Domingo, 20 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Mulheres são minoria não só nas chefias das empresas, mas também na política

Sylvia Romano

Mesmo sendo hoje maioria na população brasileira, as mulheres ainda são minoria em cargos de chefias nas empresas e continuam tendo seus salários inferiores ao dos homens na mesma posição, como atestam vários estudos e pesquisas.

quinta-feira, 29 de julho de 2010


Mulheres são minoria não só nas chefias das empresas, mas também na política

Sylvia Romano*

Mesmo sendo hoje maioria na população brasileira, as mulheres ainda são minoria em cargos de chefias nas empresas e continuam tendo seus salários inferiores ao dos homens na mesma posição, como atestam vários estudos e pesquisas. Eles ganham de "lavada" mesmo não tendo, em alguns casos, as qualificações e potenciais de muitas mulheres.

Quando se enfoca as postulantes a cargos eletivos às eleições de 2010, a situação fica ainda mais discrepante. Segundo pesquisa divulgada pelo INFOGRÁFICO/AE quanto ao sexo, dos 149 candidatos a governador, 18 são mulheres; dos 231 a senador, só 34 são do sexo feminino; e dos 15.353 postulantes a deputado Estadual e Federal, apenas 4.098 são mulheres.

Segundo José Roberto Toledo, em artigo publicado recentemente, "o candidato típico é homem, tem 48 anos de idade, nível superior e é político profissional; já o eleitor típico é mulher, tem pouco mais de 40 anos, não foi além do ensino fundamental e é assalariada do setor privado". O que também me chamou a atenção nesse texto foi a informação de que as chapas são dominadas por uma elite partidária tão ligada ao poder que, ao preencher sua ocupação no registro de candidatura, seus membros escrevem "deputados" ou "vereadores", ou seja, já estão no poder há um certo tempo e nada fizeram para reverter essa situação tão discriminatória para as mulheres.

O que estou tentando alertar todas nós não é para que votem somente em mulheres, mas em quem tem melhores condições de exercer o poder, um passado ilibado e grande experiência administrativa. Recomendo ao tão segregado sexo feminino que pense bem e não reeleja ninguém — seja homem ou mulher —, pois os que lá estão nada fizeram por nós e têm como única preocupação se manterem na situação cômoda e confortável em que se encontram.

Para reverter essa vergonhosa realidade não vejo outra solução que não seja uma mudança total no panorama político brasileiro, no qual a competência e a ética venham pautar qualquer atuação no setor. Portanto, nas próximas eleições é muito prudente, principalmente para nós mulheres, não reelegermos ninguém!

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*Advogada do escritório Sylvia Romano Consultores Associados








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