramo varejista.

As investigações apontam que cerca de 4% dos valores foram desviados de cada financiamento. Como os empréstimos são concedidos de forma parcelada, explica a PF, a cada parcela ocorre um desvio.

O desfalque de dinheiro é justificado ao BNDES com a apresentação de notas fiscais falsas, de serviços de consultoria empresarial que não se realizaram. As investigações indicam também evidências de práticas de licitações fraudulentas em, pelo menos, duas prefeituras paulistas.

Até as 13h50 a assessoria do BNDES, informou que o banco ainda não havia sido informado oficialmente sobre as prisões.

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  • Clique aqui para assistir ao vídeo da reportagem sobre o caso.

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Fontes: Folha Online e G1
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