sexta-feira, 25 de setembro de 2020

COLUNAS

Bater, Dar e Soar - Como concordar?

A leitora Verônica Nogueira envia a seguinte mensagem ao autor de Gramatigalhas:

"Esclareça minha dúvida: 'O relógio deram duas horas' ou 'O relógio deu duas horas'? E quando o verbo é soar, como fica? Desde já agradeço."

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1) No que respeita à concordância verbal, com referência às horas, os verbos bater, dar e soar podem ser construídos de dois modos.

2) Em primeira possibilidade de construção, a palavra relógio é o sujeito, e a hora funciona como objeto direto. Exs.: a) "O relógio deu uma hora"; b) "O relógio deu duas horas"; c) "Os relógios deram uma hora"; d) "Os relógios deram duas horas"; e) "O relógio bateu uma hora"; f) "O relógio bateu duas horas"; g) "Os relógios bateram uma hora"; h) "Os relógios bateram duas horas"; i) "O relógio soou uma hora"; j) "O relógio soou duas horas"; k) "Os relógios soaram uma hora"; l) "Os relógios soaram duas horas".

3) Em segunda possibilidade de estrutura, o número de horas faz a função sintática de sujeito, enquanto o relógio passa a ter a função sintática de adjunto adverbial de lugar, não importando a ordem em que se colocam os termos na oração: a) "No relógio deu uma hora"; b) "No relógio deram duas horas"; c) "Nos relógios deu uma hora"; d) "Nos relógios deram duas horas"; e) "No relógio bateu uma hora"; f) "No relógio bateram duas horas"; g) "Nos relógios bateu uma hora"; h) "Nos relógios bateram duas horas"; i) "No relógio soou uma hora"; j) "No relógio soaram duas horas"; k) "Nos relógios soou uma hora"; l) "Nos relógios soaram duas horas".

4) Vale sintetizar com a lição de Mário Barreto, para quem tais verbos podem, nessa estrutura, empregar-se: a) "Como transitivos (diretos) e com a palavra relógio como sujeito". Exs.: "Nisto, deu três horas o relógio da botica" (Camilo Castelo Branco); b) "Toma-se como sujeito o número que designa a hora, com o que o verbo dar passa a significar soar". Ex.: "Nove horas deram há muito" (Almeida Garrett).

Atualizado em: 1/1/1900 12:00

COORDENAÇÃO
José Maria da Costa

José Maria da Costa, é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.