Migalhas

Sábado, 22 de fevereiro de 2020

ISSN 1983-392X

Porandubas Políticas
Gaudêncio Torquato

Porandubas nº 516

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Abro com uma pequena lição de sabedoria.

O sábio estava quieto em seu canto. Uma pessoa chegou junto dele e travou a seguinte conversa :

- Mestre, qual é o grande segredo da felicidade ?

- Não discutir com gente idiota.

- Não acho que seja esse o grande segredo.

- Tem razão.

SP 1º cenário

Em Brasília, começa a surgir a primeira moldura política para 2018 em São Paulo. Aliança PMDB/PSDB. Sob essa hipótese, a chapa seria : Serra para o governo do Estado ; Marta e Skaf para Senado. Isso teria como pano de fundo chapa Federal : Temer para presidente e Aécio Neves como vice. Condição, é claro : sucesso absoluto do governo Temer. Outros partidos, como o PSD, formariam a aliança. Vamos acompanhar !

E Alckmin ?

Resta ao governador a alternativa de ser candidato à presidência pelo PSB do vice Marcio França. Que seria candidato a governador de Alckmin.

Lava Jato a jato

A operação Lava Jato caminhará célere, ao contrário do que gostaria a frente política. A presidente do STF, Cármen Lúcia, homologou as delações de 77 executivos da Odebrecht, incluindo a de seu ex-presidente Marcelo. O caminho para a escolha do relator está totalmente desobstruído. As investigações entram na fase propriamente política da operação, suscitando dúvidas e muita inquietação. A bola, agora, está com o procurador Rodrigo Janot, que prosseguirá com as investigações. Vai examinar as provas e cada delação.

A escolha do relator

Tudo leva a crer que o ministro Edson Fachin irá para a segunda turma do Supremo Tribunal Federal, à qual pertencia Teori Zavascki. E a escolha do relator da Lava Jato sairia desta turma. Porém, o encaminhamento para sorteio no Plenário ainda não está descartado. A conferir. 

Barão

- Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.

- Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

- A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.

A miríade de citados

A inquietação continua : quantos nomes aparecerão na relação de envolvidos ? 50, 100, 150, 200 ? Os políticos, a essa altura, preferem a alternativa : quanto mais nomes, melhor. Afinal, é mais complexa a tarefa de punir um conjunto avantajado de políticos do que um número reduzido. A banalização dos casos acabaria atenuando o impacto.

A identidade das doações

Os políticos trabalham, ainda, com a ideia de falta de clareza quanto aos recursos que teriam sido a eles destinados. Os partidos poderiam, por exemplo, comprovar a entrada legal de recursos. Parcela dos recebimentos também poderia ser considerada "Caixa dois". Tende-se a considerar essa modalidade de financiamento de campanha com parte do "DNA" da política. A horizontalização da prática, se essa for a via principal das doações, causaria menor impacto do que a propina, que embute jogadas pesadas no vasto campo de tramóias, corrupção e interesses negociados.

Vazamentos

Pressões e contrapressões circundarão essa fase de investigações da Lava Jato. A inferência emerge naturalmente : haverá vazão de informação. Há alas que se interessam em adiantar o assunto. A mídia abrirá imenso espaço para o destampatório. Documentos sigilosos chegarão às redações. Essas conclusões decorrem do que vimos até o momento. Em todas as fases da Lava Jato, vazamentos ocorreram.

Vingança, mentiras, verdade

Alguns nomes que começam a aparecer na lista da delação dos 77 executivos da Odebrecht já expressam as primeiras respostas : uns dizem ser mentirosa a delação ; outros falam em vingança por não terem atendido os pleitos de delatores na época em que os fatos ocorreram ; e um terceiro grupo tende a aceitar a ideia de que houve realmente a doação para a campanha, mas os recursos foram devidamente assinalados nas planilhas entregues aos Tribunais Eleitorais. Onde estará a verdade ?

Eike e o simbolismo

Eike Batista, que já foi considerado o homem mais rico do Brasil e um dos 30 maiores bilionários do planeta, está preso numa cela comum do presídio Bangu 9, no Rio de Janeiro. De cabeça raspada, o empresário desce dos píncaros da glória para o porão profundo dos cárceres brasileiros. A liturgia da prisão será escancarada. O simbolismo reforça a ideia de que nossa Justiça funciona. Todos são iguais perante a lei. Será a lição repetida de maneira exaustiva. P.S. 1. O detalhe chama atenção : por não ter curso superior, Eike está trancafiado em cela comum. A prisão jamais deve ter passado por sua cabeça. P.S. 2 Eike disse : "Lava Jato está passando o Brasil a limpo".

Tudo como dantes ?

Tudo como dantes no quartel de Abrantes. O ditado quer dizer : nada mudou. Tudo é como antes. No caso do Brasil, podemos garantir que nada será como antes. O processo eleitoral, por exemplo. Não veremos, como já ocorreu na última eleição, dinheiro saindo pelo ladrão. Antes, havia propina, caixa dois, recursos abundantes jorrando sobre as campanhas. A Lava Jato está limpando a grande área do campo da política.

