terça-feira, 22 de setembro de 2020

COLUNAS

Porandubas nº 159

OS CAMINHOS DO ÓLEO

Roberto Dualibi (DPZ) promove, periodicamente, um encontro cívico em sua casa. Reúne empresários, dirigentes de entidades, profissionais liberais e jornalistas para ouvir autoridades de relevo. Desta feita, recebeu, ontem, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Que discorreu com segurança sobre petróleo, potenciais energéticos, pré-sal, defendendo as teses do governo sobre o domínio de suas riquezas. Para começar a conversa, o ministro solta duas projeções, a menos otimista e a mais otimista em matéria de pré-sal. Temos uma reserva entre 5 bilhões e 250 bilhões de barris de petróleo naquela camada. A previsão menor nos garante, de cara, US$ 5 trilhões, e a maior é responsável pela montanha de US$ 25 trilhões. E o petróleo do pré-sal pode ser puxado por US$ 40/barril. O futuro, portanto, estará bem adocicado por este óleo.

AS RIQUEZAS DO POVO

O ministro expressa convicção quando defende a tese nacionalista de preservação de nossas riquezas. A maioria das ações da Petrobras já não pertence ao Brasil. Mais de 50% das ações são negociadas na Bolsa de Nova Iorque. O Brasil tem cerca de 38% das ações. Portanto, lucros da Petrobras, hoje, ficam mais no exterior do que no país. É sábia a tese de que as riquezas do pré-sal, que pertencem ao Brasil, não devem migrar para o exterior. Se o pré-sal for aberto à exploração das empresas internacionais, estaremos dando de bandeja o que pertence ao povo brasileiro.

PARAGUAI SEM CONCESSÕES

O ministro Edison Lobão avança e garante que o Brasil não cederá às pressões do Paraguai, que não investiu um tostão para a construção de Itaipu. Recebe a energia brasileira, a preços baixíssimos, e a revende. E já levou mais de US$ 4 bilhões do Brasil (royalties) por conta da parceria. Diante dessa situação, não há motivo para o país ceder mais. Lula é generoso, mas neste caso, garante o ministro, não cederá.

AJUDA AOS VIZINHOS

O Brasil está se saindo bem no papel de amigo que estende as mãos para tirar o vizinho do buraco. Ajuda a Argentina a sair da crise. Fez parceria de intercâmbio energético com a Venezuela. E compra o gás boliviano em condições satisfatórias. Não por acaso, subimos ao pódio de líder da região. O Paraguai não vai conseguir mais vantagens do que já tem. A conversa foi ouvida por empresários, dirigentes de peso e jornalistas, entre os quais Lázaro Brandão (Bradesco), Roberto Setúbal (Itaú), Ivan Zurita (Nestlé), Roberto Oliveira Lima (Vivo), Ueze Elias Zahran (Grupo Zahran), José Carlos Grubisich (Braskem), entre outros. Lobão deixou boa impressão.

CAMPANHA PAULISTANA

Geraldo Alckmin ou Gilberto Kassab no segundo turno ? Alckmin bate em Kassab apostando no combate direto. A arma poderá se voltar contra ele. O eleitor das margens sociais não gosta de "agressão". O eleitor de classe média até aceita mais a agressão e acompanha com atenção os movimentos de seus candidatos. Ocorre que as performances dos candidatos apenas corroboram intenções de voto já assumidas. Portanto, não é com agressão que candidato sobe ou desce. A conferir.

O SEGUNDO TURNO

Seja Kassab ou Alckmin o adversário, não será fácil a candidata petista levar a melhor no segundo turno. A migração de voto é mais fluida entre Alckmin e Kassab e vice-versa do que um deles e Marta. E os votos de Maluf, por sua vez, migrarão em maior intensidade para Kassab ou Alckmin do que para Marta. Tem mais : a rejeição à petista continua em torno de 30%. Se a lógica funciona em campanha eleitoral, Marta terá menos chance que um dos dois nomes que disputarão o segundo turno com ela.

LULA EM NATAL

Lula é um ótimo padrinho eleitoral. No Nordeste. Em São Paulo, agrega pouco. Participou de um comício de Marta Suplicy, há 20 dias, e de lá para cá, a petista perdeu alguns pontinhos. No Nordeste, Lula é o Pai dos Pobres e o Salvador da Pátria. Em Natal, Rio Grande do Norte, o comício que fez para a candidata, deputada federal Fátima Bezerra, deverá lhe dar quatro a cinco pontos, o suficiente para jogá-la no segundo turno, quando enfrentará a deputada estadual, Micarla de Souza. Trata-se de uma questão de honra para o PT derrotar o senador José Agripino (DEM), patrono de Micarla.

