domingo, 27 de setembro de 2020

COLUNAS

Beabá, be-a-bá, bê-á-bá ou be-á-bá?

O leitor João Resende envia à coluna Gramatigalhas a seguinte mensagem:

"Qual a forma correta: beabá, be-a-bá, bê-á-bá, be-á-bá?".

Envie sua dúvida


1) Um leitor indaga, em síntese, qual a forma correta: beabá, be-a-bá, bê-á-bá, be-á-bá?

2) Inicia-se esta resposta com a observação de que, entre nós, a Academia Brasileira de Letras é o órgão incumbido, por delegação legal, desde a lei 726/1900, de definir a existência, a grafia oficial, o gênero e as peculiaridades dos vocábulos em nosso idioma, e o referido órgão, para atender a essa delegação legal, o faz oficialmente pela edição física, de tempos em tempos, do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Mais modernamente, ela também tem disponibilizado, em seu site pela internet, o rol dessas palavras e expressões oficialmente existentes.

3) Com essa anotação como premissa, segue-se dizendo que uma consulta à referida obra revela que nela se registram beabá e bê-á-bá1, porém não as demais.

4) E isso significa, em última instância, que tais formas registradas no VOLP existem oficialmente em nosso idioma e são consideradas corretas; qualquer outra forma, entretanto, não.

5) Em primeira observação complementar, anota-se que os respectivos plurais desses vocábulos são beabás e bê-á-bás.

6) Em segunda ponderação complementar, anota-se que tanto o Dicionário Aurélio2quanto o Dicionário Houaissregistram bê-á-bá, mas não beabá. A esse respeito, entretanto, deve-se esclarecer que os dicionaristas, sem sombra de dúvida, prestam relevantes serviços ao vernáculo; não são eles, porém, as autoridades para dizerem, com valor oficial, acerca da existência ou não de algum vocábulo em nosso idioma, bem como acerca de sua correção, de sua grafia ou de suas peculiaridades, e sim a Academia Brasileira de Letras, de modo que, na divergência entre tais dicionaristas e o VOLP nesse campo, há de prevalecer o que se registra neste último.

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1 Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Imprinta, 2004, p. 110.

2 FERREIRA. Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010, p. 295.

3 HOUAISS. Antônio (Organizador). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001, p. 420.

 

Atualizado em: 16/9/2020 08:55

COORDENAÇÃO
José Maria da Costa

José Maria da Costa, é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.