Quarta-feira, 22 de maio de 2019

ISSN 1983-392X

Advogados são alvos de grampos?

Enio Fontenelle

Advogados e empresas de advocacia são alvos primários de ações de espionagem.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

É surpreendente a indiferença com que são tratados assuntos de confidencialidade das comunicações no Brasil, em confronto com as cifras que são despendidas no primeiro mundo com sistemas de defesa contra ataques eletrônicos de todos os tipos, valores que se elevam a bilhões de dólares anuais. No entanto a espionagem é uma atividade que cresce assustadoramente em nosso país.

Considerando que quem quer que promova uma ação invasiva, seja ela uma captura de dados, uma escuta telefônica ou a implantação de algum artefato oculto como câmera ou microfone, busca, obviamente, obter informações privilegiadas, usualmente de alto valor. Exatamente a lida diária dos advogados. Afinal, não é um acaso as comunicações entre advogados e seus clientes serem declaradas confidenciais pela legislação. Portanto, indubitavelmente, advogados e empresas de advocacia são alvos primários de ações de espionagem.

Sob o ponto de vista comercial, as empresas de advocacia, quase em sua totalidade, ao definirem seus custos fixos operacionais, consideram salários, encargos sociais, aluguéis, taxas, serviços públicos, materiais de expediente, equipamentos e instalações, além da amortização dos investimentos em ativos fixos, e licenças de softwares, incluindo programas antivírus e firewalls. Mas com relação à segurança, a empresa – normalmente instalada em um prédio de escritórios – apenas espera que o condomínio controle os acessos identificando pessoas.

Se algo anormal acontece dentro das paredes do escritório, como o desaparecimento de um laptop, por exemplo, o fato provocará um estresse coletivo desproporcional ao preço do equipamento roubado, e reuniões e reuniões serão realizadas na busca por uma solução, que quase sempre deságua na decisão de instalar câmeras de vigilância pelo local, o que significa o desembolso de uma quantia significativa, além de gerar uma despesa mensal não desprezível com gravação, manutenção e pessoal dedicado à análise das imagens colhidas.

No entanto, no que concerne à segurança de comunicações, não há qualquer ação preventiva, qualquer investimento, apesar de serem os advogados alvos prioritários de ataques eletrônicos, inclusive grampos ilegais. Alguns escritórios - usualmente após a comprovação de um vazamento importante – contratam uma varredura, no mais das vezes apenas uma mesmo.

Considerando essa postura sob a ótica das relações com os clientes, que fundamentalmente se baseiam em confiança, os advogados e empresas de advocacia, ao não incorporar a proteção de comunicações aos seus procedimentos regulares, estão, de fato, se abstendo de utilizar um diferencial qualitativo poderoso, que pode ser crítico quando se trata, por exemplo, de conquistar grandes clientes.

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* Enio Fontenelle é presidente da Fence Consultoria Empresarial Ltda.

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