CONFUSÃO EM RECIFE E SALVADOR

Em Recife, o candidato do PT, João da Costa, está bem na frente. Ocorre que, a 12 dias da eleição, teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral por uso da máquina administrativa da Prefeitura, comandada por João Paulo (PT). Poderá recorrer ao pleno do Tribunal Regional Eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral. E, ainda, se fazer de vítima. Nesse caso, sua intenção de voto tende a subir às alturas. Já em Salvador, ACM Neto lidera, mas as forças contrárias se unirão contra ele no segundo turno.

UM MILHO DE CADA VEZ

A galinha enche o papo comendo um caroço de milho de cada vez. Ora, se Dilma Rousseff tinha 6,2% de intenção de voto na pesquisa Sensus, de abril passado, e agora conta com 8,4%, significa que está crescendo. Não é interessante para um candidato crescer rapidamente, se a campanha é apenas um ponto longínquo no horizonte. José Serra, que hoje tem 38,1% nessa mesma pesquisa, terá dificuldades para sustentar esse índice até 2010. Portanto, não se apressem os tucanos. Dilma Rousseff, candidata de Lula, vai crescer. Se será a próxima presidente da República, isso é outra história. As circunstâncias é que dirão.

QUE INTERESSANTE !

Vejam mais esse dado : pela pesquisa, 44,1% dos entrevistados dizem que poderão votar em um candidato apoiado pelo presidente Lula. E 15,5% declaram que Lula é o único candidato em quem votariam. A popularidade presidencial chegou a 68,8%. Um recorde.

RENOVAÇÃO AMAZÔNICA

Pois é, Amazonino Mendes, que já foi quase tudo no Estado do Amazonas, poderá ser eleito no primeiro turno e ganhar a prefeitura de Manaus. A Amazônia se renova com um banho nas águas do passado. É o velho Brasil.

TEMPOS MODERNOS

Quando um elefante deixar de atropelar para ser atropelado, é sinal de que realmente aportamos na modernidade. O homem tira o elefante de seu habitat para jogá-lo no meio das feras urbanas. O elefante não resiste ao ônibus. Que o atropela na Estrada das Pirâmides, ao norte da cidade do México. Hilda, a elefanta, tinha 40 anos de idade e pesava cinco toneladas. O motorista também morreu.

A VERVE DE DELFIM

A decisão do governo americano de intervir no mercado para evitar uma crise sistêmica no setor financeiro significa o avanço do capitalismo. Delfim Netto lembra que esse princípio moral já se fazia presente na obra do filósofo escocês Adam Smith (1723-1790), considerado o pai do capitalismo, ao criar o chamado "espectador imparcial". Muitos dirão que se trata de uma ação contra o capitalismo. O professor arremata : "toda vez que o Estado salva o mercado, ele é chamado de comunista. Há livros e livros que provam que o capitalismo só se salva com ações comunistas." Que é engraçado, ah, isso é.

RIO DE DÚVIDAS

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) lidera a corrida para a prefeitura e já há muita gente apostando na queda de Marcelo Crivella (PRB) e no crescimento de Fernando Gabeira (PV). Se este chegar aos 14% de intenção de voto, irá ao segundo turno, garante o experiente tucano e empresário Ronaldo César Coelho. E, no segundo turno, com o apoio da máquina de César Maia, Gabeira poderia sonhar com a vitória. Poderia. Afinal, seu slogan é o de Barack Obama : "sim, nós podemos". A utopia democrata nos EUA poderá ser alcançada. Mas a utopia carioca está pra lá das nuvens.

CONSELHOS AO CANDIDATO GERALDO ALCKMIN

Esta Coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos aos políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado aos membros do Conselho Nacional de Justiça. Hoje, volta sua atenção ao candidato a prefeito de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin:

1. Nem sempre a melhor defesa é o ataque.

2. Atacar atitudes em vez de atacar idéias é perigoso.

3. O ataque mais corrobora posições já assumidas pelos eleitores do que tira votos do adversário.

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Atualizado em: 1/1/1900 12:00

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COORDENAÇÃO
Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato, (gt@gtmarketing.com.br) é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.