A história

E de onde vem o ditado ? Napoleão ordena a Portugal fechar portos aos navios ingleses. D. João, o príncipe regente, resiste, adia. Napoleão manda que seu general Jean Junot leve 28 mil homens para Portugal. Junot invade Abrantes e aí instala seu quartel-general. Faz-se Duque d'Abrantes. Assume a Regência em nome de Napoleão. A resistência é enorme. A 6 de agosto de 1808, o general inglês Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington) desembarca na baía dos Vagos e inicia reação aos franceses. Portugal se livra da ocupação, mas suas riquezas acabam indo para a França. D. João volta e deixa o filho no Brasil para construir a Nação. Mas no quartel de Abrantes, tudo estava como dantes, nas mãos dos franceses. A inoperância formou o provérbio.

Maia reeleito

Rodrigo Maia será reeleito presidente da Câmara. E o STF não questionará sua eleição. Deixará que a situação seja equacionada pela própria Casa legislativa. Esta é a leitura que se faz do processo, a se realizar, hoje, quarta-feira, no primeiro dia de atividades parlamentares após o recesso.

PT por dentro

O PT tinha tomado a decisão de apoiar a candidatura de Rodrigo Maia. E quiçá a candidatura do senador Eunício Oliveira para a presidência do Senado. O Diretório Nacional, por meio do presidente Rui Falcão, havia endossado a posição. Até o ex-presidente Luis Inácio fora consultado. Mas a reação da base partidária provocou uma reviravolta.

PT por fora

O PT anuncia que retirou o apoio aos nomes de Maia e Eunício, que estão na base do que os petistas continuam a chamar de "governo golpista". E assim o PT corre o risco de não participar da mesa diretora das duas Casas. Observação : a se confirmar a decisão do PT, seus deputados perderão vagas nas Comissões Técnicas. Espaço ideal para fazer oposição ao governo. Acerto ou burrice ?

O pior já passou

Expande-se a crença de que "o pior já passou" em matéria de recessão da economia. Os índices melhoram nas áreas da inflação e dos juros. Na frente do desemprego, os dados são ainda crescentes. Mas os setores produtivos, por meio de suas lideranças, se mostram mais otimistas. O varejo reage bem. E a confiança no futuro se amplia. Os projetos do governo são muito bem recebidos.

Por mais empregos - I

Embora toda a ênfase sobre o mercado de trabalho seja dada aos mais de 12 milhões de desocupados, não se pode esquecer o outro lado da moeda nessa área no governo de Michel Temer : o fechamento de vagas já foi reduzido em um terço quando comparado ao mesmo período Dilma do ano anterior. De maio a dezembro de 2015 (era Dilma), foram fechadas 1.438 milhão de vagas. De maio a dezembro de 2016, o número caiu para 960 mil – redução de 33,19%. Ou seja, o desemprego já não cresce tanto quanto no tempo do PT.

Por mais empregos - II

Mas o fechamento de vagas pode ser reduzido à metade ainda este ano, comparado ao ano anterior, caso o país gere 61 mil vagas de janeiro a abril, o que é provável. Para que a tendência se mantenha é necessário manter o ambiente de confiança, avançando com as reformas previdenciária e trabalhista ; regulamentar a terceirização e o trabalho intermitente, com grande potencial de formalização do trabalho ; evitar reformas tributárias que só prejudicariam setores que mais empregam, como mudanças no PIS/COFINS ; recuperar empresas por meio de Refis ; e, por fim, continuar na trajetória de queda dos juros e ampliação do crédito.

Previdência, o maior desafio

O foco do governo nos próximos tempos é a reforma da Previdência. Haverá amplo e intenso debate. O projeto tem algumas gorduras que podem ser queimadas. Tempo de contribuição, por exemplo. Ou a idade de aposentadoria para as mulheres, de 65 anos para 62 ou 63, por exemplo. O governo espera que, ao final do semestre, a Previdência passe pelo Congresso. Terá, então, enfrentado seu maior desafio. Os projetos restantes seriam puxados pelo arranque da Previdência.

O novo ministro

O presidente Michel Temer está meditando sobre o nome do novo ministro do STF. Há pressões de todos os lados. Ele está tranquilo. É da área jurídica e conhece os potenciais e qualidades de muitos entre os nomes que aparecem. Não se submeterá a pressões. Na hora certa, escolherá o nome. Um registro deve ser feito : alguns nomes de grande peso têm sido simplesmente detonados pela mídia, na esteira de versões, meias verdades e mentiras. Há muita sordidez no ar.

Trump enrascado

Não se pode dizer que Donald Trump começou com o pé direito no comando da maior potência mundial. As medidas do bilionário são de arrepiar. Duras, restritivas aos imigrantes, irrigadas por acentuado conservadorismo. As resistências crescem até nas hostes do partido republicano. Trump ainda não caiu na realpolitik. Isolar os EUA do mundo globalizado será suicídio. Polêmico, autoritário, autossuficiente, o todo poderoso presidente norte-americano poderá cair do cavalo mais adiante. Claro, se continuar a caminhar pelos caminhos da extravagância. E ainda por cima, persistem as insinuações e suspeitas de que a Rússia de Putin engendrou um ataque cibernético aos EUA por ocasião das eleições. Que teriam prejudicado a candidata Hillary Clinton.

Barão

Fecho com o sábio Barão de Itararé.

Frases

- O uísque é uma cachaça metida a besta.

- O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.

- A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.

- O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.

- Genro é um homem casado com uma mulher, cuja mãe se mete em tudo.

- Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.

- Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

- Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar.

- Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas.

Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato, (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.

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