Terça-feira, 24 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

Tempo entre voos

Marisa Peres

Sentada em outra sala de espera de aeroporto, completamente perdida em que horas são cá ou lá, me pego pensando no quão rápido esse ano se foi...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sentada em outra sala de espera de aeroporto, completamente perdida em que horas são cá ou lá, me pego pensando no quão rápido esse ano se foi.... e como obviamente nem bem tinha conseguido definir algumas parcas metas para minha vida pessoal, eis que o tempo está terminando e destas, praticamente nenhuma havia sido cumprida...

No trabalho, muito pelo contrário! As metas avaliadas em junho foram muito boas e as novas já estão bem encaminhadas. Ou seja, é em casa que não faço mesmo a lição de casa. E por que?

Seria fácil demais culpar o pouco tempo livre, o excesso de viagens nacionais e internacionais, a constante vida plugada em responder e-mails e ler memos, o ano excepcional já que tivemos Copa do Mundo e eleições.... mas de verdade, é tão mais fácil às vezes esquecer de nós mesmos e focar no eu-profissional.... Sim, por que o que somos realmente, desprovidos do título e nome da empresa que se torna quase como uma extensão inerente ao nosso nome? No fim do dia, desprovidos da farda profissional, rosto limpo e se possível hidratado antes de dormir, deitados em nossos travesseiros, ao fechar os olhos, será que sabemos dizer sem titubeio, “olá, sou a Marisa”, sem ter que acrescentar algo a mais?

Aliás, estar aqui sozinha sentada me permite ser eu mesma. Nesse imenso aeroporto em terras estrangeiras, há pouca probabilidade de cruzar com algum conhecido... assim, me visto quase como se fosse caminhar no parque, levando o iPad como livro debaixo do braço, para ler algo, ouvir uma música, me conectar ao mundo, ou seja, quase tudo menos pensar comigo mesma sobre mim mesma. Uma nova máscara que criamos não para o mundo exterior, mas para nós mesmos.

Nesse ano, em especial, estou tentando algo diferente. Já que não cumpri minhas metas mesmo, ao menos estou aprendendo a separar um tempo, bem tão precioso atualmente, para me dedicar apenas a mim. E esse ambiente solitário e praticamente silencioso é perfeito para isso. Não há razão para poluir com outras coisas que não meus pensamentos.

E meus pensamentos voam e pousam no último momento recente em que também pensei em mim. Quando decidi que o cansaço era tamanho que precisava de férias de tudo, e me dei, de presente, quase junto com a chegada da primavera, 5 lindos e ensolarados dias numa praia distante, nos quais me desliguei do e-mail, celular, do filho, do namorado, da mãe, dos amigos, dos problemas e fiquei só comigo mesma.

Que delícia. No terceiro dia, olhando o mar que mantinha seu constante e delicioso ir e vir, percebi maravilhada, que pela primeira vez em muitos e muitos anos, minha mente estava completamente, absurdamente, V A Z I A.

Essa sensação de absoluto nada me era até então desconhecido. Ao menos desde o ingresso na tal vida adulta... e como me fez bem!

Assim, minha primeira meta para o próximo ano é novamente me dar férias de tudo e todos e focar, ainda que por apenas 5 dias, apenas em mim.

Já minha segunda meta, esta mais audaciosa, vem em consequência do ano que tivemos, em que vimos surgir tantos problemas, tanta lama, tanta sujeira.... Para os mais próximos digo que sinto que estamos vendo um dos 12 trabalhos de Hércules, a lavagem dos estábulos (ou currais) do Rei, que demandaram o desvio de dois rios, já que não eram limpos há mais de 30 anos.

Há o ditado que diz “depois da tempestade, vem a bonança”, e um grande amigo meu sempre afirmou, que antes da bonança, contudo, vem a faxina, para colocar em ordem o que a tempestade destruiu. E para mim é esse o momento que teremos em breve.

O momento de limpar e reorganizar a casa. Reorganizar a si mesmo também. E é nesse sentido minha segunda meta. Quero definir quem sou e o que realmente me interessa, independente de onde trabalho, com quem me relaciono, qual minha função, cargo ou título.

Algo quase como o “Projeto Eu”. Percebi que está mais que na hora dele ser colocado verdadeiramente em prática. E ele engloba todas as áreas da minha vida e, portanto, terá reflexos também no meu eu-profissional.

Quem sabe no fim do outro ano escrevo outro texto contando o que consegui fazer...

Que venha 2015!

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*Marisa Peres faz parte do jurídico da empresa Mitsui & Co e é membro do Jurídico de Saias.

Jurídico de Saias