Quinta-feira, 21 de março de 2019

ISSN 1983-392X

O promissor mercado de carbono

Apesar de só agora o Protocolo de Kyoto se consolidar

sexta-feira, 19 de novembro de 2004

O promissor mercado de carbono

Apesar de só agora o Protocolo de Kyoto se consolidar, empresas nacionais já vêm investindo no setor

A consolidação do mercado de carbono – que se torna definitivo com a recente adesão da Rússia ao Protocolo de Kyoto – traz a promessa de lucros para as empresas que estão desenvolvendo projetos em energias renováveis e reflorestamento.

Agora, investir em meio ambiente poderá garantir um retorno financeiro palpável. No entanto, empresas de diferentes segmentos já vinham tecendo seus projetos em aterros sanitários, co-geração de energia e substituição de combustíveis fósseis por alternativas mais limpas.

A novidade que sinaliza o pioneirismo e as possibilidades do Brasil nesse campo é o projeto Nova Gerar, no aterro sanitário de Nova Iguaçu (RJ). A empreitada está prestes a ser a primeira credenciada pela ONU em todo o mundo para comercializar certificados de emissão reduzida (CERs) – os chamados créditos de carbono. O Comitê Executivo de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, órgão da ONU encarregado de aprovar as iniciativas com esse fim, dará hoje seu parecer sobre o projeto.

Se não forem necessários novos ajustes, a Nova Gerar (uma joint venture entre a inglesa EcoSecurities e a SA Paulista, operadora do aterro) estará oficialmente apta a começar a procurar compradores para os certificados.

A proposta é reduzir as emissões dos gases metano e dióxido de carbono, proveniente do lixo em decomposição, por meio do aproveitamento energético. Isso é possível a partir de um sistema de coleta do gás e uma usina modular, que tem capacidade instalada para produzir 12 MW.

Essa configuração evitará o lançamento na atmosfera de 11,8 milhões de toneladas de carbono pelos próximos 20 anos. Os recursos necessários virão de financiamento do Banco Mundial: US$ 10 milhões na compra de equipamentos e outros US$ 7 milhões com gastos com operação e manutenção.

“A geração de energia a partir de aterros sanitários é uma grande oportunidade de obtenção de recursos a partir de um problema sério, que é o lixo no Brasil”, afirma Nuno Silva, diretor da EcoSecurities, empresa especializada em projetos de geração de energia a partir de fontes limpas.

Para Hubmaier Andrade, diretor de Energia e Processo do Bureau Veritas Quality International (BVQI), que atua no ramo de certificações, o Brasil tem condições de vender 18% dos créditos de carbono que serão negociados no mundo todo. “Com a adesão da Rússia ao protocolo, caiu o grau de incerteza para os agentes financeiros. Agora esse mercado vai se firmar”, diz.

A Usina Bandeirantes, em São Paulo, também aposta no aproveitamento do gás do lixo para produzir energia elétrica. Inaugurada junto do aterro sanitário Bandeirantes, está em operação desde janeiro e produz 14 MW, mas tem capacidade para 20 MW. O aterro, que recebe a metade do lixo urbano produzido na capital paulista, deve chegar à saturação em 2006, quando terá acumulado 30 milhões de toneladas de resíduos.

Antes da inauguração da usina, o gás metano era queimado sem aproveitamento do potencial energético. Durante os próximos 15 anos, prazo previsto no contrato de operação da usina, estima-se que 8 milhões de toneladas desse gás deixarão de ser lançados na atmosfera.

Para Adriano Diogo, secretário Municipal de Meio Ambiente de São Paulo, a oportunidade de gerar energia a partir dos aterros deve viabilizar a recuperação dessas áreas.

A Prefeitura vai lançar editais para licitação de consórcios interessados em recuperar os cinco aterros cuja vida útil já foi encerrada: Vila Albertina, Sapopemba, Santo Amaro, São Mateus e Jacuí. A concessão prevê o aproveitamento do biogás e a futura transformação dos locais em áreas de lazer.

Segundo Diogo, o pleno aproveitamento das possibilidades do lixo deverá mudar a forma de gerenciamento. “Num futuro próximo, os aterros serão muito mais controlados”, diz.

A substituição de combustíveis fósseis na indústria por outros de matriz renovável também terá estímulo com o Protocolo de Kyoto em vigor. A Vallourec & Mannesmann (V&M) do Brasil apostou no carvão vegetal, em detrimento do coque (carvão mineral) ainda em 2001. “Mesmo quando o carvão mineral se mostrou uma alternativa mais econômica, mantivemos nossa opção pelo vegetal, menos poluente”, afirma Guilherme Freitas, assessor de meio ambiente da V&M do Brasil.

No ano passado, a empresa firmou o primeiro acordo entre as siderúrgicas brasileiras para venda de créditos de carbono ao governo holandês, com intermediação do International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial. Serão 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, que renderão €15 milhões.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 17/11/04.

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