Domingo, 25 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

Os mesmos nomes na imprensa ... e o meu?

Fábio Alberici de Mello

Ao abrir os jornais, lendo as matérias e/ou artigos pertinentes ao mundo jurídico, constata-se uma repetição freqüente nos nomes dos entrevistados pelos repórteres ou no rodapé dos textos assinados. As mesmas entrevistas ou os mesmos autores de artigos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005


Os mesmos nomes na imprensa ... e o meu?


Fábio Alberici de Mello*


Ao abrir os jornais, lendo as matérias e/ou artigos pertinentes ao mundo jurídico, constata-se uma repetição freqüente nos nomes dos entrevistados pelos repórteres ou no rodapé dos textos assinados. As mesmas entrevistas ou os mesmos autores de artigos.

A mídia tem suas preferências, os jornalistas também. Cada um conta com sua lista das chamadas fontes de informação, ou seja, a quem ele recorre na hora de tirar uma dúvida, ou pedir uma determinada opinião sobre o tema que escreve.

Figuram nessas listas e, consequentemente, nas matérias advogados de escritórios de todos os portes, desde pequenas bancas até as maiores do País. O interesse do jornalista é na qualidade da informação, venha ela de onde vier. Sua busca é por matéria-prima confiável para seus textos, não importando o porte da empresa de onde ela saiu.

Por que, então, se verifica tal repetição de entrevistados e autores de artigos se todos os escritórios são, em tese, pólos de conhecimento jurídico e, por conseqüência, possíveis fontes de informação de qualidade? Por que os outros advogados não figuram na imprensa?

Para encontrar a reposta, vale inverter o questionamento. Mas o que eles, esses advogados, já fizeram no sentido de apresentar sua opinião?

Hoje, os jornalistas, trabalham em redações dia a dia mais enxutas, enfrentando um esquema mais estafante, dependendo cada vez mais de si mesmo e sua rede de relacionamento. Nesse contexto, um veículo pauta o outro.E as assessorias de imprensa buscam pautar todos.Se um nome figurou numa matéria do jornal X, é provável que venha a aparecer em breve no jornal Y. E vice-versa. Seja porque o jornalista leu sua declaração no concorrente e foi atrás de sua nova fonte, seja porque a assessoria de imprensa trabalha buscando espaço em todos os veículos.

Para os advogados que buscam um lugar para sua opinião, seus comentários e interpretações da lei, o segredo está em um dos termos do parágrafo anterior: a rede de relacionamento. E há diversos modos de entrar nessa rede.

O mais profissional e eficaz, talvez não ao alcance de todos, é a assessoria de imprensa ou comunicação. Empresas especializadas cuidam para que seu escritório, ou melhor, sua empresa, de qualquer porte, passe a figurar entre os nomes considerados pelos jornalistas em suas matérias. São diversas técnicas para atingir o objetivo: press-kits, políticas de relacionamento, cursos direcionados, sugestões de pauta, entrevistas em off, e muito mais. Além disso, há o treinamento para o atendimento da imprensa, otimizando o relacionamento entre os lados.

Mas, como já disse, é um recurso que talvez não esteja ao alcance de todos no momento; a contratação exige investimento, inclusive de tempo.


Se sua empresa ainda não está pronta ou disposta a enfrentar esse investimento, passe, então, a interagir por conta própria. O jornalista está sempre em busca de informações e opiniões relevantes. Alguma vez, o leitor que deseja exposição na mídia já manifestou as suas? Seja para o jornalista da sua cidade, região ou mesmo dos grandes periódicos de alcance nacional?

Vale a tentativa.

Contate o jornalista que escreveu sobre o assunto que lhe interessou ou sobre o qual tem domínio. Contate-o de preferência por e-mail – ele pode ler no momento mais conveniente em meio à correria da redação. Comente o conteúdo da matéria ou o tema, dê sua opinião sobre as interpretações contidas no texto. Seja a favor ou contra a questão abordada. Expresse-se. Esse é um bom início para o relacionamento, seu escritório saiu do anonimato para aquele jornalista.

Alguns cuidados devem ser tomados. O primeiro é com a linguagem: o especialista é o advogado, não o jornalista, portanto evite termos complicados, tão comuns nas petições e outros documentos. Segundo, preste atenção na forma. O jornalista tem pouco tempo, seja sucinto. O terceiro – e talvez o mais importante – cuidado é quanto à pertinência e à freqüência da sua mensagem. Certifique-se de que você tem o que dizer, que seu comentário agregará alguma informação ao jornalista. E não o faça todo dia, pode parecer spam, ou, simplesmente, ser chato.
____________


* Jornalista com MBA em Marketing e sócio da Comunicare Consultoria de Comunicação.







_____________