Quinta-feira, 21 de março de 2019

ISSN 1983-392X

Na cabeça

Maria Bonomi é destaque no Estadão de hoje

sexta-feira, 5 de novembro de 2004

Na cabeça

Maria Bonomi é destaque no Estadão de hoje. A artista plástica é uma das entrevistadas na matéria sobre a atual moda dos cabelos brancos.

Leia a íntegra da matéria.

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De cabelos brancos, com orgulho

Mulheres desafiam onda que leva até homens a tingir e assumem look natural

Regina Buongermino é professora, tem 55 anos. Sua amiga Rosiris da Silva Prado, de 56, é dona de casa, assim como Florinda Mendagolli Rensende, de 67. Maria Bonomi, de 69, é artista plástica. Há a professora Ana Tereza Pinto de Oliveira, de 56, e a paisagista Luciana Cecchi, mais nova, 41. O que elas têm em comum? Apesar da insistência de amigas, dos cabeleireiros e da pressão generalizada, mantêm seus cabelos brancos, lindos, sem nenhuma gota de tinta.

Diferentes da maioria, elas são grisalhas com orgulho, por uma questão de atitude, falta de paciência com cabeleireiro, praticidade, marca pessoal. Ou num misto de tudo. E não pretendem mudar – são a vanguarda, segundo cabeleireiros, de uma espécie de novo conceito de beleza rebelde. “Acho que é a repetição do que eu fazia nos anos 70, quando pouca gente pintava e eu estava cada vez com os cabelos de uma cor. Minha mãe dizia que eu ia ficar careca de tanta química”, diz Regina. “Continuo sendo diferente.”

Para Maria Bonomi, “é um charme diferente” do de quem usa tinturas sempre parecidas. “É o jogo da verdade, não quero que pensem que sou mais velha, menos velha ou estou fingindo ou fantasiando uma idade. Para mim verdade é um fator absoluto e obrigatório”, diz a artista plástica, que acaba de chegar de Milão, com os cabelos cortados pelo cabeleireiro Petris, que mexe na cabeça de atrizes de cinema e modelos mais famosas da Europa. “Gosto do meu cabelo assim. É apenas um cabelo natural, por que não? Aliás, dizem que os cabelos só branqueiam quando a parte do corpo que você mais usa é a cabeça.”

Cabelos brancos como os da atriz Glória Menezes na novela das oito Senhora do Destino, vivendo Laura, mulher do barão Pedro – casal que é o retrato do envelhecimento feliz –, ganham fãs. Como a comerciária Maria Luiza Keunecke Salerno, de 55 anos, grisalha assumida há 4 meses. “Eram vermelhos e cacheados, quando pintei pela última vez. Última mesmo, não pinto nunca mais”, diz ela. “Meu dermatologista me ensinou a passar vinagre branco no último enxágüe para não amarelarem.”

Se deixar branco dá trabalho, agüentar a pressão social dá mais. “Acho que é umato de coragem”, diz a professora universitária Ana Tereza. “A pressão parou quando eu disse aos gritos a minhas amigas que elas queriam que eu pintasse os cabelos porque meu branco revelava a idade de todas nós”, diz Regina.

História contrária à da dona de casa Florinda, grisalha a pedido do marido. “Desde que começaram os primeiros brancos, ele diz que fica bonito assim”, conta. “E olha com tanto carinho que não tenho coragem de mudar a cor.”

Se tingir é um jeito colorido de tentar esconder a idade, a comerciária Maria Luiza retruca: branco é questão de atitude diante da pressão social antivelhice. “Você tem de se gostar do jeito que é, não adianta pintar cabelo e esticar o rosto, as mãos denunciam a idade. Cada um deve decidir qual é o seu padrão e segui-lo.”

Sem tinta, mas com bom corte e muito cuidado

Não pintar o cabelo não é sinônimo de descuidar. Xampus, cremes e até a alimentação fazem diferença para cabelos brancos bonitos e com vida. “Uso produtos de uma linha francesa, faço escova e hidratação. Mas é tudo rápido, nada que me faça ficar horas no cabeleireiro”, diz a professora Ana Tereza Pinto de Oliveira.

Durante muito tempo a paisagista Luciana Cecchi passou henna. Depois, assumiu o que chama de “look natural”, com um corte moderno. “Uma vez por mês vou ao cabeleireiro para não perder o corte. Cabelo branco não pode ser sinônimo de desleixo”, diz.

Ela se cuida e muito, entregando os cabelos a Ricardo Cassolari, dono do L’autre Femme. “Os fios brancos ficam mais difíceis, arrepiam mais”, diz Cassolari. Contra o amarelado, o cabeleireiro e consultor de cosmética aconselha xampus especiais para cabelos superclaros. E mais as pomadas de uso sem enxágüe para controlar o arrepiado natural aos fios brancos.

Arrumar os cabelos é outro desafio, diz Charles Veiga, do cabeleireiro MGHair. “O fio fica mais grosso, a estrutura sem muita forma. O ideal é usar bons xampus e condicionadores e fazer um belo corte.”

Mas Ricardo Potye, cabeleireiro e técnico da Paul Mitchel e da Lanza, alerta: “Os xampus para cabelos brancos, geralmente azulados, devem ser usados com cuidado, apenas uma ou duas vezes por semana.”

“As marcas do tempo em um cabelo bem cuidado deixam as mulheres ainda mais bonitas.” A frase é domédico tricologista (especialista em pêlos) Luciano Barsanti, diretor do Instituto do Cabelo. “Não há nada mais bonito do que uma mulher de cabelos brancos bem tratados.” A estrutura dos fios não muda quando eles clareiam. “O arrepiado fica mais evidente, mas os fios não ficam mais grossos nem rebeldes.”

Suas dicas: “Usar produtos neutros, não fumar, evitar secador, exposição ao sol, cloro de piscinas e ter uma alimentação rica em fibras.” Contra o arrepiado, ele recomenda produtos à base de silicone. “Eles fecham as escamas do cabelo, o que diminui o efeito da estática.”

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